O filho do fundador bilionário da Mango, uma das maiores redes de fast fashion da Europa, foi preso pela polícia espanhola que investiga a morte do pai, segundo pessoas familiarizadas com o caso.

Jonathan Andic foi detido nesta terça-feira (19) em sua casa e levado para uma delegacia ao noroeste de Barcelona, perto do local onde o pai morreu, de acordo com um policial envolvido na investigação.

Jonathan é investigado por possível homicídio de Isak Andic, fundador da Mango, que morreu em dezembro de 2024 após cair mais de 90 metros de um penhasco enquanto fazia uma trilha com o filho nas montanhas de Montserrat. Os dois estavam sozinhos no passeio.

A família Andic afirmou que Jonathan é inocente e continuará cooperando com as autoridades. “Não há nenhuma evidência legítima incriminando Jonathan, nem haverá”, disse um porta-voz.

Bilionários da Espanha

O caso colocou os holofotes sobre uma das famílias mais ricas da Espanha e o império de moda que controla. Segundo a Forbes, Isak Andic tinha fortuna estimada em US$ 4,5 bilhões na época da morte. Nascido em Istambul, em 1953, em uma família judaica sefardita, ele se mudou ainda jovem para a Catalunha, no fim da década de 1960, em meio à instabilidade política na Turquia.

Andic começou vendendo camisetas importadas para colegas de escola e expandiu gradualmente o negócio para feiras populares e comércio atacadista.

A história da Mango

A Mango foi fundada em Barcelona em 1984 por Isak Andic, filho de imigrantes turcos que chegaram à Catalunha quando ele ainda era adolescente. A empresa começou com uma única loja no centro da cidade e, ao longo das décadas seguintes, se transformou em uma das maiores redes de moda da Europa, com milhares de lojas próprias e franqueadas em diversos países. Conhecida pelo modelo de fast fashion, a marca expandiu sua presença global competindo diretamente com gigantes do setor, como Zara e H&M.

Isak Andic. Fotógrafo: Robert Marquardt/Getty Images

A trajetória empresarial de Andic frequentemente era associada à capacidade de transformar uma operação familiar em uma marca global de moda rápida, focada em roupas modernas e acessíveis para o público jovem.

Quando morreu, aos 71 anos, Isak era presidente da Mango e controlador da holding familiar, dona de 95% da companhia. A morte do fundador provocou forte repercussão na Espanha no fim de 2024 e gerou homenagens de empresários, políticos e executivos do setor de moda.

Jonathan Andic assumiu a presidência da holding ao lado das duas irmãs. A operação diária da Mango segue sob comando do CEO Toni Ruiz, executivo próximo de Isak que recebeu anteriormente uma participação de 5% na empresa.

A Mango anunciou a “morte inesperada” de seu fundador no mesmo dia do acidente e classificou o episódio como acidental. A polícia, que chegou ao local de helicóptero, também afirmou inicialmente que a queda parecia ter sido um acidente.

Mas o caso passou a gerar especulações na imprensa espanhola depois que o juiz responsável reabriu a investigação para permitir que a polícia reunisse mais provas.

Segundo o Wall Street Journal, Jonathan entregou seu celular à polícia e foi interrogado diversas vezes. Outros familiares também prestaram depoimento.

Jonathan deve comparecer pela primeira vez diante de um promotor após a prisão. Em seguida, o Ministério Público decidirá se tornará públicas suas conclusões. O caso então seguirá para a Justiça de Barcelona, que decidirá se Jonathan continuará preso até eventual julgamento ou poderá responder em liberdade mediante fiança.