O Ibovespa, principal indicador da bolsa de valores brasileira, a B3, operou entre ganhos e perdas nesta segunda-feira (9), mas encerrou o pregão em alta. O dólar, que chegou a subir com força no início do dia, perdeu força, mas fechou com valorização, na casa dos R$ 5,24. Investidores monitoram o cenário fiscal, após o governo entregar ao Congresso a MP do Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família.

O dólar subiu 0,23%, a R$ 5,2473, após chegar a R$ 5,2989 na máxima do dia. Já o Ibovespa subiu 0,17%, aos 123.019 pontos, próximo a máxima do dia em 123.597 pontos. Veja a cotação do Ibovespa hoje.

“O aumento dos riscos político e fiscal dominou o cenário e deixou em segundo plano a aprovação do Projeto de Lei que permite a privatização dos Correios e a urgência da votação da Reforma do Imposto de Renda”, escreveram em nota analistas da Genial Investimentos.

Fornecendo combustível ao ruído fiscal, o presidente Jair Bolsonaro tem repetido constantemente sua intenção de elevar o valor do Bolsa Família. Nesta segunda-feira, ele disse que o reajuste deve ficar em 50% e não chegar aos 100%, como ele mesmo chegou a cogitar na semana passada.

O ministro da Cidadania, João Roma, descartou a possibilidade de o reajuste do benefício do Bolsa Família ultrapassar limites do teto de gastos, caso o Congresso não aprove a PEC de parcelamento dos precatórios, que serviria como meio de financiar a reformulação do programa. No entanto, admitiu que o aumento dos valores de transferência de renda podem ser inviáveis, caso o Congresso não aprove a emenda.

“Uma vez ela (PEC dos Precatórios) não tomando cabo, ela pode, sim, ter por consequência inviabilizar avanços no programa social, assim como inviabilizar uma série de coisas no Estado Brasileiro”, disse nesta segunda em entrevista coletiva. “A reestruturação do programa social do governo é uma medida e a dos precatórios é outra medida. Elas se relacionam ao ponto que essa PEC tem interferência nas contas públicas. As duas medidas estão conectadas, por ambas tratarem de questões relacionadas às contas públicas.”

No cenário externo, incertezas sobre o crescimento global em meio ao aumento da disseminação dos casos do coronavírus e expectativas quanto ao próximo movimento do Federal Reserve (Fed) pesam sobre os ativos de risco em geral, alimentando a volatilidade, na visão do economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

Destaques do Ibovespa

As ações de empresas de proteínas e de bancos encerraram o dia com valorização, mas Petrobras (PETR3 e PETR4) e Vale (VALE3) cairam, impactadas pela queda dos preços do petróleo e do minério de ferro. Veja outros destaques da bolsa.

Bolsas mundiais

Wall Street

Os índices S&P 500 e Dow Jones recuaram de máximas recordes nesta segunda-feira, uma vez que o setor de energia e outros sensíveis ao crescimento econômico tinham queda por preocupações sobre o aumento de casos de covid-19.

O índice Dow Jones fechou em queda de 0,30%, a 35.101 pontos, enquanto o S&P 500 perdeu 0,09%, a 4.432 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq avançou 0,16%, a 14.860.

Europa

As ações europeias atingiram uma máxima recorde após os ganhos nos setores de saúde, serviços públicos e tecnologia compensarem as quedas desencadeadas pelo declínio nos preços das commodities nesta segunda.

Ásia e Pacífico

As ações da China subiram nesta segunda, com uma forte recuperação das empresas blue-chips compensando perdas no setor de tecnologia, altamente valorizado, já que sinais de desaceleração do crescimento econômico alimentavam esperanças de um novo afrouxamento da política monetária.

(*Com informações de Reuters)

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