O Carrefour Brasil (CRFB3) apresentou resultados do segundo trimestre de 2023 considerados fracos, mas que superaram as expectativas do mercado. A avaliação é de analistas, após o grupo de varejo alimentar divulgar seu balanço na terça-feira (25).
Nesta quarta-feira (26), a ação do Carrefour encerrou o pregão em alta de 8,09%, a R$ 12,43.
O Carrefour Brasil registrou queda de 95,2% no lucro líquido ajustado do segundo trimestre frente a igual período do ano anterior, para R$ 29 milhões.
Já as vendas líquidas cresceram 8,1%, para R$ 25,95 bilhões, na mesma base. Contando só as unidades de atacarejo, o que inclui o Atacadão, as vendas aumentaram 4,6%.
As despesas operacionais, por sua vez, subiram 32,2% no trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 3,8 bilhões.
“O Carrefour Brasil reportou resultados acima das nossas estimativas, principalmente por uma melhor dinâmica de rentabilidade, mas, também, de faturamento”, destacou a XP Investimentos em relatório.
Já o Santander apontou que, “enquanto o prejuízo líquido da companhia ficou abaixo da estimativa (afetado por vários eventos pontuais), não há sinais de deterioração nas tendências operacionais subjacentes”.
Destaques
Eentre os números informados pelo Carrefour Brasil, a XP disse que é interessante notar que:
- A empresa mencionou a implementação de iniciativas para ganhos de eficiência no segundo trimestre, que devem render R$ 300 milhões/ano de economias;
- A companhia reiterou o guidance de sinergias de R$ 2 bilhões/ano do BIG até 2025;
- A dinâmica de capital de giro do Grupo BIG piorou em todas as linhas, com os estoques sendo os principal detratores dada a aceleração das conversões no trimestre;
- O Fluxo de Caixa de Financiamentos foi positivo em aproximadamente R$ 3bilhões, beneficiado pela melhora sequencial do capital de giro.
O Santander destacou que as receitas do Carrefour Brasil superaram a estimativa em 3%, impulsionadas, principalmente, pelas contribuições positivas das conversões de lojas BIG e aberturas orgânicas durante o período.
O Ebtida foi outro ponto de destaque aponto pelo Santander, que ficou 16% acima do esperado pelo banco, graças à expansão de 80 pontos base na margem bruta, alcançada por melhores negociações com fornecedores, que compensaram parcialmente as despesas de integração.
Já os analistas Iago Souza, Nina Mirazon e Vinicius Esteves, da Genial Investimentos, destacaram em relatório que, desde 2017, o Carrefour Brasil só deu prejuízo em duas ocasiões: a primeira foi no 2º trimestre de 2019, impactado pela provisão para créditos de ICMS sobre a Cesta Básica. A segunda vez foi no 1º trimestre de 2023, com o efeito negativo de integração do BIG ao grupo.
“Essa é a 3ª vez que o grupo apresenta prejuízo desde o seu IPO na bolsa brasileira”, apontaram os analista.
Para eles, o resultado do trimestre ficou em torno de quatro grandes tópicos:
- Desinflação alimentar: altamente exposto ao público transformador e revendedor, o Atacadão viu a sua receita perder inclinação nesse trimestre.
- Lojas fechadas para conversão: é igual a fraca diluição de despesas: cerca de 47 unidades foram convertidas ao longo do 2º trimestre, isso significa que grande parte do parque estava temporariamente indisponível para consumo ao longo do período.
- Banco Carrefour (CSF) acima das expectativas: apesar de um impacto considerável em seu lucro operacional, o resultado veio qualitativamente (e também quantitativamente) superior a nossa estimativa.
- Alíquota de Imposto de Renda ainda distorcido: desde a integração do BIG, o grupo tem consolidado perdas relacionadas a impostos diferidos não reconhecidos.
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