Mae Stewart passou dois anos se preparando para receber hóspedes do Airbnb em sua casa em Atlanta durante a Copa do Mundo deste verão.

A consultora de design reformou os pisos, melhorou a iluminação dos cômodos e substituiu pias e armários. Instalou novas bancadas e torneiras. Também acompanhou a estratégia de preços de imóveis concorrentes e garantiu que alugasse sua casa com frequência suficiente para gerar avaliações altas.

Stewart fez tudo isso, gastando cerca de US$ 60 mil no total, para atrair torcedores dispostos a pagar caro por sua casa de três quartos. Ela está cobrando cerca de US$ 4.500 por uma estadia de uma semana em meados de julho, durante o torneio, cerca de três vezes o valor cobrado após a Copa.

Agora, ela só precisa que alguém realmente reserve.

Com os jogos a menos de dois meses de distância, Stewart está entre milhares de anfitriões que esperam reservas de última hora. Viajantes indecisos enfrentam custos elevados com ingressos de preços dinâmicos e passagens aéreas mais caras. Os anfitriões também lidam com um número menor de estrangeiros, desestimulados pela política dos EUA e por exigências mais rigorosas de entrada no país.

O Airbnb aconselha os anfitriões a não entrarem em pânico. Muitas reservas costumam acontecer pouco antes do início de grandes eventos. Muitos torcedores preferem esperar para ver se seus times avançam antes de reservar acomodações, segundo Juan David Borrero, chefe global de parcerias da empresa.

“Acho que veremos mais demanda à medida que o torneio avançar”, disse. “Essa é a natureza da competição.”

Mas isso exige paciência de quem conta há meses — às vezes anos — com um grande retorno financeiro. A maioria dos anfitriões da Copa no Airbnb, e em plataformas como a Vrbo, ainda aguarda hóspedes.

Na Filadélfia, 42% dos aluguéis de curto prazo disponíveis durante a fase de grupos já foram reservados, segundo a empresa de dados AirDNA. É um avanço em relação aos cerca de 29% do mesmo período do ano passado, mas ainda deixa a maioria dos anfitriões esperando. Boston, com cerca de 55%, é a única cidade com mais da metade das unidades ocupadas.

“Não acho que será o grande ganho que eu imaginava”, disse Stewart.

Um relatório da Deloitte, encomendado pelo Airbnb, previa alta demanda por esse tipo de acomodação, em parte devido aos preços elevados de hotéis em grandes eventos.

Por que a demanda está fraca?

Mas a demanda tem sido mais fraca. Alguns hotéis reduziram preços, enquanto muitos flexibilizaram exigências de estadia mínima, segundo Jan Freitag, analista da CoStar. As reservas em algumas cidades-sede estão abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

“Não tem uma Copa do Mundo acontecendo?”, ironizou Freitag.

Enquanto isso, o Airbnb lançou uma campanha agressiva de marketing antes do torneio, que dura um mês entre junho e julho e pode gerar mais de US$ 200 milhões para anfitriões, segundo estimativas da Deloitte. A empresa também oferece bônus de US$ 750 para novos usuários.

Além disso, criou uma calculadora de ganhos para estimar receitas com base na demanda. Uma família na Filadélfia, por exemplo, pode faturar mais de US$ 8 mil alugando uma casa de três quartos durante todo o mês.

Algumas cidades também tentam incentivar a oferta. Kansas City reduziu taxas de licenciamento para anfitriões durante a Copa. Já em lugares como Nova York, regras rígidas sobre aluguel de curto prazo limitam a participação.

Segundo Borrero, a empresa também promove workshops para anfitriões nas 16 cidades-sede nos EUA, México e Canadá, com demanda crescente.

Ainda assim, muitos imóveis disponíveis têm preços mais altos do que aqueles que já foram reservados, disse Jamie Lane, economista-chefe da AirDNA. Embora alguns viajantes reservem na última hora e aceitem pagar mais, parte dos anfitriões pode estar otimista demais.

“Também há os sonhadores, que acham que podem cobrar US$ 2.000 ou US$ 5.000 por noite”, disse Lane.

Alguns anfitriões não pretendem baixar os preços. Kat Longoria, que aluga um apartamento em Houston, já tem cerca de um terço do mês reservado e mantém os valores próximos aos dos hotéis.

“Não há tantas opções disponíveis”, disse. “Então não tenho intenção de reduzir os preços.”

O incentivo de US$ 750 do Airbnb também não convenceu todos. Zach McKinney, de Seattle, considera alugar sua casa, mas avalia os custos e riscos. Ele estima gastar até US$ 1.000 para armazenar seus pertences e preparar o imóvel.

“Se fosse US$ 500 por dia ou mais, seria tentador”, disse. “Talvez pudéssemos viajar e ainda lucrar US$ 2.000.”

Apesar de a empresa afirmar que danos são raros e oferecer cobertura para prejuízos, McKinney segue cauteloso. “Acabamos de comprar um beliche bem caro para nossos filhos”, disse.

Escreva para Owen Tucker-Smith em Owen.Tucker-Smith@wsj.com

Traduzido do inglês por InvestNews