Na terra do Tio Sam, as preocupações com um possível shutdown – a paralisação parcial do governo – se intensificaram nos últimos dias após novos atritos no Congresso em torno do orçamento do Departamento de Segurança Interna (DHS), que financia agências como o Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE, na sigla em inglês).
Essa discussão ganhou ainda mais força em meio a críticas crescentes sobre a atuação dos agentes federais nas operações de imigração. Recentemente, um cidadão americano de 37 anos foi morto a tiros por agentes federais de imigração em Minneapolis.
No ano passado, vale lembrar, um shutdown já foi suficiente para gerar um rebuliço nos mercados.
Além disso, esta semana traz a decisão de política monetária nos EUA. A expectativa do mercado, segundo a ferramenta CME FedWatch, é de manutenção dos juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.
Vale lembrar: cortes de juros reduzem a atratividade de ativos de renda fixa, como as treasuries (títulos do tesouro dos EUA), e costumam direcionar o capital para ativos de risco – criptos incluídas. O inverso também é verdadeiro.
Por isso, os traders estão especialmente atentos às falas do presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Jerome Powell. O discurso pode sinalizar os próximos passos da autoridade monetária – se haverá novos cortes mais à frente ou não – e isso tende a mexer com os ativos de risco.
Do outro lado do mundo, o Japão também entra no radar. O iene se valorizou frente ao dólar, alimentando especulações sobre uma possível intervenção do governo japonês no câmbio. Esse tipo de movimento costuma impactar a liquidez global – e, por tabela, o mercado de criptomoedas.
”A especulação sobre intervenção cambial e a continua aversão ao risco podem promover movimentos laterais ou leves correções técnicas no preço do bitcoin”, disse André Franco, CEO da Boost Research.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.
Bitcoin (BTC): -0,82%, US$ 87.755,12
Ethereum (ETH): -1,03%, US$ 2.900,10
XRP (XRP): -0,09%, US$ 1,89
BNB (BNB): -0,62%, US$ 873,10
Solana (SOL): -3,10%, US$ 122,63
Outros destaques do mercado cripto
Master tentou surfar na tokenização. Se você está acompanhando o noticiário brasileiro, com certeza já ouviu falar do caso do Banco Master. Pois até eles tentaram surfar na onda da tokenização – o processo de transformar ativos em tokens na blockchain. No ano passado, uma empresa de familiares de Daniel Vorcaro, dono do Master, tentou tokenizar créditos de carbono usando terras indígenas. O Incra, no entanto, barrou a iniciativa: segundo o órgão, o projeto não foi adiante por causa de entraves jurídicos apontados pela Procuradoria Federal Especializada.
UBS abre a porta para criptomoedas. O UBS, maior gestor de fortunas do mundo, está prestes a liberar investimentos em cripto para parte de seus clientes endinheirados. O plano é permitir que clientes selecionados na Suíça comprem e vendam bitcoin e ethereum. A decisão ainda está sendo finalizada internamente, mas o recado é claro: a demanda dos super-ricos por cripto já está batendo forte na porta. Vale lembrar: o UBS administra cerca de US$ 4,7 trilhões para clientes de altíssimo patrimônio.
Ultrarricos usam cripto para bancar luxo. Os ultrarricos que fizeram fortuna em cripto encontraram um jeito elegante de bancar o estilo de vida – sem vender um satoshi (a menor unidade do BTC, como o centavo no real) sequer. Em vez de liquidar as moedas, eles estão usando bitcoin e ethereum como garantia para pegar empréstimos e pagar desde viagens a Cannes até upgrades no iate. Isso está sendo feito via plataformas de finanças descentralizadas (DeFi). Na prática, o investidor trava suas criptos como colateral, saca stablecoins e segue a vida. E que vida, hein?
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