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Economia

Crise na Ucrânia: quais os efeitos para o mercado e a economia do Brasil

Especialistas apontam riscos de mais pressão inflacionária com alta do dólar e do petróleo.

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Tempo médio de leitura: 6 minutos

putin não indicou invasão da ucrania pela russia
Membros das Forças Armadas da Rússia durante exercícios militares na região de Rostov 21/01/2022 REUTERS/Sergey Pivovarov

Se a inflação é uma das principais fontes de incerteza para a recuperação da economia do Brasil em 2022, um fator extra vem adicionando uma preocupação a mais: a crise na Ucrânia. É o que disseram especialistas ouvidos pelo InvestNews sobre os efeitos que o conflito geopolítico envolvendo o país e a Rússia pode ter sobre o Brasil. 

Um dos principais riscos é o de uma nova disparada dos preços dos combustíveis em meio à alta do petróleo, além de uma elevação também do gás. Combinados com a potencial valorização do dólar, esses aumentos causariam ainda mais pressão inflacionária e poderiam dificultar a já frágil retomada da economia. 

“A perspectiva global de segurança é a busca pelo dólar. E aí, obviamente, o impacto no câmbio é negativo para o Brasil em relação à inflação, e também tem seu impacto direto na volatilidade dos ativos do mercado financeiro como um todo. Ou seja, não tem nada de bom que possa sair de uma situação dessa”, comenta Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. 

O que acontece se a Rússia invadir a Ucrânia?

Os especialistas apontam que o primeiro ponto de atenção é sobre os preços de energia e combustíveis – prejuízos que não atingiriam somente os países europeus. 

“Você está lidando com um país, que é o caso da Rússia, que tem uma produção de matriz energética importante: gás para a Europa e petróleo para o mundo. Então, você, Brasil, que está alinhado com o preço internacional, vai ver muito provavelmente o preço da principal matriz energética no mundo subir significativamente”, comenta Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos. 

Nesta quarta-feira (26), os preços do petróleo atingiram o maior patamar em 8 anos em meio às preocupações com a crise na Ucrânia. O petróleo Brent subiu a US$ 89,96 o barril, após ultrapassar US$ 90 pela primeira vez desde outubro de 2014. 

Além disso, a União Europeia depende da Rússia por cerca de um terço do fornecimento de gás. “Um conflito militar fatalmente impactaria o fornecimento de gás natural da Rússia à Europa, principalmente no meio do inverno. Isso afetaria mais ainda o preço do gás natural, que já subiu bastante nos últimos meses”, diz Andrey Nousi, fundador da Nousi Finance.

Gasolina ou etanol: o que vale mais a pena? (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
Gasolina (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

Outros problemas para a inflação

Além dos preços de energia e do câmbio, Nousi também chama a atenção para outro risco: commodities agrícolas.

“Vários países são grandes fornecedores de grãos. Então o conflito impactaria o fornecimento de commodities agrícolas, o que impactaria também o Brasil. Porque a gente vem num ciclo dos últimos 18 meses em que as commodities agrícolas sofreram reajustes para cima”, diz ele. 

“Então, se a cadeia global reajusta esses preços para cima, obviamente traria mais demanda para produção num país onde está mais barato, e o Brasil, como produz muito, seria atrativo para o mercado internacional – o que fatalmente elevaria os preços internos no Brasil, trazendo mais pressão para a inflação.”

As preocupações levantam ainda receios sobre os juros, que podem subir ainda mais se a inflação de fato não der trégua. Atualmente, a taxa Selic está em 9,25% ao ano, e a expectativa do mercado por enquanto é de que ela termine o ano em 11,75%.

“Você vai ter a busca por dólar como medida de proteção ao capital, e aí a elevação do preço do barril de petróleo. São dois problemas para controlar. Vai somar os dois e terá um efeito inflacionário local bem significativo e mais adverso. E aí quem sabe você teria que lidar com juros mais recessivos ainda”, diz Franchini, da Monte Bravo.

Mercado financeiro

Dólar tem leve queda ante real após ganhos da véspera; Fed e política seguem no radar 20/03/2019 REUTERS/Mohamed Abd El Ghany

Vieira, da Infinity Asset, comenta que a alta das commodities em meio à crise na Ucrânia poderia até beneficiar a bolsa de valores brasileira num primeiro momento, já que as principais empresas listadas na B3 veriam uma alta de suas ações com o aumento das cotações do petróleo, por exemplo. No entanto, ele afirma que não há como garantir que esse tipo de movimento ocorra. 

“Os investidores podem usar o Brasil como hedge importante em relação à questão da inflação por conta do peso de commodities que nós temos nas nossas bolsas, mas isso não é garantido”, diz o economista. 

Outro ponto levantado pelos especialistas é a posição do Brasil como emergente em um cenário de alta global do dólar. Franchini, da Monte Bravo, aponta que o país seria um dos mais atingidos.

“Quando o mundo está com medo, você vê o risco dos países emergentes subir, vê a procura aumentada por títulos de países de primeira linha, em especial o mercado americano, e ativos mais protetivos para o portfólio, como moedas de primeira linha, metais preciosos. Então, naturalmente você vai ter uma volatilidade maior no mundo inteiro. E os mercados emergentes sofrem mais com isso”, diz ele. 

“Sofrer eu digo: menos entrada de fluxo de capital estrangeiro, menos procura por nossos ativos – seja diretamente em bolsa, seja diretamente em renda fixa.” 

O que causou a crise na Ucrânia?

A Rússia colocou cerca de 100 mil soldados na fronteira com a Ucrânia e, embora venha realizando exercícios militares na região, nega que tenha planos de invasão. Enquanto isso, países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – incluindo Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha – já ameaçaram impor sanções à Rússia.

Agora, seguem as tentativas de negociação para um acordo que evite que o conflito se torne, de fato, bélico. Em Paris, diplomatas de Rússia, Ucrânia, França e Alemanha mantiveram mais de oito horas de conversas sobre o fim de um conflito separatista no leste da Ucrânia, parte da crise mais ampla que corre o risco de se tornar uma guerra em grande escala.

A nova crise na Ucrânia ocorre cerca de oito anos depois que a Rússia tomou a Crimeia, no sul do país vizinho, e apoiou guerrilheiros separatistas em Donbass, no leste ucraniano.

( * com informações da Reuters)


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