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Economia

Veja evolução do comércio entre Brasil e China; Lula adia viagem ao país

Em 10 anos, fatia chinesa na exportação brasileira cresceu 56%; veja principais produtos.

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deve fazer uma visita de Estado à China nos próximos dias, a convite do presidente Xi Jinping. Essa seria a terceira ida de Lula ao país asiático que é, desde 2009, o maior parceiro comercial do Brasil. A viagem seria no sábado (25), mas, nesta sexta-feira (24), Lula adiou a viagem para domingo depois de ter sido diagnosticado com pneumonia leve.

Apesar da iniciativa de estabelecer diálogos, especialistas ouvidos pelo InvestNews afirmam que a relação entre os dois países tem sido pouco impactada por mudanças de governo. Nos últimos 10 anos, a participação chinesa na exportação brasileira cresceu 56%.

Em Pequim, estão previstas reuniões para tratar de temas bilaterais, entre eles, comércio, investimentos e reindustrialização. A comitiva presidencial será composta de parlamentares, governadores, ministros e empresários. 

Brasil e China possuem parceria estratégica desde 1993, elevada a parceria estratégica global em 2012. Em 2024, os dois países vão completar 50 anos do estabelecimento de relações diplomáticas.

Exportações da China para o Brasil

As exportações do Brasil para a China em 2022 totalizaram R$ 89,4 bilhões, depois de somarem R$ 87,9 bilhões em 2021, segundo o Ministério das Relações Exteriores. Este total vem em trajetória de alta consecutiva desde o ano de 2019, quando as exportações brasileiras para o país asiático resultaram em R$ 63,3 bilhões, depois de totalizar R$ 69,9 bilhões em 2018.

No ano passado, minério de ferro e seus concentrados foram os principais produtos exportados pelo Brasil para a China, representando 20% do total de produtos embarcados para o país asiático.

Na sequência, óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos aparecem como os itens mais exportados para a China, representando 18% do total, e fazendo com que, junto do minério de ferro, a indústria extrativa brasileira tivesse o melhor desempenho nos embarques à China. Veja:

Em 2022, 26,8% das exportações brasileiras no ano tiveram o país asiático como destino, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O volume caiu em relação aos anos de 2020 e 2021, quando as fatias de participação da China na exportação brasileira ultrapassaram 30%. Veja:

De acordo com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-IBRE), o recuo em 2022 se justifica pela retração nas vendas de minério de ferro em preços e volume. O produto é o segundo principal das exportação para o país.

Já nos últimos dez anos, houve um crescimento de 56% da participação chinesa na exportação brasileira, passando de 17,2% em 2012 para 26,8% em 2022.

Carlos Honorato, professor da FIA Business School, avalia que balança comercial brasileira só tende a ter cada vez mais um aumento da participação chinesa, pois o que o Brasil produz é muito necessário para os chineses, no caso, as commodites.

“Não existe país no mundo que tenham capacidade de substituir nem em volume, produtividade e em qualidade o que o Brasil faz. Então, provavelmente, o nosso ganho com a China continua”, estima Honorato.

Honorato avalia ainda que os últimos dez anos das relações comerciais entre os dois países não foram caracterizados por uma estratégia clara do Brasil, pois houve mudanças de governo nesse período e da posição diante do país asiático.

“A China tem muita clareza do que ela precisa e da visão estratégica que ela tem do Brasil. O Brasil é que acabou nestes últimos dez anos perdendo ótimas oportunidades de usar essa dependência chinesa de usar nossos produtos, principalmente commodities, para aprimorar ainda mais o comércio, a relação e a participação do comércio internacional entre os dois países, pois só houve crescimento nestes últimos dez anos”.

Carlos Honorato, professor da FIA Business School

O economista e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Vladimir Maciel afirma que a relação entre China e Brasil é estável e sólida por não depender da vontade dos governantes dos países.

O especialista aponta, no entanto, que existe uma expectativa maior por parte do Brasil, que desejaria exportar mercadorias com maior valor adicionado e não apenas commodities à China, mas que isso se choca com a estratégia chinesa de processamento e produção. 

China lidera destinos das exportações brasileira

O total das exportações do Brasil para a China em 2022 representou mais que o dobro do total embarcado para os Estados Unidos, o segundo maior destino das exportações brasileiras no ano passado. Confira:

O professor da FIA alerta que essa dependência brasileira da China, apesar de positiva em alguns aspectos, precisa de atenção, pois, ao concentrar boa parte dos recursos e resultados em um único cliente, caso este tenha problemas, o Brasil pode ter também.

“Tem que ter cuidado com risco de uma crise imobiliária na China, de problemas com os bancos chineses. É positivo ter um crescimento da balança comercial com a China, mas tem que ter atenção para que não seja o nosso único parceiro comercial, temos que ter capacidade de desenvolver novos produtos  e novos mercados”, destaca Honorato.

Maciel, professor do Mackenzie, destaca também que, embora seja o maior parceiro comercial do Brasil, a China ainda não é o principal investidor estrangeiro direto do país, ficando atrás de países europeus, Estados Unidos e Japão, o que se torna um desafio aumentar a participação chinesa no Investimento Estrangeiro Direto (IED).

Importações da China pelo Brasil

Em 2022, o Brasil importou um total de R$ 60,74 bilhões da China. Já em 2021, foram R$ 47,65 bilhões em importações, após somar R$ 34,77 bilhões em 2020 e R$ 36,02 bilhões em 2019. Confira:

Válvulas e tubos termiônicas foram os produtos mais importados da China pelo Brasil em 2022, com 11% de participação do total de itens comprados do país asiático. Na sequência, aparecem compostos orgânicos-inorgânicos, com 8,2% de participação, e equipamentos de telecomunicações, com 6,8%.

Produtos da indústria de transformação lideraram as importações da China pelo Brasil. Veja:

Perspectivas para a relação comercial entre Brasil e China

Honorato explica que hoje se vive um período muito peculiar da história e que a visita de Lula à China vai acontecer em um momento importante, tanto do ponto de vista geopolítico, como do ponto de vista de negócios internacionais.

O professor da FIA Business School destaca que há uma crescente força política da China, com uma vontade de ocupar espaço que até então era exclusivo dos norte-americanos.

“A visita de Lula pega um momento de transição de poder global, um momento conturbado das relações internacionais em que se tem a China querendo ocupar um espaço maior e querendo ser o líder desse grupo de países que inclui o Brasil, a Índia, não só os BRICS, mas essas nações que ficaram um tanto quanto à deriva na geopolítica internacional e começam a ocupar um espaço diferente por causa dessas mudanças de relações internacionais”.

“Então, é muito importante essa ida, pois pode gerar alguns alinhamentos de maior independência do Brasil em relação à geopolítica”, diz Honorato.

Já para Maciel, é esperado muito mais do ponto de vista simbólico, um contraponto ao governo Bolsonaro e uma sinalização de maior alinhamento com regimes de esquerda no mundo.

Do ponto de vista prático, o economista aponta a assinatura de acordos comerciais para facilitar determinadas operações de comércio exterior, mas nada que altere, substancialmente, as condições e características atuais.

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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