A General Motors (GM) espera que seus lucros cresçam até US$ 2 bilhões neste ano e planeja devolver mais recursos aos acionistas por meio de dividendos maiores e recompra de ações, impulsionada pela demanda por seus veículos de maior margem.

O lucro ajustado antes de juros e impostos (EBIT deve ficar entre US$ 13 bilhões e US$ 15 bilhões, acima dos US$ 12,7 bilhões de 2025, informou a empresa nesta terça-feira, detalhando também os resultados do quarto trimestre. A GM registrou US$ 2,51 por ação no último trimestre, superando a expectativa de Wall Street de US$ 2,28.

O guidance da empresa destaca como as vendas de modelos novos e caros e um ambiente regulatório permissivo estão ajudando a impulsionar o crescimento dos lucros. Mesmo com o mercado de carros novos dos EUA previsto para encolher levemente neste ano e tarifas sobre algumas peças importadas, a GM projeta gerar recursos suficientes para aumentar os pagamentos aos acionistas.

As ações da GM subiram 5,7%, para US$ 83,96, às 9h39 em Nova York, após terem registrado ganhos superiores a 50% em 2025.

A nova orientação da GM se baseia na venda de mais caminhonetes e SUVs grandes, como GMC Sierra e Cadillac Escalade, e menos veículos elétricos (EVs). Montadoras tradicionais se beneficiam dos esforços do ex-presidente Donald Trump para relaxar regras de eficiência de combustível da era Biden, permitindo vender mais veículos que consomem muita gasolina sem pagar multas ou comprar créditos de EV de empresas como a Tesla.

“A GM está executando em alto nível”, disse Alexander Potter, analista da Piper Sandler com recomendação “overweight”, em nota de pesquisa. “Crucialmente, a empresa renovou a autorização de recompra de ações, apesar do receio de que os custos com EVs impactassem o ritmo das recompras.”

A fabricante de Detroit autorizou US$ 6 bilhões em recompra de ações e aumentou seu dividendo trimestral em 3 centavos, para US$ 0,18 por ação. Nos últimos anos, a GM recomprou mais de US$ 20 bilhões em ações, contribuindo para que o preço atingisse máximos históricos.

A empresa agora espera lucro líquido entre US$ 10,3 bilhões e US$ 11,7 bilhões, ante US$ 2,7 bilhões em 2025, ano em que realizou despesas extraordinárias ao reduzir sua operação de EVs em dificuldades. Essas provisões resultaram em prejuízo líquido de US$ 3,3 bilhões no quarto trimestre, ou US$ 3,60 por ação não ajustado.

“Esperamos que o mercado de veículos novos dos EUA continue resiliente”, disse a CEO Mary Barra em carta aos acionistas. “Olhando adiante, operamos em um ambiente regulatório e político nos EUA cada vez mais alinhado.”

O plano de recompra estava em dúvida após a GM anunciar, no início deste mês, mais uma provisão relacionada a EVs, elevando o total para US$ 7,6 bilhões. A empresa espera mais provisões neste ano, mas bem menores que as anunciadas anteriormente.

“Continuaremos trabalhando para reduzir custos e tornar nosso portfólio de EVs lucrativo”, disse Barra em entrevista à Bloomberg Television, acrescentando que a empresa também planeja oferecer alguns veículos híbridos.

A receita do último trimestre foi de US$ 45,3 bilhões, ligeiramente abaixo da estimativa dos analistas de US$ 45,4 bilhões, após uma queda de 6,9% nas vendas no trimestre anterior, devido à menor demanda por EVs e modelos mais baratos, como o Chevrolet Trax.

Com o fim dos subsídios federais dos EUA para EVs no ano passado, o CFO Paul Jacobson afirmou que ainda não está claro qual é a demanda real por veículos totalmente elétricos nos EUA.

“Não acho que alguém saiba exatamente qual será a demanda estável por EVs nesse novo cenário”, disse ele em teleconferência com analistas.

Jacobson também afirmou que tarifas provavelmente custarão entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões à empresa neste ano, ante US$ 3,1 bilhões em 2025.

O negócio da GM na China registrou perda de US$ 513 milhões no quarto trimestre e US$ 316 milhões no ano passado, após uma provisão de US$ 600 milhões para reestruturação da operação no último trimestre.

A montadora disse estar vendo aumento de receita em serviços de telemetria OnStar e direção semiautônoma Super Cruise. A receita diferida, reconhecida ao longo de três anos, deve crescer US$ 2,1 bilhões em 2026, chegando a US$ 7,5 bilhões.