A mina de Borborema, em Currais Novos, no Rio Grande do Norte, começou a funcionar em setembro do ano passado, após dois anos em construção. Entre outubro e dezembro, produziu 488 quilos de ouro. Ao longo deste ano, a meta é extrair até 2,4 toneladas.
A outra é a MSG, uma mina subterrânea em Crixás (Goiás), comprada em dezembro de 2025 da sul-africana AngloGold Ashanti. Em 2026, a planta passará por uma reestruturação e deverá produzir até 1,86 tonelada. Nos anos seguintes, a meta é que a produção suba para mais de 2,5 toneladas por ano.
“Este ano é de turnaround. Não estamos focados na produção ou no custo imediato, mas, sim, em preparar essa mina para produzir acima de 80 mil onças [2,5 toneladas] por ano no futuro”, disse o CEO, Rodrigo Barbosa, durante teleconferência de resultados nesta sexta-feira (27).
Além delas, a Aura está em fase de ampliação da mina de Almas, no sudeste do Tocantins. A meta é mais do que dobrar o volume de minério processado por ano — de 1,3 milhão para 3 milhões de toneladas de rocha até o início de 2027. Se a quantidade de ouro ali dentro for equivalente aos dos níveis de hoje, isso significará elevar a produção do metal de 500 quilos para 1,1 tonelada.
Com esses projetos, o custo do negócio deve subir em 2026.
Para manter a operação em funcionamento, a empresa estima gastar entre US$ 262 e US$ 1.107 a mais por onça de ouro em relação a 2025 – ou de US$ 8,4 mil a US$ 35,5 mil por quilo. Algo entre 70% a 80% desse aumento está ligado à incorporação da MSG.
E os investimentos em manutenção e infraestrutura também devem crescer entre US$ 15 milhões e US$ 70 milhões – com dois terços desse gasto extra relacionados à nova aquisição.
A empresa aposta no preço do ouro para mais do que compensar essa equação. Se a cotação do metal permanecer em patamares elevados, a Aura estima que poderá dobrar o lucro operacional (Ebitda) pelo segundo ano consecutivo, para cerca de US$ 1,1 bilhão.
Os números de 2025
No ano passado, a Aura Minerals produziu 280 mil onças de ouro no ano – o equivalente a 8,7 toneladas; 5% a mais do que em 2024. E faturou US$ 921,7 milhões, uma alta anual de 55%.
O salto mais forte veio no quarto trimestre: a receita fechou em US$ 321,6 milhões, 88% acima do mesmo período do ano anterior.
A rentabilidade acompanhou o ritmo. O Ebitda ajustado – medida que indica o quanto a empresa gera de caixa antes de impostos e despesas financeiras – mais que dobrou, chegando a US$ 547,8 milhões no ano e a US$ 207,9 milhões só no quarto trimestre.
O principal impulso foi o preço do ouro, que subiu 64% em 2025 e, na média do ano, ficou em US$ 3.446 por onça (US$ 110 por grama).
A alta refletiu a busca de investidores por proteção, em tempos de incertezas com as tarifas de Donald Trump e o aumento de tensões geopolíticas. Ao mesmo tempo, bancos centrais seguiram comprando ouro como reserva, o que ajudou a sustentar os preços.
Apesar do resultado operacional considerado vigoroso, a Aura fechou 2025 com um prejuízo líquido de US$ 79,3 milhões. Mas em razão de uma questão contábil: no passado, a empresa travou parte da produção futura de ouro a um preço fixo, para se proteger caso o preço do metal caísse.
Mas, como o ouro subiu forte, esses contratos passaram a valer menos do que o preço de mercado. Pela regra contábil, a empresa precisa registrar essa diferença como perda.
Sem esse efeito contábil, a empresa teria registrado um lucro de US$ 205,7 milhões no ano.
Salto na Nasdaq
Em julho do ano passado, a Aura abriu seu capital na Nasdaq, em Nova York – antes disso, era listada na Bolsa de Toronto. No Brasil, ela segue em negociação por meio de BDRs na B3.
A operação na Nasdaq captou cerca de US$ 200 milhões e, segundo o CEO, foi um “marco transformador”, dado que ampliou a liquidez dos papéis.
“A Aura saiu de US$ 1 milhão ou US$ 2 milhões negociados por dia para uma média de US$ 100 milhões em fevereiro, somando Nasdaq e B3”, disse.
Com mais ações sendo negociadas no mercado, a Aura passou a entrar no radar de um número maior de fundos, incluindo passivos. Nos últimos meses de 2025, foi incluída em 58 ETFs, segundo Barbosa.
Além disso, o CEO diz que a empresa pode entrar no GDX – um dos principais índices que reúnem mineradoras de ouro no mundo – entre o terceiro e o quarto trimestre de 2026.