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Coluna do Samy

Como os resultados da Copa do Mundo mexem com as bolsas de valores?

Estudo aponta que volume das transações caiu 48% nos dias de jogos em 2014 e 36% em 2010.

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Imagem ilustrativa | Freepik

Com a Seleção Brasileira já classificada, uma emoção garantida em 2022 (além daquelas ligadas à economia) será acompanhar a Copa do Mundo do Qatar. Falta quase um ano, já que o mundial será disputado em novembro, o que torna ainda mais difícil apostar em qual seleção será a campeã (torço, óbvio, pelo Brasil). Mas uma coisa é certa: mesmo com os jogos se desenrolando no Oriente Médio, sua influência será sentida em bolsas de valores no mundo todo.

A correlação entre as Copas do Mundo, com seus 3,2 bilhões de espectadores, e o mercado financeiro, é demonstrada em um estudo de dois economistas do Banco Central Europeu. Segundo Michael Ehrmann e David-Jan Jansen, enquanto eram disputados, os Mundiais de 2010, na África do Sul, e de 2014, no Brasil, tiveram efeitos sobre os negócios de 15 bolsas de valores.

O volume das transações, por exemplo, caiu 48% nos dias de jogos em 2014 e 36% em 2010. Caso a bolsa não feche durante o jogo, como é tradição na B3, mas não em alguns países, cada gol marcado derruba o volume em mais 5%. No geral, os retornos das ações costumam diminuir 20% no mês da disputa. Um resultado, segundo o trabalho, que estaria ligado à queda na atenção dos investidores aos negócios quando a bola está rolando.

E não só com a bola rolando. Na real, um grande evento esportivo começa a mexer com os mercados do país-sede assim que é anunciado, sugere outro estudo, de Krystian Zawadzki, da Universidade de Tecnologia de Gdansk, na Polônia.

O trabalho compara o movimento das bolsas não só em uma Copa do Mundo, a da Alemanha (2006), como de outros seis grandes eventos esportivos, como as Olimpíadas de Atenas (2004) e Pequim (2008), as Olimpíadas de Inverno de Turim (2006) e Vancouver (2010) e a Euro 2004 (Portugal) e 2008 (Áustria e Suíça), o campeonato europeu de seleções.

Após o anúncio de que a Grécia iria ser a sede da Olimpíada de 2004, o índice da bolsa de Atenas subiu 5% em relação à semana anterior. Já a escolha da Alemanha como sede da Copa de 2006 levou a uma alta média de 1,45% do mercado. Houve, no entanto, reação negativa em outros casos, como a escolha de Pequim em 2008. Repercutindo a escolha, a bolsa caiu 0,19% no dia seguinte.

A resposta está no sentimento dos investidores. Quando um local é apontado como sede de uma competição, investidores tendem a prestar mais atenção nos resultados positivos da escolha, como as obras que serão realizadas. Já quando se trata de um campeonato em andamento, os resultados influenciam as avaliações sobre a possibilidade de uma ação subir ou cair, apontam três pesquisadores chineses, Qingliang Fan e Wenwen Lei, da Escola de Negócios da Universidade de Xiamen, e Xiao-Ping Zhang, da Ryerson University, do Canadá.

Analisando a correlação entre os resultados, eles apontaram que o efeito se manifesta principalmente nas derrotas, levando a uma queda de 52 pontos, em média, no mercados com times disputando as fases decisivas dos campeonatos de futebol americano, hóquei, beisebol e da NBA, as quatro competições mais populares dos Estados Unidos.

Características locais, como se o time é um dos principais do esporte, podem influenciar. Mas o trabalho demonstra como o papel de investidor se mistura com o de torcedor, e o resultado é uma mexida nos índices.

*Samy Dana é Ph.D em Business, apresentador do Cafeína/InvestNews no YouTube e comentarista econômico.

As informações desta coluna são de inteira responsabilidade do autor e não do InvestNews e das instituições com as quais ele possui ligação. 

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