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Coluna do Samy

Qual é o poder dos comunicados de banqueiros sobre as bolsas de valores?

Reações de importantes líderes, segundo estudo, são captadas e interpretadas por investidores como pistas não verbais sobre o comportamento das bolsas nos dias seguintes.

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Jerome Powell, chair do Federal Reserve 15/07/2021 REUTERS/Kevin Lamarque

Investidores são humanos como todo mundo. E, como todo mundo, também detestam preocupações. A incerteza definitivamente não faz bem para as nossas expectativas, mais ainda quando envolve o risco da economia americana entrar em recessão. É por isso que o mercado dos Estados Unidos, com as bolsas mundiais a reboque, tem andado tão nervoso.

Mas, com as emoções à flor da pele, nada melhor do que a aparição positiva do ocupante do cargo mais importante da economia local dizendo com um tom de voz otimista que está tudo sob controle para o mercado se acalmar. É a conclusão de um curioso estudo de três pesquisadores e professores, Sasha Talavera (Birmingham), Tho Pham (Reading), ambas universidades inglesas, e Yuriy Gorodnichenko (Universidade da Califórnia – Berkeley) publicado.

Todos os meses, depois do anúncio pelo Fomc, o comitê encarregado da taxa de juros, o presidente do banco central americano, Jerome Powell, comenta a decisão em uma entrevista coletiva. Esses encontros são tradicionais entre os ocupantes do cargo e acabam no Youtube, de onde os pesquisadores tiraram os vídeos das entrevistas de 2011 a 2019, examinadas por um modelo de inteligência artificial que separa as emoções expressas na voz.

Para as respostas positivas, por exemplo, era usado um tom que ia da alegria a reagir agradavelmente surpreso. Já as respostas negativas vinham carregadas de raiva e tristeza. E que não estavam só na voz. O sisudo Jerome Powell, por exemplo, costuma fazer aparições tensas. Mais ainda nos dias de hoje, pressionado pela inflação americana mais elevada em quatro décadas.

Já Janet Yellen, ex-presidente que hoje é secretária do Tesouro, nos momentos mais tensos, empunhava uma caneta enquanto se dirigia à imprensa. Já argumentava empunhando uma caneta, enquanto Ben Bernanke, que comandou a política monetária americana durante a crise do subprime, em 2008, era mais simpático em suas aparições. Todas estas reações, segundo o estudo, são captadas e interpretadas por investidores como pistas não verbais sobre o comportamento das bolsas nos dias seguintes.

Quando vistas como positivas, levaram a uma alta do SPDR S&P 500 Trust, fundo baseado no S&P 500 que é o maior ETF do mundo. O trabalho não lista percentuais de alta, mas uma postura mais negativa chegava a derrubar o índice em 0,7%. Pode não parecer muito, mas, considerando que são oito reuniões do Fomc por ano, poderia levar a um rendimento negativo de até 5,6%.

Outro fator importante é como os banqueiros são vistos diante do dilema entre controlar a inflação mesmo sacrificando o emprego ou o contrário. Nesse aspecto, Bernanke e Yelles eram percebidos como mais preocupados com o crescimento da economia, enquanto Jerome Powell é visto como alguém que se importa mais em impedir que a alta dos preços saia do controle.

É claro que muito disso, para não dizer tudo, é mera impressão dos investidores. No entanto, o trabalho é um exemplo de como a reação deles vai muito além dos dados sobre juros e inflação.

*Samy Dana é Ph.D em Business, apresentador do Cafeína/InvestNews no YouTube e comentarista econômico.

As informações desta coluna são de inteira responsabilidade do autor e não do InvestNews e das instituições com as quais ele possui ligação. 

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