O Google publicou nesta semana um relatório afirmando que futuros computadores quânticos podem quebrar a criptografia das criptomoedas mais cedo do que se imaginava (há analistas falando em 2029), o que exigiria que bitcoin (BTC) e ethereum (ETH) corressem para se preparar. O alerta respingou diretamente nas criptomoedas que prometem resistir a esse tipo de tecnologia.

O token da rede Cellframe (CEL), construído para interligar blockchains e serviços protegidos por criptografia pós-quântica, deu um salto de 96%, para US$ 0,09, enquanto o Abelian (BEL), também resistente a ataques, subiu quase 30% nas últimas 24 horas, para US$ 0,08. O valor de mercado desse grupo de moedas – cerca de 20 projetos – avançou 10%, para US$ 4,6 bilhões, segundo dados do CoinMarketCap.

Esses tokens foram construídos em redes que usam (ou dizem usar) criptografia pós-quântica (PQC, na sigla em inglês), ou seja, algoritmos projetados para resistir a ataques de computadores quânticos.

No caso do bitcoin e de outras criptomoedas, a base de segurança é uma criptografia chamada curva elíptica (ECC, na sigla em inglês). Ela é segura contra computadores “normais”, mas pode ser quebrada por computadores quânticos.

Luis Gonzaga de Paulo, mestre em computação aplicada pela UTFPR e professor de segurança da informação da PUC-PR, explica que a segurança de criptos como o bitcoin depende de um “cadeado matemático” (a criptografia de curva elíptica), com duas chaves: a chave privada – que garante a propriedade dos BTCs – e a chave pública, compartilhada para permitir transações entre carteiras.

“A sua chave privada é a sua ‘assinatura’, a prova de que você é o dono daquela carteira de bitcoin. Um computador tradicional levaria bilhões de anos para descobrir essa chave privada a partir da sua chave pública e assim tomar posse de seus bitcoins”, explicou.

“Porém um algoritmo chamado Shor possibilita a um computador quântico reduzir drasticamente o tempo para fazer esse cálculo. Isso porque ele ‘desmancha’ o cadeado em vez de tentar infinitas combinações para abri-lo. É como se alguém usasse um raio-X para ver o segredo do cofre sem precisar tocá-lo”, concluiu.

Apesar do alerta, esses computadores quânticos ainda não existem em escala comercial e seguem longe de representar uma ameaça prática. Pelas previsões mais otimistas, isso começaria a se tornar realidade entre 2030 e 2035.

Ainda assim, o tema já entrou no radar do mercado – e os próprios projetos cripto vêm trabalhando em formas de atualizar suas redes para esse novo cenário. As companhias do setor também começaram a se mexer. No início deste ano, a exchange Coinbase criou um conselho para discutir como as criptomoedas podem se proteger da nova tecnologia.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h45.

Bitcoin (BTC):  +3,27%, US$ 68.592,62

Ethereum (ETH): +4,68%, US$ 2.135,11

BNB (BNB): +1,73%, US$ 615,47

XRP (XRP): +3,06%, US$ 1,35

Solana (SOL): +3,45%, US$ 83,63

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!

O pior início de ano desde 2018. O bitcoin começou 2026 tropeçando. A maior criptomoeda do mundo fechou o primeiro trimestre com queda de 23,8% – o pior início de ano desde 2018. No combo de pressões: tensão geopolítica (que empurra investidores para ativos mais seguros), incerteza macroeconômica e uma saída relevante dos ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos EUA – ou seja, dinheiro institucional indo embora.

Mercado de fundos cripto cresce. A B3 já soma cerca de 20 ETFs de criptomoedas – entre eles o famosinho HASH11, que volta e meia aparece entre os mais negociados. Agora chegou mais um: o XBCI11, da Buena Vista Capital. A diferença é que ele é alavancado – ou seja, usa derivativos para tentar multiplicar os retornos de um índice. Na prática: pode ganhar mais… mas também pode perder mais. E cobra mais caro por isso.

Adeus, Mercado Coin. O Mercado Pago, fintech do Mercado Livre, anunciou o fim do Mercado Coin – token lançado em 2022 como parte de seu programa de fidelidade. O motivo é estratégico: a empresa quer concentrar esforços no “Meli Dólar”, sua stablecoin pareada ao dólar e já disponível no Brasil, México e Chile. Quem ainda tem a cripto precisa correr: o prazo para vender vai até 17 de abril. Depois disso, o saldo será convertido em reais.

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!