O bitcoin e o ethereum vêm operando praticamente de lado nos últimos dias, com o apetite por risco ainda limitado diante das tensões geopolíticas. Uma criptomoeda, porém, resolveu roubar a cena nesse cenário: o NEAR Protocol.

Nos últimos sete dias, o token acumulou alta de 60%. Para efeito de comparação, o bitcoin avançou apenas 0,5% no mesmo período, enquanto o ethereum subiu 0,49%.

A disparada foi impulsionada pela expectativa em torno de uma atualização da blockchain da criptomoeda. Em junho, os desenvolvedores devem implementar o chamado “resharding dinâmico”.

O que é isso?

Hoje, a blockchain é dividida em “shards” – partições menores e independentes que processam transações e contratos inteligentes em paralelo.

Imagine uma rodovia com várias faixas: em vez de todos os carros disputarem um único caminho, o tráfego é distribuído entre diferentes pistas, permitindo que mais veículos circulem ao mesmo tempo.

Com o resharding, a rede consegue abrir ou redistribuir essas “faixas” de maneira mais eficiente conforme o movimento cresce.

Segundo a equipe do projeto cripto, a atualização permitirá que a blockchain suporte um volume muito maior de operações sem perder desempenho.

“Isso concretiza a visão fundadora do NEAR de construir o protocolo blockchain mais escalável do mundo com o mais alto nível de desempenho”, afirmou.

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Upgrade quântico

Além da atualização na infraestrutura da rede, o NEAR também está adicionando um sistema de “assinatura segura pós-quântica”.

Na prática, trata-se de uma tentativa de preparar a blockchain para o avanço da computação quântica – tecnologia que preocupa não apenas o mercado cripto, mas praticamente todos os sistemas que dependem de criptografia.

Uma pesquisa recente da empresa de análise Glassnode mostrou que cerca de 6,04 milhões de bitcoins – o equivalente a 30,2% da oferta emitida – estão potencialmente expostos a riscos ligados à computação quântica.

Os outros 13,99 milhões de BTC, ou 69,8%, não apresentariam esse tipo de vulnerabilidade.

Apesar da preocupação crescente, especialistas avaliam que computadores quânticos capazes de ameaçar sistemas criptográficos em larga escala ainda devem levar anos para se tornar realidade comercial.

Mesmo assim, empresas e desenvolvedores do setor já começaram a discutir formas de adaptar blockchains a esse novo cenário.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h20.

Bitcoin (BTC):  +0,91%, US$ 77.530,78

Ethereum (ETH): -0,08%, US$ 2.116,09

BNB (BNB): +0,35%, US$ 661,29

XRP (XRP): -0,28%, US$ 1,35

Solana (SOL): -0,38%, US$ 85,90

Outros destaques do mercado cripto

Criptos e Lei Maria da Penha. Vez ou outra aparece na Câmara dos Deputados algum projeto de lei envolvendo criptomoedas. Dessa vez, um parlamentar apresentou uma proposta que atualiza a Lei Maria da Penha e prevê o confisco de moedas digitais de condenados por casos graves de violência doméstica. O texto ainda precisa passar por outras comissões da Casa antes de seguir para votação no plenário.

Cripto e política se misturam nos EUA. Uma investigação do jornal The New York Times revelou que funcionários da CFTC, órgão regulador de derivativos nos EUA, teriam sido afastados após levantarem preocupações sobre empresas cripto ligadas à família Trump, incluindo Polymarket, Crypto.com e uma afiliada da Gemini. Segundo a reportagem, integrantes da cúpula da agência ajudaram essas empresas a conseguir aprovações ou evitar investigações mais duras.

Um mercado oculto de US$ 1 tri. Existe um mercado de empréstimos lastreados em bitcoin que ainda passa meio despercebido, tanto no Brasil quanto no exterior. Hoje, ele movimenta cerca de US$ 3 bilhões. Mas isso pode mudar rápido. Uma pesquisa da empresa cripto Ledn aponta que o setor pode crescer quase 300 vezes e atingir US$ 1 trilhão na próxima década, impulsionado pela demanda crescente por crédito com garantia em moedas digitais.