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É preciso ter muito dinheiro para investir: mito ou verdade?

Estudo realizado pela B3 com dados de investidores pessoas físicas mostra que o valor de entrada vem caindo ano a ano.

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Beatriz Mendonça*
Beatriz Mendonça, superintendente de Inteligência de Mercado da B3

Uma das frases mais populares sobre investimentos é a necessidade de ter muito dinheiro para investir. Não importa se você está começando agora ou se já está na jornada dos investimentos há mais tempo, certamente já se deparou com essa afirmação por aí.

Mas olha só que interessante: um estudo realizado pela B3, observando os dados dos investidores pessoas físicas, mostra que o valor de entrada dos investidores vem caindo ano a ano. Lá trás, em 2015, o primeiro investimento mediano (da maior parte dos investidores) era de mais de R$ 5,5 mil. Hoje, esse valor inicial é de R$ 352.

Muitos aspectos podem ser considerados para analisar esse comportamento. No centro deles, destaco, a educação financeira. O papel que muitas instituições, incluindo a bolsa do Brasil, e influenciadores têm desempenhado construíram o entendimento de que é possível investir, desde que conhecendo melhor seu perfil e seus objetivos.

Numa outra ponta está um amadurecimento do mercado como um todo. Novos produtos passaram a ser disponibilizados para os investidores, como os BDRs (ações de empresas estrangeiras, como Apple ou Microsoft, que podem ser adquiridas aqui mesmo no Brasil), ETFs (fundos de investimento que seguem um índice, como o IBOVESPA B3) e FIIs (Fundos de Investimento Imobiliários).

Tantas possibilidades à mesa e com a taxa de juros em patamares abaixo de dois dígitos despertaram a atenção das pessoas. Desde 2020, ao menos 500 mil investidores chegam à B3 a cada semestre. Em junho deste ano, o total de investidores pessoa física cresceu 43% no primeiro semestre de 2021, chegando a 3,8 milhões (contas) e com R$ 545 bilhões em custódia. O valor investido em renda variável é 55% superior ao registrada no mesmo período de 2020.

Investidores mais jovens e de fora do eixo Rio-São Paulo

São os investidores mais jovens e fora do eixo Rio-São Paulo que estão ingressando no mundo dos investimentos. Quase 60% da base de investidores hoje tem entre 19 e 39 anos. Para efeito de comparação, em 2013, eram 35%. Como sempre na história, os jovens provocando grandes mudanças de paradigmas.

Outro dado interessante do estudo da B3 diz respeito ao aumento no número de investidores fora do eixo Rio-São Paulo. O Sudeste concentra o maior total de investidores, porém, as demais regiões têm apresentado maior crescimento relativo quando se compara 2018 com 2021. As regiões Norte e Nordeste cresceram mais de 400%, no período. Já o Sudeste bateu 300% de incremento.

Mais mulheres investidoras

A participação das mulheres na bolsa também vem ganhando destaque. Atualmente, elas representam quase 30% dos investidores em equities. E um dado bastante curioso, que contradiz o mito de que as elas são mais comedidas com os aportes.

Na série histórica captada pela análise da B3, as mulheres sempre tiveram investimento mediano inicial maior que os homens. Em junho deste ano, as mulheres começaram com R$ 481 enquanto os homens entraram com R$ 303. Além disso, as mulheres representam 25% dos investimentos em BDRs, em 2019 o total era de 18%.

Diversificação de investimentos: ETFs, BDR, FII e ações

Como disse antes, os novos produtos disponíveis aos investidores têm facilitado a diversificação da carteira. É possível notar hoje uma concentração muito menos acentuada em ações do que acontecia no passado. Em 2016, do total de investidores, 78% detinham apenas ações. Em 2021, 50% possuem apenas ações. Ou seja, 1 em cada 2, dispõe de mais de um ativo na carteira.

Essa diversificação pode ser observada também de outra maneira. Os ETFs, por exemplo, alcançaram R$ 9 bilhões e cresceram 104% em número de investidores, na comparação entre o primeiro semestre de 2020 e o primeiro semestre de 2021. Já o total de titulares de BDRs foi ampliado em 2.982%, também no mesmo período.

Os dados da pesquisa demonstram que as ações e os fundos imobiliários são os principais produtos de entrada desse investidor, sendo que cada um deles recebeu 38% e 56% mais investidores no primeiro semestre em relação a 2020.

Todos esses dados, no fim, ajudam a traçar um bom perfil de quem é o investidor na bolsa do Brasil e podem ser uma boa inspiração para quem quer chegar lá também. Se ficou interessado em dar esse passo, mas acredita que precisa entender um pouco melhor o mercado de renda variável, acesse o Hub de Educação Financeira. Lá, você encontra uma infinidade de cursos gratuitos ministrados por especialistas do mercado e da própria B3. Espero você lá!

*Beatriz Mendonça é superintendente de Inteligência de Mercado da B3.

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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