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Economia

BC corta taxa Selic para 3% ao ano

Foi a 3ª redução da taxa básica de juros no ano; analistas defendem que corte só vai estimular a economia no médio prazo.

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Selic juros

O Banco Central reduziu em 0,75 ponto percentual a taxa básica de juros nesta quarta-feira (6), surpreendendo boa parte do mercado, que esperava uma redução mais suave. Com isso, a Selic passou de 3,75% ao ano para 3% ao ano, renovando seu menor nível histórico desde 1999, quando passou a valer o regime de metas de inflação no país.

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Foi a terceira redução da taxa em 2020 e o sétimo corte seguido pelo BC. O último aconteceu no dia 18 de março, quando o Copom (Comitê de Política Monetária) promoveu um corte de 0,50 ponto percentual para tentar frear os estragos trazidos pelo novo coronavírus (Covid-19) na economia. A expectativa de que a economia deve se deteriorar vem forçando o mercado a revisar suas previsões para baixo.

Selic 3%

Esta semana, os economistas do mercado financeiro reduziram suas projeções para a Selic de 3% para 2,75% ao ano, segundo o Relatório de Mercado Focus. Há um mês, a estimativa para a taxa básica estava em 3,25%.

Cautela e efeitos no médio prazo

O analista de investimentos da Easynvest, José Falcão, explica que o BC precisou ser muito cauteloso na decisão, a fim de não pressionar ainda mais o dólar e jogar a cotação para perto de R$ 6. A moeda norte-americana vem sofrendo os efeitos do chamado “carry trade” (diferencial de juros entre o Brasil e EUA, que leva à fuga de capital estrangeiro).

Na visão de Falcão, o novo corte da Selic terá impactos reais sobre a economia mais no médio prazo. “É algo estrutural. O BC corta os juros agora para fazer o país ganhar fôlego no pós crise mais para frente e retomar o crescimento”, diz o analista.

O estrategista-chefe da Eleven Financial, Adeodatto Neto, acredita que o corte da Selic não terá efeito prático sobre a inflação e a queda do PIB neste momento. O impacto sobre os preços seria mais visível em 2021, acrescenta. Para ele, a decisão do BC já estava “contratada” com o mercado, diante da defasagem dos indicadores econômicos com a forte redução da demanda em março e abril.

“Tentar pensar [o corte] como estímulo da atividade econômica parece equivocado, já que o descontrole das contas públicas já é inerente e vem sendo potencializado pela maneira como o Legislativo e o próprio Executivo estão lidando com o plano de ajuda emergencial (coronavoucher) e a trajetória da dívida pública”, afirma Neto.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta, em segundo turno, a nova versão da proposta de emenda à Constituição (PEC) que cria o “Orçamento de Guerra”, destinado ao combate à pandemia. O objetivo é separar do Orçamento-Geral da União os gastos no enfrentamento da doença, sem as exigências do orçamento regular, como a “regra de ouro”, que impede o governo de contrair dívidas para pagar despesas como salários.

Também está em debate, na Câmara, o projeto de socorro de R$ 60 bilhões a Estados e municípios para o combate à pandemia de covid-19. A Casa blindou mais categorias de servidores públicos do congelamento dos salários previsto. Os deputados também mudaram a fórmula de repartição do dinheiro, o que representa uma perda milionária para Estados como o Amapá, que ficariam com R$ 300 milhões a menos, segundo técnicos.

Juros baixos: bom para quem?

Para o bolso do investidor, a taxa de juros no nível atual é vista como algo negativo, já que o dinheiro das aplicações passa a render menos. É um padrão de economias desenvolvidas (inflação baixa e dinheiro circulando na economia real). Do ponto de vista estrutural, este é o outro lado da moeda, como destaca Falcão.

“Olhando para a economia como um todo, a Selic baixa faz com que mais dinheiro seja injetado no mercado, pois incentiva o empreendedorismo de pessoa física e investimentos em projetos por parte das empresas”, explica. Isso acontece porque o custo do crédito cai e não vale tão a pena deixar dinheiro parado. 

Mais dinheiro circulando é um estímulo importante diante da crise que o país atravessa, contanto que o BC calibre a Selic para gerar uma sintonia com o mercado, complementa o analista. “Aumentando o investimento, gera mais empregos, aumenta o consumo e as empresas lucram mais. Todo este fluxo positivo é refletido no preço das ações que beneficiam diretamente os investidores”, afirma Falcão.

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