Pouco mais de cinco anos depois, o cenário é muito distinto. Carros elétricos ainda ganham relevância, mas a sua adoção perdeu o ímpeto de outrora, especialmente diante da retirada de incentivos em diferentes mercados desenvolvidos.
O mundo de juros perto de zero cedeu espaço para uma era de volta da inflação e de taxas mais altas. E, de forma impactante para o setor, o avanço de empresas chinesas lideradas pela BYD alterou o cenário competitivo da indústria global.
Nessa nova configuração, a Stellantis decidiu adotar um novo plano estratégico para os próximos cinco anos para tentar retomar o apelo junto ao consumidor, que ganhou muitas mais alternativas do que no começo da década.
E os pilares passam por uma nova estratégia de marcas que inclui foco regional, investimentos que chegam a 60 bilhões de euros em novas plataformas de veículos, motores e tecnologias que incluem IA (inteligência artificial) e parcerias com outras companhias, como as chinesas Leapmotor e Dongfeng.
O plano foi apresentado nesta manhã de quinta-feira (21) no Investor Day realizado em sua sede em Auburn Hills, próximo a Detroit, berço da indústria automotiva americana, sob a liderança do CEO global, Antonio Filosa.
O executivo italiano, que completa um ano à frente da Stellantis em junho, sucedeu justamente um dos arquitetos da formação da holding, o português Carlos Tavares, que deixou o cargo no fim de 2024 diante da piora dos resultados operacionais e financeiros.
O desafio passa por reconquistar a confiança de investidores: desde o pico em março de 2024, as ações negociadas na Euronext Paris e na NYSE (Bolsa de Nova York) perderam cerca de 75% do valor, o que derrubou o market cap do grupo para pouco mais de US$ 21 bilhões.
— Em atualização.