As ações da Ambev, unidade brasileira da Anheuser-Busch InBev, tiveram o maior ganho em mais de 27 anos, após volumes de cerveja acima do esperado no Brasil impulsionarem o resultado do primeiro trimestre para acima das estimativas.

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A ação subiu mais de 15% nesta terça-feira, seu maior avanço desde fevereiro de 1999. O lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização somou R$ 7,6 bilhões, o que se traduziu em uma margem Ebitda de 33,6%.

Os volumes de cerveja no Brasil cresceram 1,2%, atingindo um recorde para um primeiro trimestre. O aumento superou todas as oito estimativas de analistas acompanhadas pela Bloomberg, que apontavam para queda de 1,5%. Os preços também se mantiveram fortes, com a receita líquida obtida a cada 100 litros de cerveja vendidos subindo 8% na comparação anual, disse a empresa em comunicado.

Letreiro preto 'CERVEJARIA ambev' em relevo numa parede branca corrugada.
REUTERS/Paulo Whitaker

“Pela primeira vez em algum tempo, este é um trimestre que deve levar a revisões positivas de lucros”, escreveu Henrique Brustolin, analista do Bradesco BBI, em relatório. “No primeiro trimestre, os volumes cresceram sobre bases de comparação difíceis e os preços avançaram sem prejudicar participação de mercado, o que sustenta a visão de que o portfólio da companhia em cerveja no Brasil está agora mais forte do que esteve em muito tempo”.

A surpresa positiva nos volumes de cerveja na maior economia da América Latina ocorre em um momento em que produtores de bebidas alcoólicas vêm enfrentando uma retração na demanda devido a preocupações com custo e impactos negativos à saúde. Em seu comunicado de resultados, a empresa disse que continua desenvolvendo segmentos que moldam o futuro do setor, incluindo seus portfólios de escolhas equilibradas e cerveja sem álcool.

A cervejaria agora está de olho na próxima Copa do Mundo da FIFA como seu próximo grande impulso para aumentar as vendas de cerveja.

“Por pelo menos os últimos três trimestres, nossa percepção era de que as expectativas haviam sido redefinidas para um nível tão baixo que a Ambev não precisava mais fazer muito para superá-las”, escreveu Thiago Duarte, analista do BTG Pactual, em relatório. “No primeiro trimestre, porém, a Ambev parece ter entregado o pacote completo: continuidade de preços fortes do ano anterior, junto com volumes mais fortes e expansão de margem”.