A companhia levou, em caráter definitivo, os lotes 2 e 3 das obras da futura Linha 19-Celeste, que ligará o centro de São Paulo a Guarulhos. A Odebrecht lidera (com 35%) um consórcio formado também pela Álya (antiga Queiroz Galvão) e pela italiana Ghella, especializada em túneis.
A homologação da licitação foi publicada na tarde desta segunda-feira (9). Falta, agora, apenas a assinatura dos contratos. A Companhia do Metropolitano de São Paulo também rejeitou um recurso apresentado pela Andrade Gutierrez, que havia ficado em segundo lugar.
Nova linha
As obras devem começar em 2027 e terão prazo de execução de 75 meses (seis anos e três meses). A Linha 19-Celeste terá 17,6 quilômetros de extensão, 15 estações e previsão de atender cerca de 630 mil passageiros por dia. Vai ligar o Vale do Anhangabaú à cidade de Guarulhos.
No lote 2 — trecho entre as estações Jardim Julieta e Vila Maria — o consórcio apresentou proposta de R$ 6,705 bilhões. Já o lote 3, que vai de Catumbi a Anhangabaú, foi estimado em R$ 6,896 bilhões.
A volta da Odebrecht
A confirmação da vitória na licitação acontece depois de outro contrato relevante fechado pela empresa: em dezembro, a Odebrecht venceu a disputa para estender a Linha 5-Lilás em duas novas estações, em um projeto de até R$ 4,5 bilhões. O contrato é com a Motiva (ex-CCR), concessionária da linha, e será executado em parceria com a Yellow River, subsidiária do grupo chinês Power China.
A Odebrecht voltou a conquistar contratos e fechou 2025 com a maior carteira de obras contratadas em execução. Num resultado que já refletia um movimento de melhora comercial: em 2024, já havia somado US$ 3,9 bilhões.
Eram projetos de linhas de transmissão de energia, obras de saneamento em capitais nordestinas e contratos de infraestrutura em Angola e nos Estados Unidos, além de negociações para atuar na Guiana.
Ainda assim, não conseguiu aliviar o peso do passivo: em junho de 2024, a companhia pediu uma recuperação judicial própria, com dívidas de US$ 4,6 bilhões. O plano abriu espaço para a captação de até US$ 150 milhões em financiamento destinado a empresas em RJ (o DIP) estruturado pelo BTG Pactual, que se tornou a principal fonte de capital de giro para manter fornecedores e garantir a continuidade dos projetos.