A empresa iniciou os avisos aos trabalhadores na manhã de quarta-feira na Ásia, onde funcionários receberam comunicados às 4h no horário de Singapura. Empregados nos Estados Unidos também devem ser notificados ao longo da manhã, segundo memorando interno.
A Meta planeja cortar cerca de 20% de sua força de trabalho na Irlanda — o equivalente a aproximadamente 350 vagas — informou o jornal Irish Times. Dublin abriga a sede europeia da companhia. Representantes da empresa não responderam a pedidos de comentário.
Os funcionários foram incentivados a trabalhar remotamente enquanto a companhia elimina cerca de 8 mil postos de trabalho em todo o mundo. Segundo pessoas familiarizadas com os planos da empresa, os cortes devem atingir principalmente equipes de engenharia e produtos, e novas demissões podem ocorrer ainda neste ano.
“Empresas automatizadas como a Meta correm o risco de deixar de ser empregadoras desejadas à medida que fica evidente que substituirão humanos quando houver oportunidade”, afirmou Jan-Emmanuel De Neve, professor de economia e ciência comportamental da Universidade de Oxford. “Isso pode gerar economia no curto prazo, mas ameaça o potencial de crescimento no longo prazo ao prejudicar o bem-estar e o engajamento dos funcionários.”
Inteligência artificial
Na segunda-feira, a Meta informou internamente que cerca de 7 mil trabalhadores foram transferidos para equipes recém-criadas focadas em iniciativas de IA, incluindo produtos e agentes inteligentes. A companhia, que pretende investir mais de US$ 100 bilhões em despesas de capital ligadas à inteligência artificial neste ano, tinha pouco menos de 80 mil funcionários no fim de março, antes das transferências e demissões.
“Agora estamos em um estágio em que muitas organizações podem operar com estruturas mais enxutas, compostas por equipes menores que se movem mais rápido e com maior autonomia”, escreveu Janelle Gale, diretora de pessoas da Meta, em memorando obtido pela Bloomberg News. “Acreditamos que isso tornará a empresa mais produtiva e o trabalho mais gratificante.”
O CEO Mark Zuckerberg transformou a inteligência artificial na principal prioridade da empresa, direcionando recursos para competir com rivais como Alphabet, dona do Google, e a OpenAI. Essa estratégia vem provocando mudanças profundas na estrutura da companhia e em sua forma de operar.
Nos últimos anos, a Meta passou por sucessivas ondas de demissões enquanto Zuckerberg defendia maior eficiência operacional. O executivo também incentivou engenheiros a utilizar agentes de IA em tarefas de programação, propôs monitorar dispositivos corporativos para aprimorar sistemas de inteligência artificial e chegou a desenvolver um assistente próprio baseado em IA para executar parte de suas funções como CEO, incluindo coleta de feedback de funcionários.
As mudanças aumentaram a insatisfação e a ansiedade entre os empregados da companhia. Mais de mil funcionários assinaram uma petição dirigida a Zuckerberg e outros executivos pedindo que a empresa deixe de coletar dados de seus dispositivos — incluindo registros de teclado, movimentação do mouse e conteúdo de tela — para treinamento de IA. Outros recorreram às redes sociais para relatar impactos das ameaças de demissão sobre o ambiente de trabalho e a moral das equipes.
Os gastos agressivos da Meta com inteligência artificial também vêm gerando preocupação entre investidores, que questionam se os investimentos trarão retorno financeiro. Embora a empresa apresente as demissões como forma de “compensar” parte dos custos dos projetos de IA, analistas da Evercore estimam que os cortes resultarão em economia de cerca de US$ 3 bilhões.
O valor representa apenas uma pequena fração das despesas de capital projetadas pela Meta para este ano, que podem alcançar US$ 145 bilhões, além de centenas de bilhões adicionais que a companhia espera investir em infraestrutura de IA até o fim da década.