Para recuperar participação de mercado no transporte de grãos em Mato Grosso, a Rumo decidiu mexer onde dói mais: o preço.

Depois de perceber que seu frete ferroviário estava mais caro que outros modais em algumas regiões do principal corredor logístico do agronegócio brasileiro, a companhia reduziu tarifas em cerca de 10% ao longo dos últimos meses. O objetivo era recuperar volumes e normalizar seu market share no Estado.

“O que a gente observou é que, quando iniciamos 2026, a companhia estava mais cara, na média das regiões do Mato Grosso”, afirmou Felipe Saraiva, diretor de relações com investidores da Rumo, durante teleconferência com analistas nesta quinta-feira (5). Saraiva disse ainda que o ajuste comercial foi necessário para manter a competitividade da ferrovia.

Nos últimos anos, rotas rodoviárias e novos caminhos de exportação pelo chamado Arco Norte ampliaram as alternativas para produtores do Centro-Oeste, pressionando as tarifas da ferrovia em algumas origens.

Outra fase

O movimento ajuda a explicar um dos principais pontos do resultado recente da companhia: o forte crescimento de volumes transportados veio acompanhado de queda nas tarifas médias, um sinal de que a disputa pela logística do agronegócio está mais apertada.

Isso também sinaliza que a Rumo pode estar entrando em uma nova fase, em que defender participação e ocupação da ferrovia passa a ser tão importante quanto aumentar as margens.

Após o ajuste de preços praticado no ano passado, a participação de mercado voltou a patamares considerados mais equilibrados, segundo a companhia. “Uma vez reposicionado o preço, a gente retoma patamares de market share mais normalizados”, prosseguiu Saraiva.

Analistas do Itaú BBA avaliaram o resultado como “misto”. Em relatório após a divulgação do balanço, o banco afirmou que o quarto trimestre veio fraco, refletindo a queda de dois dígitos nas tarifas do transporte agrícola no corredor Norte após o reposicionamento comercial da companhia em 2025. 

Por outro lado, o banco destacou que o crescimento de volumes e ganhos de eficiência ajudaram a sustentar as margens e que os dados mais recentes indicam melhora no ritmo operacional, com volumes em fevereiro crescendo cerca de 17% na comparação anual.

No quarto trimestre, a Rumo registrou receita líquida de R$ 3,35 bilhões, queda de 3,3% em relação ao mesmo período de 2024, refletindo principalmente a redução das tarifas médias de transporte. 

Mesmo assim, o resultado operacional (Ebitda) ajustado somou R$ 1,79 bilhão, alta de 7,5% na comparação anual, enquanto o lucro líquido foi de R$ 213 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 259 milhões registrado um ano antes.