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Economia

Em 20 anos, quantidade de gasolina que salário mínimo pode comprar aumenta 57%

Atualmente, um salário pode comprar mais de 200 litros de gasolina – contra 127 em 2002.

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Se um consumidor quiser gastar, hoje, todo o valor de um salário mínimo em gasolina, poderá comprar 200,3 litros do combustível. Há 20 anos, se alguém tentasse a mesma coisa, a quantidade seria de 127 litros – ou seja, houve uma alta de 57% da quantidade que pode ser comprada.

É o que aponta levantamento feito pelo InvestNews, considerado dados para meses de março da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A agência calcula o valor médio dos combustíveis por litro em diversos postos pelo país.

Segundo a ANP, o preço médio da gasolina nos postos até a semana passada era de R$ 5,492 por litro – o que representa um aumento de 3,82% em relação à semana anterior. O valor representa uma média calculada pela agência e pode, portanto, variar de acordo com a região do consumidor.

Considerando o período desde 2002, o ano que teve o menor poder aquisitivo para a gasolina em relação ao salário mínimo foi 2004. O salário era de R$ 206 e o preço médio da gasolina terminou março em R$ 1,9813 – o que daria a possibilidade de comprar 103 litros.

Já o maior foi em 2017, quando o salário era de R$ 937 e a gasolina custava, em média, R$ 3,687 por litro em março – o que resultaria em 254 litros comprados.

Veja abaixo os dados completos:

DataSalário (R$)Preço médio da gasolina em março (R$/l)Quantos litros um salário podia comprar
20022001,5739127,1
20032402,2152108,3
20042061,9813104,0
20053002,291130,9
20063502,587135,3
20073802,518150,9
20084152,493166,5
20094652,514185,0
20105102,578197,8
20115402,67202,2
20126222,74227,0
20136782,886234,9
20147242,98243,0
20157883,323237,1
20168803,73235,9
20179373,687254,1
20189544,199227,2
20199984,305231,8
202010454,462234,2
202111005,492200,3

Preços dos combustíveis não para de subir

Na última semana, o preço do diesel subiu 0,04% nas bombas, para R$ 4,232, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Apesar de leve, a alta ocorre pouco depois de o governo zerar, por 2 meses, os impostos federais sobre o combustível. Isso porque, segundo a entidade que representa o setor, o que o PIS/Cofins sobre o óleo diesel vendido nos postos não foi completamente zerado.

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) disse em nota que o decreto do governo zerou os impostos sobre o diesel A, vendido nas refinarias. Já o comercializado nos postos é o diesel B, que conta com adição de 13% do biodiesel, cujo PIS/Cofins continua sendo tributado em pouco mais de 1 centavo por litro.

A incidência do PIS/Cofins sobre o biodiesel, misturado ao diesel, tem causado uma grande confusão para os postos. A desinformação tem gerado agressões, brigas, batidas policiais e denúncias infundadas por consumidores de diesel, que desconhecem a tributação do setor e exigem que o cupom fiscal referente aos impostos federais do óleo diesel vendido no posto seja zerado”, afirmou a Fecombustíveis.

Procurado pelo InvestNews, o Ministério da Economia informou que não iria se pronunciar.

Em 2021 até agora, o preço do diesel nas bombas acumula alta de 22%, ainda considerando levantamento do InvestNews feito com dados da ANP.

O avanço é bem maior que o da inflação oficial no país. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado até fevereiro está em 1,1%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística.

A alta dos preços dos combustíveis acontece em meio à disparada do petróleo e do dólar. O barril do Brent, referência internacional na cotação de petróleo, acumula neste ano uma alta de 33%. Já o petróleo nos EUA, o WTI, tem avanço de mais de 35%. O dólar acumula elevação de 8,7% sobre o real neste ano.

Mesmo com as queixas de quem sente esse peso no bolso, ainda há cálculos apontando que os preços dos combustíveis no Brasil estão defasados em relação ao mercado lá fora. Segundo a estimativa mais recente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o preço médio do diesel na refinaria nacional está 12% abaixo do preço no Golfo do México (EUA).

Os combustíveis, aliás, têm sido considerados os vilões da inflação por aqui, que já mudou inclusive as projeções do mercado para os juros neste ano. E, embora o diesel esteja no centro das discussões, esse quadro inclui também a gasolina.

Segundo o IBGE, de janeiro para fevereiro a gasolina subiu 7,11%, e foi responsável por 42% da inflação do mês. Em 2021 até agora, segundo levantamento com dados da ANP, a gasolina já subiu mais de 22%.

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