O grupo tinha dívida bruta de R$ 432,1 milhões ao fim de 2025, segundo o mais recente resultado financeiro divulgado. Entre os principais credores estão alguns dos maiores bancos do Brasil, como Banco do Brasil, Santander e Bradesco.
“A instabilidade econômica impactou diretamente os resultados das requerentes durante os últimos exercícios de 2022 a 2025, nos quais foram registrados relevantes prejuízos operacionais, já amplamente conhecidos pelo mercado”, apontou a companhia no pedido de recuperação judicial, assinado pelo escritório TWK Advogados.
O Grupo Toky, no mesmo documento, classifica o pedido de proteção contra credores como necessário para a reorganização financeira diante de vencimentos próximos de dívida. E diz que segue em operação e com funcionamento tanto das lojas físicas como de sua plataforma de e-commerce.
Nas últimas semanas, redes varejistas como GPA (Grupo Pão de Açúcar) e empresas de outros setores, como Raízen e Oncoclínicas, entraram com pedidos de recuperação extrajudicial.
O que aconteceu com o Grupo Toky?
Na noite de ontem (11), o Grupo Toky informou em fato relevante que fundos que representam a SPX Capital, uma acionista relevante, estavam em negociação para a venda total de suas ações, o que levaria à renúncia de Fernando Borges, nomeado pela gestora, do seu assento no conselho de administração.
Uma recente conversão de dívida da SPX e da Domus, uma fornecedora de tecnologia, reduziu o endividamento bruto de R$ 659,7 milhões para R$ 432,1 milhões – e a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda (métrica de geração de caixa operacional) passou de 2,8x para 1,8x.
Aquisição da Tok&Stok pela Mobly
A companhia tem passado por uma batalha de acionistas pelo seu controle desde que foi formada no segundo semestre de 2024, com a aquisição da Tok&Stok pela Mobly em negociação que envolveu apenas troca de ações: o controle da rede varejista com cerca de 60% do capital, que pertencia à SPX, passou à Mobly, e a gestora se tornou acionista da nova companhia.
O Grupo Toky nasceu à época com receitas anualizadas de R$ 1,6 bilhão e presença relevante tanto em lojas físicas, principalmente da Tok&Stok, como online, por meio da Mobly, uma empresa nativa digital fundada em 2011 por Victor Noda, Marcelo Marques e Mario Fernandes e que abriu o capital na B3 em 2021. Tinha também presença nacional e produtos voltados para as classes A, B e C.
O acordo nasceu com o apoio dos bancos acima citados, que eram os principais credores da dívida estimada de R$ 450 milhões da Tok&Stok, além da SPX e da Domus.
Mas enfrentou a resistência de Régis e Ghislaine Dubrule, casal francês que fundou a Tok&Stok na década de 1970 e que vendeu o controle da rede por R$ 700 milhões ao fundo americano de private equity Carlyle em 2012, permanecendo como acionistas minoritários posteriormente.
O acordo foi defendido à época pelos fundadores e administradores da Mobly, bem como SPX e bancos, como uma maneira de equacionar a crise da Tok&Stok com um plano de médio prazo e de permitir a retomada do crescimento para o grupo; a família Dubrule, por outro lado, chegou a classificar o plano como um “abraço de afogados” que levaria as duas redes varejistas à insolvência.
Na ocasião, o Grupo Toky estimou sinergias da ordem de R$ 80 milhões a R$ 135 milhões ao ano por um período de cinco anos: em 2025, as sinergias derivadas de medidas como otimização de infraestrutura de TI e administrativa e unificação completa de logística chegaram a R$ 97 milhões, segundo números do balanço do quarto trimestre do ano passado.
O Ebitda ajustado avançou de R$ 37 milhões em 2024 para R$ 228,4 milhões em 2025, mas essa melhoria se mostrou insuficiente para pagar os vencimentos: o grupo tinha apenas R$ 31 milhões em caixa no fim do ano passado – ou R$ 138 milhões incluindo os recebíveis.
No ano passado, novos fundos e investidores entraram no capital da companhia, em particular depois da saída da Home24, holding europeia que foi a principal investidora da Mobly e que depois se tornou acionista controladora do Grupo Toky: a venda de 42,75% do capital se deu para a GTF Capital, de Rafael Ferri, além das gestoras Latache e DSK Capital.