Os 13 produtos acumularam seis pregões consecutivos de saídas, somando cerca de US$ 1,5 bilhão, segundo dados da plataforma SoSoValue. Uma sequência tão longa não era vista desde dezembro de 2025.
O ETF IBIT, da gestora BlackRock, liderou as perdas, com US$ 68,89 milhões em retiradas na semana passada, seguido pelo FBTC, da Fidelity, com US$ 36 milhões.
Como esses produtos são a principal porta de entrada do investidor institucional para o mercado cripto, o movimento é visto como um sinal de maior cautela por parte do dinheiro grande.
“A demanda institucional que levou o bitcoin de US$ 70 mil para US$ 80 mil em abril deu uma esfriada”, diz Jasper de Maere, estrategista da Wintermute, em nota desta semana.
Culpa da geopolítica
O principal fator macroeconômico pressionando o mercado cripto continua sendo as negociações entre Estados Unidos e Irã.
Os dois países chegaram a um acordo preliminar no fim de semana, mas ainda sem definições concretas.
“O mercado permanece mais sensível à dinâmica dos ETFs e à evolução das negociações geopolíticas”, diz Rony Szuster, head de Research do Mercado Bitcoin.
Newsletter: quer saber mais sobre cripto? Assine o Morning Cripto do InvestNews!
Preço do bitcoin
O movimento nos ETFs acabou respingando no preço do bitcoin, que segue andando de lado na faixa dos US$ 77 mil.
Isso acontece porque, quando investidores retiram recursos desses fundos, os gestores precisam reduzir suas posições em criptomoedas, aumentando a pressão vendedora no mercado.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50.
Bitcoin (BTC): -0,10%, US$ 77.418,78
Ethereum (ETH): -0,08%, US$ 2.133,09
BNB (BNB): +0,29%, US$ 663,09
XRP (XRP): -0,10%, US$ 1,35
Solana (SOL): -0,34%, US$ 85,61
Outros destaques do mercado cripto
Mais um PL cripto na Câmara. Olha só isso aqui. Um deputado federal apresentou na Câmara um projeto de lei para criar o chamado Estatuto da Liberdade dos Ativos Virtuais. Na prática, a proposta quer abrir espaço para que pagamentos, salários e contratos também possam ser feitos com criptomoedas. O texto ainda prevê que direitos sobre imóveis possam ser representados digitalmente via tokenização – aquele processo que transforma ativos do mundo real em tokens dentro da blockchain.
Stablecoins estão voando. As stablecoins simplesmente não param de crescer. O valor total de mercado dessas criptos ligadas a outros ativos, como dólar, já bateu US$ 322 bilhões. Detalhe: esse número é tão grande que supera as reservas internacionais de 95 países, incluindo economias desenvolvidas como Reino Unido e Canadá. Mas nem todo mundo está confortável com isso. Reguladores globais vêm alertando que as stablecoins podem acelerar fuga de capital e enfraquecer moedas locais.
Trump mexe no caixa cripto. A Trump Media, empresa ligada ao presidente dos EUA, enviou cerca de US$ 200 milhões em bitcoin para carteiras em uma exchange. O mercado ficou de olho nisso, claro, porque transferências para corretoras costumam levantar especulações sobre possíveis vendas de ativos. A companhia ainda mantém cerca de US$ 533 milhões em BTC e vem ampliando sua exposição ao setor desde o ano passado, quando começou a comprar criptomoedas.