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As lições da empresa mais sustentável do mundo

Responsável pela estratégia ESG da Schneider Electric fala do modelo de negócio visando solucionar as mudanças climáticas e os benefícios que os avanços em sustentabilidade geram para a companhia no mercado.

Publicado

em

Olivier Blum

Ter uma atuação baseada em critérios ESG se tornou regra no mercado devido à necessidade de impacto social gerado pela atuação de uma empresa. Quanto mais sustentável as atividades da companhia, mais benefícios ela terá em seu modelo de negócio junto a colaboradores, clientes, investidores e stakeholders, gerando assim maior rentabilidade para a corporação.

Mas, nem todas as empresas têm esse ciclo definido em suas estratégias de negócio e hoje há uma grande busca no mercado sobre como estruturar a atuação tendo como foco as práticas sustentáveis.

Nesse cenário, quem se destaca é a multinacional francesa Schneider Electric, que ganhou o título de empresa mais sustentável do mundo em 2021 em ranking do respeitado instituto canadense Corporate Knights. A gigante do setor de energia, entretanto, percorreu um longo caminho de ações voltadas à eficiência energética e redução na emissão de carbono para chegar à atual posição.

Enquanto muitas empresas ainda buscam como atuar dentro das métricas ESG, a multinacional francesa começou a trilhar esse caminho há 15 anos. Quem conta como foi esse processo e os benefícios obtidos pela companhia nos dias de hoje é Olivier Blum, Chief Strategy & Sustainability Officer da Schneider Electric e responsável pela implementação das métricas ESG da companhia em todo o mundo.

“Uma atuação mais sustentável não apenas diminui riscos, mas aumenta oportunidades. Hoje, se uma empresa avança dentro das métricas ESG, ela atrai e retém mais clientes, funcionários, investidores e stakeholders”, comenta Blum.

Para ter uma noção da abrangência do ranking da Corporate Knights, são avaliados um total de 24 critérios das dimensões ESG. Dentro dessas iniciativas, o instituto mede ainda o impacto que elas tiveram para o negócio e o quanto gerou em sustentabilidade para a sociedade como um todo.

Nesse levantamento, a Schneider Electric teve 70% da sua receita classificada como verde. Além disso, nos últimos três anos a gigante francesa elevou de 2% para 80% a energia elétrica renovável nas operações da companhia, índices que levaram a companhia ao topo do mais recente ranking entre as empresas mais sustentáveis.

Segundo Blum, a empresa estipula metas globais a serem atingidas a cada cinco anos. No início deste ano, o próximo ciclo conta com seis compromissos dentro das métricas ESG, que são: 1) Ações voltadas para diminuição das mudanças climáticas; 2) Recursos com foco na biodiversidade; 3) Ética de Governança; 4) Diversidade e Inclusão; 5) Gerações; e 6) Compromisso Local.

Dessas metas, o executivo destaca o forte compromisso da companhia em tornar a empresa mais diversa e inclusiva do mundo, a atenção da empresa tanto em relação aos jovens que estão entrando no mercado quanto aos profissionais mais seniores em fim de carreira, e o objetivo de focar ações mais locais em paralelo às metas globais da companhia. “Para criar um mundo mais sustentável, é preciso ter um equilíbrio bom e forte entre global e local. Então, pedimos que nossos presidentes em cada país tenham um compromisso específico que causará um forte impacto em seus ecossistemas locais”, aponta Blum.

Internamente, a Schneider Electric criou há sete anos um comitê para monitorar as estratégias de sustentabilidade, assim como já havia para avaliar as ações de outras áreas como Recursos Humanos. Há ainda subcomitês voltados para iniciativas como diversidade e inclusão. Dentro de cada ciclo de compromissos, a Schneider mede o progresso das ações trimestralmente e os resultados são publicados externamente.

Além disso, a companhia passou a receber muitas questões relacionadas a ESG de investidores e stakeholders, que são incorporadas em ações mais básicas mas passaram a fazer parte do programa da companhia. Segundo Blum, são mais de 300 questões recebidas pela empresa e integradas às iniciativas.

Para se ter uma ideia da importância que o tema ganhou dentro da gigante francesa, há três anos foi criado um plano de incentivo de longo prazo para os líderes da companhia. Nesse modelo, mais de três mil líderes da Schneider Electric em todo o mundo recebem ações por performance, sendo que 25% delas estão ligadas à performance na sustentabilidade.

O tema ESG tem gerado muito interesse do mercado e tive a oportunidade de conversar com o executivo que está à frente das ações que levaram a multinacional a ser reconhecida como a empresa mais sustentável do mundo.

Veja o que foi dito por Blum.

A Schneider foi eleita pelo ranking Corporate Knights a empresa mais sustentável do mundo em 2021, em uma lista de 100 grandes empresas, pulando do 29º lugar ao primeiro em apenas um ano. Quais fatores foram decisivos para este resultado tão importante?

“Estamos muito orgulhosos de ser eleitos a empresa mais sustentável do mundo. Nesse levantamento são 24 critérios que abrangem todas as dimensões do ESG que cobrem os tópicos ambiental, social e de governança. Esses critérios têm pesos diferentes, mas provavelmente o que foi mais importante dentre eles é quanto de impacto seu negócio tem pela perspectiva da sustentabilidade.

Em suma, o que eles procuram não é apenas a empresa que se comprometerá com o ESG para as operações, mas também como essas empresas contribuirão com os negócios e consumidores para impactar o mundo. No caso da Schneider Electric, nossa missão é solucionar o maior tema do mundo hoje, que é a mudança climática.

A maioria das nossas soluções é destinada à eficiência energética e redução de CO2. E até o fim de 2020, 70% de nossa receita foi classificada como “verde” pelo Corporate Knights. Quando se vê o compromisso histórico da Schneider há anos na própria empresa, as políticas de apoio e o impacto para o consumidor, graças às soluções que combinam ambos, acredito que foi isso que fez da Schneider número um em 2021.”

Ao lidar com essa questão, como a Schneider Electric vê a correlação entre resultados nos negócios e as métricas ESG? E quais são os riscos e benefícios ao lidar com desafios socioambientais, de uma perspectiva financeira?

Como a empresa está trabalhando para associar os objetivos ESG com o bônus dos executivos? Quais são as bases para a composição dessa remuneração variável?

“Essa é uma pergunta muito importante. Nossa estratégia começou há mais de 15 anos, mas há dez anos exatamente, em 2011, quando decidimos incluir o ESG no incentivo de curto prazo dos funcionários. Por exemplo, em 2021, 60 mil funcionários da empresa fazem parte desse incentivo de curto prazo global, e 20% da performance anual é relacionada à performance dos indicadores de que falei antes, que medem o progresso da nossa sustentabilidade. É o incentivo de curto prazo. E decidimos ir além três anos atrás, temos um plano de incentivo de longo prazo para nossos líderes, mais de três mil líderes receberão ações pela performance.

Essas ações são recebidas depois de três anos, e 25% delas estão ligadas à performance na sustentabilidade. E como medimos isso? Nesse caso, não medimos com base em nosso índice, mas sim pela performance externa da Schneider Electric, por meio de todas as agências de classificação, por exemplo, o Índice Dow Jones de Sustentabilidade, o EcoVadis, selecionamos quatro grandes índices de sustentabilidade do mundo e a pontuação que fizermos será a medida para dar ações de performance aos líderes. Então, por meio dessas práticas, garantimos que o ESG esteja no centro da remuneração de todos os funcionários, com foco nos líderes da empresa.”

Seu último cargo na empresa foi o de Chefe Global de RH da Schneider Electric. Você vê semelhanças com seu último cargo quando define a estratégia ESG e vai além do cumprimento de requisitos de normas?

“Sim. No mundo de hoje, há diferentes gerações, e há funcionários com expectativas novas, não querem ter o mesmo relacionamento com a empresa que tinham há cinco, dez anos, principalmente com empresas globais. Em multinacionais, o desafio é maior. Jovens querem ir às startups. Vimos claramente nos últimos cinco anos ou mais que se sua empresa é global e coloca a sustentabilidade em primeiro lugar, isso significa que você quer progredir, quer impactar positivamente seus funcionários e stakeholders; será extremamente importante para atrair e reter profissionais.

Além disso, criará uma cultura diferente, uma cultura de pessoas que querem entregar resultado financeiro, que querem ir além do resultado financeiro, e causar um impacto positivo por meio do trabalho que fazem na Schneider. Quando eu chefiava o RH, ficava fascinado em como o assunto da sustentabilidade combinava bem com a estratégia de pessoas, e também combinava bem com a diversidade e inclusão de pessoas. Quando compartilhamos boas práticas com outras empresas, dizemos: “Não seja sustentável só para cumprir uma regra. Só faça se estiver pronto para que a sustentabilidade seja um forte elemento de seu DNA e cultura”. E é claro, o trabalho do RH é muito importante neste contexto.”

A essência do modelo de negócios da Schneider está num setor que muda rápido: Energia. Como a empresa usa novos mercados, como energia renovável e carros elétricos, para acelerar processos de inovação dentro dos padrões ESG, que formarão o futuro modelo de negócios da empresa?

“É bem simples. Na primeira pergunta, sobre os Corporate Knights, eu falei que o que fez a diferença foi que 70% da nossa receita foi qualificada como “verde”. O que isso significa? Nos últimos dez anos ou mais, posicionamos a Schneider como uma empresa que vai ajudar as pessoas a gerenciar melhor sua energia, a economizar energia e evitar a emissão de CO2. Quando começamos a jornada dez anos atrás, o nível de eficiência não era como hoje, não era uma prioridade, como é hoje para muitas empresas e governos. Mas, sabíamos que o jeito como consumíamos energia não era sustentável.

A partir de 2015, a ONU lançou o Acordo de Paris que motivou e criou estrutura para empresas e governos focarem nas mudanças climáticas. E adivinhe: Schneider Electric está perfeitamente posicionada, pois começando com consultoria criando estratégias com nossos clientes, podemos ajudá-los no processo de descarbonização, podemos ajudá-los a aumentar a parte renovável, podemos ajudá-los a reduzir a conta de energia.

Para exemplificar, na Schneider Electric, em 2018, nos comprometemos a ser mais renováveis na maneira de consumir energia elétrica, e saímos de 2% no fim de 2017 para 80% de energia elétrica renovável em nossas próprias operações. E é isso o que oferecemos aos nossos clientes. Então, o tópico de mudanças climáticas é crítico e central para governos e empresas, e acredito que a Schneider está posicionada para ser a melhor parceira de nossos clientes para eficiência e sustentabilidade.”

Como vimos, a adoção de métricas ESG se tornou fundamental para as corporações, sejam elas startups ou grandes multinacionais. São vários os desafios que abrangem todas as áreas da companhia e a necessidade de se criar um novo modelo de negócios visando a sustentabilidade. Em meio a esse cenário de tantas incertezas para as companhias, a estratégia adotada pela Schneider Electric se torna um case a ser seguido.

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