A medida faz parte de uma série de ações que a OpenAI está adotando para focar em soluções empresariais e de programação, em meio aos preparativos para uma possível abertura de capital (IPO), que pode ocorrer já no quarto trimestre deste ano.
O CEO Sam Altman anunciou as mudanças aos funcionários na terça-feira (24), afirmando que a empresa vai encerrar produtos que utilizam seus modelos de vídeo.
Além do aplicativo para consumidores, a OpenAI também vai descontinuar uma versão do Sora para desenvolvedores e deixará de oferecer suporte a funcionalidades de vídeo dentro do ChatGPT.
A OpenAI está no meio de uma mudança estratégica para redirecionar seus recursos computacionais e talentos para as chamadas ferramentas de produtividade, que podem ser usadas tanto por empresas quanto por usuários individuais.
Na semana passada, a empresa anunciou que está integrando seu aplicativo desktop do ChatGPT, a ferramenta de programação Codex e um navegador em um único “superapp”. A companhia espera que o produto consolidado alinhe seus funcionários em torno de uma visão única.
A empresa lançou o Sora em setembro do ano passado, buscando ampliar sua presença entre consumidores com um feed social no estilo TikTok, que permitia aos usuários compartilhar conteúdos gerados por inteligência artificial. Logo após o lançamento, Altman incentivou usuários a inseri-lo em cenas icônicas da cultura pop.
Na época, alguns funcionários se surpreenderam com o volume de recursos computacionais investidos no projeto, dada a falta de evidências claras de demanda. Ainda assim, Altman queria que a empresa adotasse uma abordagem ambiciosa para seu roadmap de produtos, incluindo planos para lançar um novo dispositivo de hardware com IA nos próximos anos.
O encerramento do Sora representa um revés para a estratégia anterior da OpenAI, que envolvia múltiplos lançamentos e acabou criando uma estrutura organizacional complexa, com prioridades concorrentes.
A OpenAI lançou o Sora inicialmente sem mecanismos robustos para proteger conteúdos contra uso sem consentimento de detentores de direitos autorais, o que gerou disputas legais. Posteriormente, a empresa implementou controles que permitem que proprietários de conteúdo bloqueiem o uso de suas imagens ou propriedade intelectual.
Parceria com a Disney
Em dezembro, a The Walt Disney Company anunciou um investimento de US$ 1 bilhão na OpenAI. Como parte do acordo, a empresa licenciaria mais de 200 personagens da Disney, permitindo que usuários criassem vídeos com figuras famosas. O acordo de três anos permitiria, por exemplo, interagir com personagens como Luke Skywalker ou se inserir em cenas de Toy Story.
O investimento da Disney, no entanto, não deve mais avançar. “À medida que o campo da IA evolui rapidamente, respeitamos a decisão da OpenAI de sair do negócio de geração de vídeos e redirecionar suas prioridades”, disse uma porta-voz da empresa.
Segundo Altman, a equipe do Sora passará agora a focar em apostas de longo prazo, como robótica.
A OpenAI também tenta alcançar a rival Anthropic na disputa por clientes corporativos e desenvolvedores. Em uma reunião recente, a chefe de aplicações da empresa, Fidji Simo, afirmou que os funcionários não podem se distrair com “projetos paralelos” e destacou a importância de desenvolver capacidades mais “agênticas”.
Esses sistemas “agênticos” permitem que softwares de inteligência artificial atuem de forma autônoma no computador do usuário para executar diversas tarefas, como escrever código e analisar dados.
A News Corp, controladora do The Wall Street Journal, mantém uma parceria de licenciamento de conteúdo com a OpenAI.
Traduzido do inglês por InvestNews