A Tesla anunciou que vai investir US$ 2 bilhões na xAI, empresa de inteligência artificial controlada também por Elon Musk, aprofundando a integração entre os negócios do executivo e reforçando a guinada estratégica da companhia rumo a IA, robótica e direção autônoma.

O aporte faz parte da rodada Série E da xAI e foi formalizado em um acordo assinado em 16 de janeiro. A empresa afirmou que o investimento e o acordo operacional entre as duas companhias devem ampliar a capacidade da Tesla de “desenvolver e escalar produtos e serviços de IA no mundo físico”.

O movimento ocorre em um momento delicado para o negócio tradicional da montadora. No quarto trimestre, a receita caiu 3%, para US$ 24,9 bilhões, e o lucro líquido despencou 61%, para US$ 840 milhões, segundo dados do balanço divulgado nesta quarta-feira (28). 

As vendas globais de veículos recuaram 16% no trimestre, e a Tesla encerrou 2025 com 1,64 milhão de carros vendidos, queda de 9% em relação ao ano anterior – ficando atrás da chinesa BYD, que entregou 2,26 milhões de veículos elétricos no período.

Ainda assim, o lucro ajustado por ação ficou em US$ 0,50, acima do consenso de mercado, e o fluxo de caixa livre somou US$ 1,4 bilhão, também melhor que o esperado, o que ajudou a sustentar uma reação positiva das ações no after-market, com alta de cerca de 3%.

Relação próxima

A relação entre Tesla e xAI já vinha se estreitando. A montadora fornece sistemas de baterias industriais para a empresa de IA, enquanto o chatbot Grok já está integrado a alguns veículos. A própria xAI já afirmou a investidores que sua tecnologia deverá, no futuro, alimentar robôs humanoides como o Optimus, projeto estratégico da Tesla.

O investimento, no entanto, reacende debates sobre conflito de interesses. No fim de 2025, acionistas da Tesla rejeitaram uma proposta que previa o aporte na xAI. O conselho informou, à época, que voltaria a avaliar a operação. A SpaceX, também controlada por Musk, já havia anunciado um investimento separado de US$ 2 bilhões na mesma rodada.

O pano de fundo é uma mudança estrutural na própria narrativa da Tesla. Diante de um mercado de veículos elétricos mais competitivo, com menos subsídios e uma linha de produtos considerada envelhecida, Musk tem reposicionado a companhia como uma plataforma de inteligência artificial, robótica e autonomia, deixando o negócio automotivo em segundo plano.

“O modelo de negócios da Tesla será testado nos próximos meses”, resumiu o Wall Street Journal. A aposta agora é que tecnologias como direção autônoma e robôs humanoides possam justificar, no futuro, a avaliação da companhia — enquanto o negócio de carros enfrenta pressão real de vendas, margens e concorrência.