Os bancos de investimentos destacaram especialmente os melhores preços praticados (acima da inflação), além da forte contribuição da divisão brasileira para os negócios. As ações da empresa subiram mais de 1% nesta segunda-feira.
“A Ambev administrou a precificação de forma mais inteligente, indo além da tradição de um aumento de preço a cada trimestre e descobrindo maneiras diferentes de melhorar as vendas por hectolitro”, escreveram Thiago Duarte e Henrique Brustolin, do BTG Pactual.
O BTG pactual manteve recomendação neutra e preço-alvo em R$ 16, enquanto o BofA elevou de neutra para compra a recomendação sobre o que fazer com a ação da fabricante de cervejas e o preço-alvo de R$ 16,40 para R$ 17,50.
“Estamos construtivos em relação ao desempenho da margem nos próximos 18 meses e estimamos que a margem Ebitda de 2024 será a mais alta desde 2019. Isso deve ser impulsionado por custos de commodities mais baixos, real mais forte e preço/mix mais consistentes”, escreveram Isabella Simonato, Guilherme Palhares e Fernando Olvera, do BofA.
Confira abaixo as análises:
BofA
O Bank of America estima que o lucro antes de impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) consolidado da fabricante de bebidas atinja R$ 5,2 bilhões no período, alta de 13% no comparativo anual (excluindo créditos fiscais no segundo trimestre do ano passado), com margem de 27,5%, avanço de 1,8 pontos percentuais no comparativo anual.
O banco estima ainda lucro líquido de R$ 2,6 bilhões (valor por ação de R$ 0,16), alta de 21,4% ante o mesmo intervalo do ano passado e acima do consenso da Visible Alpha em R$ 2,47 bilhões.
“Esperamos que o segundo trimestre mostre tendências semelhantes às observadas no primeiro trimestre com expansão de margem no Brasil, melhorando os resultados no CAC (América Central e Caribe) e desempenho resiliente do LAS (LatAm South), apesar do macro difícil”, escreveu a equipe do banco,
Brasil
A estimativa do BofA é que o Ebitda no Brasil cresça 27,8% no comparativo anual.
Por outro lado, para o Brasil, os analistas estimam que os volumes cairão 2,4% em relação ao ano anterior, devido a duras comparações (com o fim da proibição de máscaras e o adiamento do carnaval em 2022), enquanto o preço/mix permanece muito resiliente, valor 13,5% acima do ano anterior.
Enquanto isso, os custos por hectolitro também estão desacelerando, apontou o banco, impulsionando a expansão da margem.
O BofA espera que o Ebitda no Brasil alcance R$ 2,3 bilhões, com margem de 26,7%.
Fora do Brasil, os resultados devem ser mistos, mas resilientes em geral, apontaram os analistas do banco.
Para 2024, o banco de investimento estima que o EBITDA consolidado da companhia aumente 19% em relação ao ano anterior, para R$ 30,4 bilhões, sendo que a divisão brasileira deve ser o principal motor de crescimento, contribuindo com 80% da melhoria no Ebitda.
“Estimamos que o Ebitda dessa unidade aumentará 34% em 2024, ante o ano anterior, e 13% acima do consenso da Visible Alpha. Acreditamos que isso se deve principalmente a uma visão mais otimista de custos. Assumimos que os custos de caixa por hectolitro cairão 8,7% em relação a 2023”, explicaram os analistas.
A expectativa é que a companhia continue mantendo a estratégia de aumentar seus preços acima da inflação, melhorando seu mix de produtos.
Para a casa, a Ambev continuará aumentando a receita por hectolitro para cerveja em 150 pontos bases acima da inflação geral no Brasil no médio e longo prazo.
Outras regiões
Já o desempenho no Canadá deve ser fraco no segundo trimestre, dados os volumes e margens pressionados, enquanto os resultados na América Central e Caribe estão melhorando sequencialmente.
“Na América do Sul, esperamos alguma volatilidade da margem EBITDA no comparativo trimestral, mas ainda melhor do que no 2T23 em 25,9%”.
Riscos
Os riscos apontados pelo BofA são as possíveis mudanças fiscais, além da concorrência. A eliminação dos benefícios fiscais (IVA e IOC) reduziria o LPA (lucro por ação) em 23% no ano de 2024.
“Sobre a concorrência, nossa pesquisa mostra que Heineken é a marca preferida dos brasileiros, então uma dinâmica competitiva mais agressiva pode impactar a Ambev. No entanto, não há sinais imediatos disso, e a Ambev já se beneficia da situação financeira conturbada de Petrópolis”, disseram os analistas.
Em março deste ano o grupo, dono das marcas Itaipava, Crystal e Petra, entrou com pedido de recuperação judicial, na Justiça do Rio de Janeiro. As dívidas da companhia somam R$ 4,2 bilhões.
BTG Pactual
Em relatório, os analistas do BTG informaram que prevêem receitas consolidadas de R$ 19,4 bilhões, um aumento de 8% no comparativo anual, impulsionadas principalmente pelos preços. Ao mesmo tempo, a casa espera que os volumes consolidados caíam 1% no comparativo anual.
A estimativa de Ebitda é de R$ 5,3 bilhões, um aumento de 14% no comparativo anual, com uma margem de 27,2%, 150 pontos bases acima ante o mesmo intervalo do ano passado.
Por fim, a casa projeta lucro por ação de R$ 0,15 sobre ganhos de R$ 2,4 bilhões, alta de 36% no comparativo anual.
Brasil
Para o segmento de cervejas no Brasil, a casa espera uma desaceleração do crescimento da receita de 11% no comparativo anual, já que os volumes devem contrair 2% ao ano, enquanto espera crescimento do Ebitda em 20% ao ano conforme a margem se expande em 180 pontos base no comparativo anual, para 24,2%.
Nos últimos três anos, o aumento nos volumes foi alimentado por uma combinação de uma indústria mais forte e a recuperação da participação de mercado, apontaram os analistas.
“No entanto, a precificação, mais do que os volumes, tem sido o foco de nossa atenção nos últimos trimestres. A Ambev administrou a precificação de forma mais inteligente, indo além da tradição de um aumento de preço a cada terceiro trimestre e descobrindo maneiras diferentes de melhorar as vendas por hectolitro”.
Para os analistas, em 2021, os descontos começaram a ser geridos de forma mais eficaz e a plataforma digital BEES foi uma alavanca fundamental.
“Em 2022, o mix melhorou com o retorno da mobilidade social e a reativação do consumo no local. A verdade é que a Ambev parece ter encontrado maneiras de capturar preços de forma mais eficaz, com receita por hectolitro superando a inflação em 700 pontos bases nos últimos 3 trimestres”, escreveu a equipe do BTG.