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Economia

Lehman Brothers da China? Governo pode intervir para tentar salvar a Evergrande

Pequim ainda não deu sinais de que vai tentar evitar um efeito dominó na economia, mas agentes acreditam em algum grau de intervenção.

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Evergrande
Visãio externa do China Evergrande Centre em Hong Kong 26/03/2018. REUTERS/Bobby Yip/File Photo

Temores persistentes de calote ofuscaram os esforços do presidente do China Evergrande Group para melhorar a confiança na empresa nesta terça-feira (21), enquanto o governo chinês ainda não deu sinais de que vai intervir para evitar qualquer efeito dominó na economia global, mas agentes acreditam em algum grau de intervenção, ainda que limitado.

Na véspera, a queda nas ações da companhia contagiou índices do mundo todo. O Ibovespa recuou mais de 2%, voltando para a casa dos 108 mil pontos.

Analistas minimizaram a ameaça de os problemas da Evergrande se tornarem o “momento Lehman” da China (em alusão à quebra do banco americano Lehman Brothers em 2008, que desencadeou a crise do subprime), embora haja preocupações com os riscos de contágio de um colapso desordenado daquela que já foi a incorporadora de maiores vendas da China.

O BofA Securities disse em relatório que seu cenário básico sobre os problemas na gigante chinesa Evergrande é de que “haverá pouco contágio” no setor imobiliário como um todo e nos mercados financeiros se o governo resgatar a empresa facilitando uma reestruturação ordenada da dívida.

Em um esforço para retomar a confiança na empresa, o presidente da Evergrande, Hui Ka Yuan, disse em carta aos funcionários que a empresa está confiante de que “sairá de seu momento mais sombrio” e apresentará projetos imobiliários como prometido.

Na carta, que coincide com o festival de meio de outono na China, o presidente também disse que a Evergrande vai cumprir as responsabilidades com os compradores, investidores, parceiros e instituições financeiras.

“Eu acredito fortemente que com seu esforço conjunto e trabalho duro, a Evergrande sairá de seu momento mais sombrio, retomará as construções em escala total o mais rápido possível”, disse Hui, sem dar detalhes sobre como a empresa vai alcançar esses objetivos.

Cautela permanece nos mercados

Os investidores, entretanto, permaneceram cautelosos. As ações da empresas chegaram a cair 7%, depois de queda de 10% no dia anterior, diante dos temores de que seus US$ 305 bilhões em dívida possam provocar perdas disseminadas no sistema financeiro da China no caso de um colapso. O papel terminou o pregão com perdas de 0,4%.

“Se for permitido o default de uma parte da dívida da Evergrande, isso provocará questões sobre toda a dívida remanescente com os investidores e o governo não quer uma crise mais ampla como essa”, disse o diretor gerente da Orient Capital Research.

Ajuda do governo chinês?

O governo chinês não se pronunciou sobre a crise da Evergrande nas últimas semanas.

O governo chinês vai ajudar a Evergrande ao menos a conseguir algum capital, mas ela pode ter que vender alguma participação a um terceiro, como empresas estatais, disse o banco holandês ING em nota.

Analistas do Citi disseram que os reguladores podem “comprar tempo para digerir” o problema da Evergrande orientando os bancos a não retirarem o crédito e ampliarem o prazo para o pagamento da dívida.

*Com Reuters e agências

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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