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Economia

Brasil: uma economia desigual e um mercado de capitais sofisticado

Enquanto o Brasil se tornou normal aos olhos do investidor estrangeiro com juros de 2%, desigualdade e risco fiscal escancaram instabilidade

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Katherine Rivas

Se tem algo que a pandemia nos ensinou é que o Brasil é uma eterna dicotomia. Enquanto a economia lida com problemas fiscais, ausência de reformas e o aumento da desigualdade, o mercado financeiro avança para sua melhor performance com sofisticação, juro baixo e a diversificação de ativos.

Segundo Gilson Finkelsztai, presidente da B3, desde o impeachment da ex-presidente Dilma houve uma mudança abrupta na pauta econômica dos governos, reformulando políticas públicas e a postura dos bancos estatais, assim como reduzindo a intervenção do governo na economia.

Além disso, ele defende que a inflação menor propiciou também a queda dos juros para 2% tornando o Brasil finalmente um país normal. “No passado, com o mundo inteiro no juro zero e o Brasil com juros acima de 6%, os investidores estrangeiros enxergavam a gente como anormal. A queda da Selic trouxe uma nova geração de investidores para a bolsa e fundos imobiliários”, explica Finkelsztai.

A mudança de visão também ocorreu no mercado financeiro, com o surgimento de corretoras e plataformas que democratizaram os investimentos nos últimos 4 anos.

Finkelsztai defende o fortalecimento de uma agenda liberal para o crescimento do mercado de capitais, contudo reconhece que enquanto o mercado financeiro está cada vez mais animado, ainda há muito trabalho pela frente para normalizar o cenário econômico.

Ibovespa avança, economia recua

Provavelmente você já se deparou na internet com aquela imagem que ilustra o palhaço Ronald McDonald sorrindo, e simbolizando o Ibovespa, sentado no meio de um caos que representa a economia brasileira. O que deveria ser apenas um meme, é uma descrição sincera da nossa realidade.

Por este motivo, Gilson Finkelsztai aproveitou sua participação em um grande evento de investidores em São Paulo para debater com Henrique Bredda, co-fundador da gestora Alaska Black sobre o distanciamento radical da bolsa de valores do PIB brasileiro.

Para Bredda existe uma separação muito clara entre economia e empresas listadas na bolsa. Isso justificaria que de tempos em tempos ocorra um descolamento entre o comportamento do PIB e do Ibovespa. O gestor do Alaska utilizou um exemplo do varejo para esclarecer este comportamento. “Na pandemia muitos varejistas fecharam suas portas, isso teve um impacto negativo no emprego. Do outro lado, ocupando o lugar de uma pequena empresa que sumiu tem uma grande companhia listada na bolsa, como a Magazine Luiza, que está bombando no e-commerce. E que vai assumir todas as vendas daquela pequena lojinha que faliu”, descreve.

Desta forma, enquanto a economia é ruim para o pequeno empreendedor, isso terá um efeito bom para uma companhia aberta como Magazine Luiza. “Existe uma elite na bolsa, temos quase 400 empresas listadas, mas existem 8 milhões de CNPJs no Brasil”, acrescenta.

Bredda destacou também que está otimista com a série de reformas que são pautadas desde 2016. Segundo o gestor, foi a partir desse ano que os brasileiros decidiram que não dava mais para ter um estado inchado, que escolhia campeões nacionais e usava recursos do BNDES para ajudar os amigos. “Eles machucaram o capitalismo brasileiro”.

O gestor justifica que com a taxa de juros baixa, as pessoas tiram seus recursos de ativos atrelados ao CDI e investem em empresas, injetando capital no mercado. “Quando saímos de um CDI com 2 dígitos para o patamar atual, o Brasil da um novo passo. Os trilhões de reais que estavam parados na renda fixa agora passam a ser produtivos nas companhias”, defende o gestor.

Economia em apuros

Se a recuperação vai ser no modelo W ou V, a gente ainda não sabe. Segundo Ana Carla Abrão Costa, economista e head do escritório da Oliver Wyman tudo vai depender da resposta do governo a situação fiscal e agenda de reformas. Além de gerenciar o desequilíbrio de custos entre estados e municípios. “O governo precisa avaliar como manter o teto de gastos enquanto financia programas de transferência de renda, a questão fiscal será uma coisa a ser resolvida assim que a crise passar”, explica ela.

Além do equilíbrio fiscal, outro desafio é a desigualdade que ficou exposta nesta crise. Segundo Ana, o governo está preocupado em garantir privilégios daqueles que não precisam, no lugar de garantir oportunidades para as pessoas que realmente dependem destas. “A desigualdade do Brasil é solucionada com reformas públicas. É claro que o setor privado tem um papel fundamental na geração de emprego e riqueza, mas o governo precisa fomentar um ambiente de negócios favorável para isso”, defende.

Já Henrique Bredda tem uma posição diferente para a luta contra desigualdade no Brasil, e afirma que até fica com pé atrás quando escuta a palavra “desigualdade”. Segundo o gestor, não há nenhum problema em que pessoas em situação de vulnerabilidade melhorem quatro vezes sua qualidade de vida, desde que esse incentivo público ajude realmente a melhorar a qualidade de vida das pessoas que integram a base da pirâmide social.

Bredda reforça que o problema não é a desigualdade e sim a falta de estratégias para a população gerar riqueza. “O Brasil precisa trazer os cidadãos para dentro do capitalismo, para que eles sejam capazes de construir patrimônio. Desconheço outro mecanismo para gerar riqueza que não seja a liberdade de empreender”, conclui.

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