O Airbnb também está reforçando sua estratégia de expansão em serviços e experiências, com armazenamento de bagagem, traslados de aeroporto, aluguel de carros e entrega de compras de supermercado.
“Airbnbs e hotéis foram como água e vinho por muito tempo”, disse Chesky. “Mas descobrimos que muitas pessoas gostam dos dois.”
Embora alguns hotéis já estivessem disponíveis no Airbnb há anos, a ampliação das opções aproxima a empresa da ideia de um “superapp” de viagens imaginado por Chesky. Para isso, segundo ele, o Airbnb está investindo em inteligência artificial, incluindo um chatbot de atendimento ao cliente e resumos gerados por IA das avaliações de usuários.
O Wall Street Journal conversou com Chesky sobre a aposta em hotéis, o potencial da IA e por que a Copa do Mundo reforça sua estratégia.
WSJ: Por que mudar a postura em relação aos hotéis?
Chesky: Durante muitos anos, um dos nossos slogans originais era “Esqueça os hotéis”. Eu via o Airbnb como oposição às grandes redes hoteleiras.
Eu era ideológico em relação às casas, mas nossos clientes não eram tão ideológicos quanto eu. Basicamente, existiam três tipos de pessoas: as que só reservam casas, as que só reservam hotéis e, descobrimos, a maioria está aberta aos dois. Era como ter bilhões de pessoas entrando na nossa loja procurando algo que nem sempre tínhamos.
Existem motivos para usar hotel. Acho que depende mais do tipo de viagem do que do perfil do cliente. Se eu estou reservando para amanhã à noite, fazendo check-in às 23h e ficando apenas uma noite; viajando a trabalho; ou indo para Nova York, onde o Airbnb praticamente não existe, um hotel é uma ótima opção.
WSJ: Como o aplicativo do Airbnb deve evoluir?
Chesky: O que queremos é nos tornar o aplicativo para tudo relacionado a viagens e moradia. Um lugar onde você possa viajar para qualquer lugar, morar em qualquer lugar e se sentir pertencente em qualquer lugar. Quero que a unidade central do Airbnb deixe de ser as casas e passe a ser as pessoas.
Quero que sejamos uma comunidade e, em torno dela, você possa encontrar uma casa, uma experiência, um serviço, um hotel e depois mais 10 ou 20 outras coisas que possam ser oferecidas. E nosso aplicativo vai se tornar um agente.
WSJ: Qual o papel da IA nessa expansão?
Chesky: Ela impactou praticamente todos os recursos, especialmente a parte de software do aplicativo. Também está tornando mais fácil e rápido criar novos negócios. Sessenta por cento do nosso código já é escrito por IA. Contratamos recentemente um CTO que liderava IA na Meta Platforms e ele transformou o Airbnb em uma empresa nativa de IA.
WSJ: Como você conduz essa mudança?
Chesky: Ontem mesmo tivemos uma reunião geral, e eu escrevi uma carta para o time dizendo que vamos seguir o cliente — e às vezes ele vai querer um hotel boutique e um carro alugado —, mas também vamos tentar inspirar o cliente com necessidades que acreditamos que ele tenha, mesmo que ainda não esteja pedindo isso.
As pessoas não dizem: “Airbnb, estou me sentindo sozinho. Quero conhecer gente.” Acho que podemos inspirar as pessoas e criar coisas muito interessantes.
WSJ: O que mantém seu otimismo para este ano?
Chesky: Viagens sempre foram um setor que gera preocupação desde que comecei o Airbnb. Primeiro veio a Grande Recessão. Depois, a pandemia — perdemos 80% do negócio em oito semanas. Em seguida, a inflação.
O que aprendi sobre viagens é que, enquanto houver vida, haverá viagens. É um setor resiliente. E, acima de tudo, nosso modelo de negócios é resiliente. Fomos a empresa mais resiliente durante a pandemia porque somos a companhia de viagens mais global. Atuamos em mais faixas de preço e cobrimos mais tipos de hospedagem. Então provavelmente somos a empresa mais adaptável.
WSJ: Por que a Copa do Mundo é tão importante?
Chesky: Esperamos que a Copa do Mundo seja o maior evento da história do Airbnb. E vou explicar por quê.
Basicamente, lançamos o Airbnb para eventos. É nesses momentos que o Airbnb mais se destaca. Não somos um problema para as cidades. Somos uma solução. Se você quer sediar um grande evento, precisa acomodar pessoas. Elas querem viver experiências divertidas. Muitos moradores locais nem querem ficar na cidade e podem ganhar dinheiro extra.
Se alguma cidade teme que o Airbnb retire moradias do mercado, eu garanto: alguém alugando a própria casa durante um evento não está retirando habitação do mercado. É a residência real da pessoa; ela apenas se muda temporariamente para ganhar dinheiro.
Escreva para Jacob Passy em jacob.passy@wsj.com
Traduzido do inglês por InvestNews