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Economia

Preços do etanol: alívio deve seguir após disparada em 2021, dizem especialistas

No entanto, possível efeito do câmbio sobre a gasolina é ponto de alerta para os preços do combustível.

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Gasolina ou etanol: o que vale mais a pena? (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
Gasolina ou etanol: o que vale mais a pena? (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

Após uma alta perto de 60% em 2021, os preços do etanol começaram 2022 em tendência diferente e já caminham para fechar janeiro em queda. E, segundo as projeções de especialistas ouvidos pelo InvestNews, neste ano o consumidor deve mesmo sentir algum alívio do preço nas bombas

Os números mostram que a baixa nos preços do etanol começou já no final de 2021. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre novembro e dezembro houve recuo de 2,96%. No ano todo, porém, houve alta de 62%. 

Dados semanais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam o mesmo cenário: apesar de terem acumulado alta de quase 60% no ano, os preços do etanol caíram nas últimas 5 semanas de 2021. Em 2022, seguiram em queda e até a semana terminada no último sábado (15) já registravam 8 baixas seguidas

A expectativa de especialistas é os fatores que causaram a alta dos preços do etanol em 2021 não se repitam em 2022. 

Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), relembra a redução da oferta por fatores climáticos e o aumento da demanda por combustíveis que, juntos, fizeram com que os preços do etanol disparassem. 

“Essa safra de cana-de-açúcar que começou em abril de 2021 e termina em março de 2022 é a menor que tivemos nos últimos 10 anos. Primeiro, toda a agricultura sofreu por falta de chuva por mais de 1 ano. A segunda variável foi que nós tivemos 3 geadas que impactaram quase 10% da área da cana em julho. E em setembro tivemos outra variável que foi uma incidência muito forte de fogos criminosos em áreas de cana”, descreve Rodrigues. 

“De um lado houve essa restrição muito forte da oferta, e de outro a volta do crescimento da demanda”, complementa ele, em referência à reabertura de diversas atividades ao longo do ano após as restrições pela pandemia.

Para 2022, a expectativa é que as condições climáticas sejam mais favoráveis. “Para o próximo ano, a safra começa em abril, e já há uma expectativa de uma recuperação da produtividade nos canaviais”, diz Rodrigues. 

Matheus Peçanha, pesquisador e economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), explica que o clima foi “o principal problema de custos” do etanol, mas já é passado ou está melhorando cada vez mais. “As chuvas voltaram em novembro e dezembro, sanou a inflação de alimentos, que retomou a um patamar mais normalizado, e isso inclui a cana, que foi o impacto principal da inflação do etanol.”

Além disso, a pressão de demanda também deve diminuir. “Começou a reduzir nos últimos meses porque houve uma migração do consumidor para a gasolina, pela perda de competitividade”, diz Rodrigues, da UNICA. 

Etanol x gasolina

O etanol foi menos vantajoso que a gasolina para o consumidor durante praticamente todo o ano de 2021, mas houve uma piora dessa comparação nos últimos meses do ano. 

Para que o etanol valha mais a pena para o motorista, seu preço precisa ser de até 70% do valor da gasolina – já que, apesar de o litro do etanol ser mais barato, ele rende menos. Considerando os preços médios calculados pela ANP, a relação entre o preço do etanol e o da gasolina está em 76%.

Rodrigues também cita as perspectivas de queda no consumo de combustíveis para veículos leves, “provavelmente já pela falta de recursos da população”, em meio a um cenário de inflação e juros elevados, renda em mínimas históricas e desemprego ainda alto.

Gasolina: vilã do etanol?

Apesar das perspectivas de maior oferta do etanol, há também riscos no radar que podem se tornar pressões de alta nos preços. Um novo aumento dos preços da gasolina pode ser um fator de alta em 2022. 

A dúvida é como irão se comportar as cotações do petróleo e o câmbio em meio ao aumento do número de casos de covid-19 pelo mundo.

Neste mês, a Petrobras (PETR3; PETR4) anunciou o reajuste da gasolina, com alta de 4,8% dos preços nas refinarias. O repasse para o consumidor final depende das distribuidoras.

Quando os preços da gasolina sobem, por um ajuste de mercado, os do etanol sobem junto. Como um produto substitui o outro, uma alta da gasolina eleva a demanda por etanol. Esse aumento da demanda, por sua vez, leva ao aumento de preços – uma vez que, se isso não acontecesse, haveria problema de estoques.

“O etanol é meio que obrigado a cumprir uma paridade com o preço da gasolina para não provocar uma corrida em direção ao etanol e secar os estoques”, explica Peçanha, da FGV. 

“E a gasolina ainda tem um certo risco neste ano. O câmbio ainda é preocupante, a gente está entrando em ano eleitoral. Pode respingar na gasolina e respingar no etanol”, diz. 

Seguindo a alta do dólar e o avanço da cotação internacional do barril de petróleo, os preços da gasolina nas bombas subiram com força em 2021. No entanto, os dados da ANP e do IBGE mostram que, assim como o etanol, essa alta da gasolina também perdeu força no final do ano passado, mas com menos intensidade. 

Segundo a ANP, o avanço do preço da gasolina em 2021 foi de 47%, mas com recuo nas últimas semanas do ano. Agora, depois de 8 quedas semanais seguidas, o preço médio da gasolina nas bombas ficou quase estável na última semana, com leve aumento de 0,01%.

Já o IBGE aponta que, entre novembro e dezembro, os preços da gasolina caíram 0,67%. Mas, no ano, a alta acumulada foi de 47%.

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