No after-market em Nova York, as ações da companhia caíam mais de 4% no início da noite desta quarta-feira (28), diante da preocupação de investidores com o ritmo — e o tamanho — dos gastos com infraestrutura de inteligência artificial.
A companhia reportou receita de US$ 81,3 bilhões, alta de 17% em um ano, e lucro por ação de US$ 5,16, bem acima do consenso de mercado. Parte relevante do resultado, porém, foi inflada por um ganho contábil ligado à participação na OpenAI: cerca de US$ 7,6 bilhões, segundo a Microsoft.
Mas a linha do balanço que influenciou mais o investidores foi outra: a empresa gastou US$ 37,5 bilhões em investimentos (capex) em apenas três meses, sobretudo na expansão de data centers e capacidade de computação para IA — um nível recorde e acima das projeções de analistas, que esperavam despesas na ordem de US$ 36,2 bilhões, de acordo com a Bloomberg.
O crescimento do Azure, principal termômetro da tese de IA da companhia, foi de 39%, em linha com as estimativas, mas ligeiramente abaixo dos 40% registrados no trimestre anterior. Ao mesmo tempo, a demanda segue forte.
A Microsoft informou que suas obrigações de desempenho remanescentes (RPO, em inglês) — contratos já assinados e ainda não reconhecidos como receita — somam US$ 625 bilhões, alta de 110% em um ano, sinalizando um backlog robusto para os próximos trimestres.
Ainda assim, a dúvida central de Wall Street, de acordo com a Barron’s, hoje é menos sobre demanda e mais sobre economia do modelo: quanto tempo levará até que a corrida bilionária por infraestrutura de IA se traduza em margens mais altas e geração consistente de caixa.
Em janeiro, o próprio CEO Satya Nadella reconheceu que as capacidades da IA já avançaram mais rápido do que seu impacto no mundo real e alertou que a adoção precisa se espalhar para além do setor de tecnologia para evitar um ciclo de excesso de expectativas.