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Entenda o ponto médio nos ciclos de mercado, segundo Howard Marks

Autor explica que quanto mais o ciclo se distancia do ponto médio, maior será o impacto dele na volta.

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Tempo médio de leitura: 7 minutos

Tiago Reis

Nesta edição, traremos algumas das ideias de Howard Marks, em relação aos ciclos de mercado, que estão presentes em seu livro “Mastering The Market Cycle: Getting The Odds on Your Side”.

Contudo, antes de começarmos a abordar o tema central do texto, é válido dizer que esta edição não está com o intuito de trazer ideias de como realizar previsões em relação ao mercado acionário ou o ambiente macroeconômico.

Isso não faz sentido para investidores de valor, é até o próprio Howard Marks que cita que é impossível realizarmos esse tipo de previsão.

Mas o objetivo desta edição é passar um conhecimento introdutório sobre os ciclos de mercado, e como pode ser útil entender suas características e em que parte do ciclo nós estamos.

Para Howard Marks, os ciclos em geral têm certas coisas em comum:

  1. São inevitáveis, sempre haverá os altos e baixos na economia, no mercado de ações ou no mercado de crédito, e acontecerá por várias razões;
  2. A influência dos ciclos é aumentada pela incapacidade de os investidores lembrarem do passado, desse modo os ciclos se tornam inevitáveis;
  3. São autocorretivos, segundo o autor, a razão para haver a reversão é que as tendências criam os motivos para sua própria reversão;
  4. Na visão dos seres humanos, os ciclos costumam ser vistos como menos assimétricos, mas os padrões que os ciclos produzem têm muito em comum e tendem a ser consistentes ao longo do tempo.

Quando os clientes da OakTree Capital perguntam para Marks sobre ciclos, geralmente o investidor responde seus clientes a partir de um esboço.

Primeiro, o investidor desenha uma linha que começa na parte inferior esquerda da folha e que vai subindo para a parte superior direita da folha. Depois ele desenha outra linha que flutua para cima e para baixo em cima da linha reta.

A linha central no desenho representa um ponto médio em torno do ciclo, segundo o autor, a linha central tem uma tendência de crescimento.

Como se fosse o crescimento do PIB, no longo prazo ele tende a crescer, mas de ano para ano, pode ser maior ou menor, o que faz resultar nesse ponto médio.

Foto em preto e branco

Descrição gerada automaticamente
Fonte: Mastering the Market Cycle: Getting the Odds on Your Side.

De uma outra maneira, isso significa que, no longo prazo a economia tende a crescer, as empresas vão lucrar mais e a sociedade vai prosperar.

Marks cita ainda que se esse processo fosse físico ou natural, o crescimento poderia continuar em linha reta a uma taxa constante, mas como não é, em algum momento esse crescimento acaba e as flutuações de curto prazo aparecem.

A maioria dessas flutuações são fortemente influenciadas pelo comportamento das pessoas, que pode variar amplamente ao longo do ciclo. Assim, pode haver momentos em que as pessoas estão menos dispostas a procurar empregos ou eventos que alteram o consumo no mundo.

Podemos usar como exemplo a crise do Subprime, em 2008. Esse acontecimento desencorajou os investidores de fornecerem capital, as empresas de expandirem seus negócios e os consumidores de comprarem bens e serviços.

Essa crise afetou a economia como um todo, até quem não tinha perdido seus empregos e propriedades diminuíram os gastos no geral, e, assim, os Estados Unidos entraram em uma recessão que durou de dezembro de 2007 a junho de 2009.

Desse modo, o crescimento de longo prazo tende a ser influenciado por aspectos como produtividade, educação e crescimento populacional.

Enquanto no curto prazo, a propensão das pessoas a consumir e a confiança dos empresários de expandir seus negócios tendem a ter uma influência maior.

O comportamento exagerado das pessoas, tanto positivamente quanto negativamente, faz com que o ciclo tenha extremos.

Esses extremos, seriam os excessos, que é onde a maior parte das coisas acontece, mas a momentos em que esses excessos retornam ao ponto médio, esse efeito é conhecido como regressão à média.

Segundo Marks, o ponto médio funciona com uma atração magnética e traz de volta os excessos para um ambiente normalizado. 

Entretanto, esse movimento em direção à média não dura muito tempo, uma vez que as influências continuam (comportamento humano), as flutuações se mantêm de um ponto para o outro.

Além do mais, isso faz com que os ciclos mantenham esse padrão, podendo acontecer por motivos diferentes, durarem períodos diferentes e terem impactos mais diversos ainda, mas sempre haverá essa “similaridade” entre eles.

Do mesmo modo que Mark Twain citou:

“A história não se repete, mas rima.”

Além disso, Marks ainda cita que quanto mais o ciclo se distancia do ponto médio, maior será o impacto dele na volta. Então, quanto mais a economia cresça e quanto mais o preço das ações subir, mais violenta será a volta para a normalidade.

Podemos pensar na crise de 1929, naquela época a economia estava muito aquecida e o mercado estava muito eufórico.

Porém, posteriormente quando houve a reversão para a média, a queda no mercado de ações foi muita brusca e a crise econômica resultante foi muita acentuada e precisou de anos para se recuperar.

O investidor ainda explica que não é o suficiente entender apenas esses padrões de flutuações que os ciclos apresentam de um para o outro.  Ou seja, não devemos apenas olhar para os ciclos como um seguido do outro, mas sim como cada um causando o próximo.

Como Howard Marks cita:

 “Desse modo, um ciclo no mundo econômico ou de investimentos consiste em uma série de eventos que dão origem a seus sucessores.”

Outro ponto é que os ciclos acontecem em muitas áreas diferentes do mercado e não acontecem de forma independente, assim um ciclo que está se desenvolvendo em uma área também influencia ciclos em outras.

Os ciclos são influenciados por acontecimentos internos, como os ciclos anteriores, mas também coisas externas, como eventos que ocorrem em outras áreas. Como foi visto, os ciclos são semelhantes e apresentam padrões, porém, os ciclos não são previsíveis. Então, como lidar com os ciclos?

Nós não podemos saber quando a próxima crise irá chegar, quando será a próxima queda da bolsa, ou como está o comportamento dos investidores. Porém, Howard Marks explica que a grande sacada é entendermos em qual fase do ciclo estamos e dessa forma podemos tomar decisões melhores como investidores.

Pode se dizer que isso vai de encontro com algo que Warren Buffett diz:

“Tenha medo quando os outros estão gananciosos. Seja ganancioso quando outros têm medo.”

Contudo, lidar com os ciclos de mercado não é uma tarefa fácil, tanto que não são todos que conseguem compreendê-los, e até mesmo Howard Marks concorda com isso.

“Portanto, eu não estou tentando dar a impressão de que lidar com ciclos é algo fácil, mas acho que é um esforço necessário. Podemos nunca saber onde estamos indo ou quando a maré vai virar, mas é melhor ter uma boa ideia de onde estamos.”

*A Suno é uma casa de análise especializada em conteúdo sobre investimentos e educação financeira para o pequeno investidor pessoa física.

As informações desta coluna são de inteira responsabilidade do autor e não do InvestNews e das instituições com as quais ele possui ligação. 

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