Quando o assunto é o mercado cripto, a família Trump não para. Na mesma semana após a Trump Media divulgar uma joint venture com a Crypto.com, a American Bitcoin, mineradora de criptomoedas apoiada por Eric Trump e Donald Trump Jr., filhos do presidente americano, anuncia que vai estrear em breve na Nasdaq.

A listagem vai ocorrer após a fusão com a Gryphon Digital Mining (GDM). O negócio foi confirmado por Asher Genoot, CEO da Hut 8, que detém 80% da mineradora GDM.

Os negócios dos Trump no universo cripto já abrangem praticamente todas as pontas do mercado: mineração de criptoativos, emissão de criptomoedas, compra e venda de tokens e até criação de tesouraria com criptomoedas.

Segundo Genoot, a listagem na bolsa americana está prevista para o início de setembro. A nova empresa manterá o nome American Bitcoin e será negociada sob o ticker ABTC. Os acionistas de referência já foram definidos e incluem os irmãos Tyler e Cameron Winklevoss, cofundadores da exchange Gemini. Após a fusão, Eric Trump, Donald Trump Jr. e a Hut 8 controlarão 98% da nova companhia.

Criada em março de 2025, a mineradora se apresenta como “a maior e mais eficiente mineradora de bitcoin pura do mundo”. A estratégia combina mineração e compra direta de criptomoedas, variando de acordo com o retorno de mercado.

O envolvimento dos filhos do presidente Donald Trump no setor levantou críticas sobre potenciais conflitos de interesse, já que o governo americano tem acelerado a regulação pró-cripto. A Casa Branca, no entanto, nega qualquer interferência. Genoot afirmou que os negócios da American Bitcoin não têm relação com o governo dos EUA e que Eric Trump atua principalmente na definição de estratégia.

Desempenho das principais criptomoedas

O mercado de criptomoedas amanhece em queda generalizada nesta sexta-feira (29). A baixa ocorre devido a um aspecto mais técnico, com o vencimento de US$ 14,6 bilhões em opções das quais os contratos de Bitcoin somam US$ 11,47 bilhões. O Bitcoin se mantém em torno de US$ 110 mil. O Ethereum recua para as mínimas da semana.

Às 8h40, as principais criptomoedas operavam em queda; veja as cotações:

Bitcoin (BTC):  – 2,60%, US$ 110.014,15

Ethereum (ETH): -5,62%, US$ 4.342,14

XRP (XRP): -4,26%, US$ 2,87

BNB (BNB): -1,85%, US$ 854,84

Solana (SOL): -2,66%, US$ 207,88

Outros destaques do dia:

TRON (TRX): -3,11%, US$ 0,3385

Principais notícias do mercado cripto

Brasileiros preferem 5 criptomoedas. Relatório da plataforma Webull, que atua em 14 países, mostra que os investidores brasileiros continuam concentrando suas aplicações em apenas cinco ativos digitais. Segundo a empresa, as criptomoedas mais compradas são Bitcoin, Ethereum, Solana, XRP e AAVE, mesmo com a disponibilidade de mais de 240 criptomoedas. Esse dado reforça o apetite local por ativos digitais e o comportamento de busca por proteção de patrimônio em meio às incertezas econômicas. De acordo com a Webull, o interesse do brasileiro por criptomoedas é cinco vezes maior do que por renda variável na bolsa. Estima-se que mais de 25 milhões de pessoas já tiveram contato com ativos digitais, contra cerca de 5,5 milhões que investem em ações listadas.

Câmara dos Deputados debate projeto de lei de stablecoins A Câmara dos Deputados realizou na quinta-feira (28) um seminário sobre a regulação de stablecoins no Brasil. O evento debateu o Projeto de Lei 4308, que trata da emissão dessas moedas digitais no país. O PL está parado há quase um ano na Comissão de Ciência e Tecnologia, mas existe perspectiva de ir ao plenário no primeiro semestre de 2026. O Banco Central avaliou que o PL é um avanço, mas precisa de ajustes para garantir segurança jurídica. Entre os pontos defendidos, está a limitação da definição de stablecoins a tokens lastreados em moedas fiduciárias (real, dólar ou euro) e a criação de patrimônio de afetação, que assegure aos investidores acesso às reservas em caso de quebra das corretoras. O analista legislativo Ricardo Paixão, que participou do evento, alertou que a demora na regulação pode abrir espaço para uso das stablecoins em crimes financeiros.