Cerca de 16% dos brasileiros já compraram alguma criptomoeda, mais do que os 6% que investem em ações na bolsa, segundo pesquisa do instituto Datafolha. São milhões de pessoas acompanhando os preços de Bitcoin, Ethereum ou Solana – e torcendo para subirem. Poderiam ganhar mais criptos se colocassem suas moedas para trabalhar enquanto estão guardadas.
São funcionalidades que muitos investidores simplesmente desconhecem. Elas são o tema de uma série de reportagens e vídeos do InvestNews, em parceria com o Nubank, sobre as diversas formas de ganhar novas criptos com as que você já tem na carteira.
Mas como isso funciona? Para entender a mecânica, pense num imóvel. Quem compra um apartamento como investimento tem basicamente duas opções: esperar que ele valorize com o tempo ou agir para que ele gere algum tipo de renda.
Manter o imóvel fechado, esperando a valorização chegar, é uma opção – mas está longe de ser a única ou a mais indicada.
A lógica é parecida nas criptomoedas. Existem pelo menos quatro formas de colocar suas moedas digitais para trabalhar, cada uma com algum nível de risco e complexidade. E a metáfora do apartamento ajuda a entender como cada uma funciona.
1) O inquilino que paga aluguel
A primeira forma é a mais intuitiva: você empresta suas moedas para outra pessoa ou instituição e, depois de um período, recebe de volta com uma recompensa pelo tempo que ficou sem elas. No mundo cripto, isso se chama lending e funciona como alugar um apartamento para um inquilino de longo prazo. Você abre mão do imóvel por um tempo; em troca, recebe aluguel.
Mas quem são os “inquilinos” das criptos? Geralmente, outros investidores ou empresas que precisam de mais criptomoedas por um período. Às vezes, é para fazer uma operação de mercado. Outras vezes, para usar como garantia em alguma transação. A plataforma que faz a intermediação do empréstimo cuida de toda a operação e define as condições, incluindo o prazo e a recompensa.
O risco principal está justamente na plataforma. Se ela não for sólida, se houver algum problema de segurança ou se os tomadores do empréstimo não devolverem as moedas, o prejuízo pode ficar com você. Por isso, assim como no mercado imobiliário, a escolha de quem gerencia faz toda a diferença.
2) Aluguel por temporada, sem porteiro e sem contrato
Uma segunda forma de ganhar cripto envolve as chamadas finanças descentralizadas (DeFi). Em vez de emprestar para uma pessoa específica, você coloca suas criptomoedas à disposição de um sistema automatizado que usa os ativos para viabilizar operações financeiras – como trocas entre moedas e empréstimos instantâneos.
Um exemplo: imagine que alguém quer trocar Ethereum por Solana. Para que essa troca aconteça, precisa existir um “estoque” de ambas as moedas disponível em algum lugar. Quando você coloca suas criptomoedas numa plataforma DeFi, elas passam a fazer parte desse estoque.
Cada vez que alguém faz uma troca usando esse estoque, uma pequena taxa é cobrada. Parte dessa taxa, então, vai para você como recompensa por ter disponibilizado suas moedas.
Na analogia dos imóveis, seria como colocar um apartamento numa plataforma de aluguel por temporada: o potencial de recompensa pode ser maior do que a de um aluguel regular, porque a rotatividade é alta e há mais demanda. Por outro lado, a complexidade da operação também cresce.
3) O hotel que trabalha por você
A terceira forma é uma das mais acessíveis no mundo das criptomoedas: é o chamado staking. Para entender o conceito, vale lembrar de quem investe não em apartamentos, mas em prédios inteiros. Tipo quem possui quartos de um hotel.
Em vez de alugar um apartamento, quem tem um imóvel dentro de um empreendimento maior ganha de outro jeito. O hotel disponibiliza os quartos dos proprietários para os hóspedes, assegura que todos tenham acesso aos serviços disponíveis, garante que tudo funcione. E os donos dos quartos recebem uma parte das receitas das diárias, sem ter de administrar nada.
O staking de criptomoedas tem algumas semelhanças: nessas operações, você coloca as suas moedas pra ajudar um sistema maior a funcionar. Em troca, recebe uma parte do que ele gera.
Mas por que o staking existe? Vale dar um passo atrás. Uma criptomoeda como Solana, por exemplo, depende de uma rede de participantes voluntários pelo mundo para funcionar. São essas pessoas – e seus computadores – que verificam se cada transação é legítima e registram tudo de forma segura.
Para que esses participantes tenham um incentivo real para fazer esse trabalho de forma honesta, eles precisam deixar suas próprias criptos como garantia. Se tentarem fraudar o sistema, perdem as moedas. Se fizerem o trabalho direito, recebem recompensas.
Ao fazer staking, na prática você está juntando suas moedas às de um desses participantes, reforçando a garantia que ele oferece à rede. Não é preciso ter um computador potente, nem entender os detalhes técnicos. Precisa apenas escolher participar – as recompensas geradas são distribuídas proporcionalmente entre todos que contribuíram.
O staking tem crescido nos últimos anos justamente porque combina três coisas que atraem investidores: não exige conhecimento técnico profundo, pode ser ativado em poucos cliques e oferece recompensas periódicas sem que o investidor precise fazer mais nada depois da ativação.
É como comprar um quarto no hotel e deixar o trabalho duro para o administrador.
4) Um bônus para quem chega
A quarta forma de ganhar criptos é mais pontual. São recompensas que as plataformas oferecem como incentivo para atrair novos usuários ou estimular determinados comportamentos – como fazer uma primeira compra, manter um saldo ativo ou indicar amigos.
Voltando à metáfora do apartamento, seria o equivalente a um presente de boas-vindas que a construtora oferece a novos moradores. Não é recorrente e não depende do imóvel trabalhar por você, mas é um bônus não desprezível.
Em alguns casos, o bônus vem na forma de stablecoins, como USDC. São moedas digitais com valor atrelado ao dólar – que, por isso, oscilam menos do que Bitcoin ou Solana. Normalmente é um benefício temporário, mas pode servir de porta de entrada para quem quer experimentar criptos com menos atrito.
Um conceito que você já conhece
Receber algo “a mais” por manter um investimento é um conceito familiar para quem investe no mercado financeiro. Quem tem ações, por exemplo, pode receber dividendos regularmente – sem fazer nada além de manter os papéis na carteira.
No mundo cripto, as recompensas não vêm do lucro de uma empresa, como os dividendos das ações. E, sim, do funcionamento da própria rede ou de incentivos das plataformas.
Mas em alguns aspectos, o conceito é semelhante. Mesmo que coloque suas criptos para trabalhar, você continua sendo o dono delas, que vão seguir subindo ou caindo de acordo com o humor do mercado. Ao mesmo tempo, essas moedas participam de outras operações que podem render mais moedas a você.
Vale dizer que as recompensas não eliminam o risco das criptomoedas. O preço oscila e os benefícios são pagos na própria moeda, o que significa que o valor em reais também pode variar.
Mas para quem já tem criptomoedas guardadas e não pretende vendê-las no curto prazo, essas funcionalidades são uma forma de potencializar o patrimônio ao longo do tempo.
Ganhar cripto: como dar o primeiro passo?
Para quem se interessou e quer sair da teoria, a boa notícia é que existem formas simples de receber recompensas pelas suas criptos.
A funcionalidade Ganhar Cripto, disponível no app do Nubank, permite que o investidor coloque moedas como Solana e USDC para trabalhar diretamente pelo celular, com poucos cliques – no mesmo ambiente em que você já acompanha sua conta, seus investimentos e seus gastos. Não é preciso baixar outro aplicativo, criar conta, nem transferir moedas para fora.
Uma vez que tenha escolhido entre as moedas e as recompensas disponíveis, elas passam a ser distribuídas automaticamente – você pode acompanhar tudo em tempo real pelo aplicativo. E como o recurso funciona dentro da plataforma do Nubank, que é regulada e pensada para o investidor, não há taxas escondidas e o Imposto de Renda sobre os benefícios já é retido na fonte.
Nessa primeira reportagem da série, você entendeu que criptomoedas não servem apenas para quem quer especular com preço. Para quem já tem uma carteira, há formas de aumentar a quantidade de ativos sem precisar comprar mais. Na segunda reportagem, você vai aprender o passo a passo do staking de Solana.