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Economia

Quem é o novo presidente da Petrobras, Caio Paes de Andrade

Indicado no lugar de Mauro Coelho é secretário especial de desburocratização e próximo a Paulo Guedes.

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Caio Paes
Caio Paes de Andrade/Divulgação

O governo brasileiro convidou Caio Paes de Andrade para assumir o comando da  Petrobras (PETR3; PETR4) no lugar de José Mauro Ferreira Coelho, que foi demitido do cargo na noite desta segunda-feira (23) após ocupar a posição por apenas 40 dias.

Paes de Andrade é o quarto presidente a assumir a estatal no governo de Jair Bolsonaro. Antes dele e de Coelho, foram também presidentes da Petrobras Roberto Castelo Branco, o general da reserva do Exército, Joaquim Silva e Luna.

Paes de Andrade é formado em comunicação social pela Universidade Paulista, pós-graduado em administração e gestão pela Harvard University e mestre em administração de empresas pela Duke University. 

Atuação no governo

No governo federal, atualmente, Paes de Andrade é secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, onde é responsável pela Plataforma GOV.BR e é membro do Conselho de Administração da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Pré-Sal Petróleo S.A (PPSA).

Entre 2019 e 2020, ele foi presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Na inciativa privada, ele atuou na área de tecnologia de informações e no mercado imobiliário, além de ser fundador e conselheiro do Instituto Fazer Acontecer. 

O ministério de Minas e Energia declarou, por nota, que acredita que Paes de Andrade reúne as qualificações necessárias para assumir a presidência da Petrobras e superar os desafios da atual conjuntura, “promovendo o contínuo aprimoramento administrativo e o crescente desempenho da empresa, sem descuidar das responsabilidades de governança, ambiental e, especialmente, social da Petrobras.”

A nota diz, ainda, que, com a mudança, o governo federal renova o seu compromisso de respeito com a governança da Petrobras.

Visão do mercado

Em nota ao mercado, o economista-chefe da Necton, André Perfeito, afirmou acreditar que, pelo perfil do executivo, “não nos parece razoável supor que irá mudar a política de preço da Petrobras, muito pelo contrário”. “Da forma que vemos o Ministério da Economia está mais no controle do que nunca da petroleira”, disse.

Perfeito afirmou que o mercado deve gostar da indicação, uma vez que, segundo ele, Caio é um profissional ligado aos valores liberais e próximo ao ministro Paulo Guedes. Reportagem publicada pelo “Estadão” nesta manhã, no entanto, dá conta de que o objetivo da troca de comando é promover mudanças na política de preços da estatal.

Já o BTG Pactual escreveu em relatório que Paes tem “forte” formação educacional e uma formação profissional mais associada ao governo e aos serviços públicos. Por outro lado, a casa pontuou que ainda é cedo para dizer sobre o que ele pensa em relação à Petrobras ou como a vê posicionada para “equilibrar seu papel como importante player no mercado local de combustíveis, ao mesmo tempo em que precisa atender aos interesses dos todos os acionistas”.

Pedro Soares e Thiago Soares, analistas que assinaram o relatório, disseram ainda que notícias de que o governo estaria avaliando mudanças que vão além da presidência da companhia estão circulando há algumas semanas, mas que, se concretizadas, seriam recebidas negativamente pelos investidores.

“A preservação da maioria da equipe de gestão em mudanças anteriores de CEOs foi uma medida muito necessária para fornecer algum sentido de continuidade. Qualquer mudança nisso pode corroer ainda mais a percepção de risco”, afirmou a dupla.

Étore Sanchez, da Ativa Investimentos, escreveu em comentário enviado ao mercado, que politicamente a troca de cadeiras trata-se do fortalecimento da parcela do governo que Paulo Guedes representa. “Após Adolfo Sachsida assumir o comando do MME era natural observar esse tipo de atuação”, explicou.

Por outro lado, o especialista pontuou que em termos de políticas de preços o momento parece “pouco oportuno”, visto que a gasolina não tem reajuste há um bom tempo e pratica preços 20% abaixo da cotação internacional. “De todo modo, vale ressaltar que a ala econômica do governo, empenhada no processo de privatização da companhia, vem defendendo que Caio será peça fundamental dentro da companhia para viabilizar a venda”, avaliou Sanchez.

Carlos Daltozo e Alexandre Kogake, da Eleven, enfatizaram em relatório que a demissão é a primeira de uma série de mudanças que o governo fará. “O ministro de Minas Energia, Adolfo Sachsida, promoverá alterações no conselho de administração da estatal. O conselho foi montado pelo ex-ministro Bento Albuquerque, demitido por Bolsonaro logo após reajuste do diesel”, escreveu a dupla.

As ações preferenciais da petroleira chegaram a cair 3,7% na abertura dos negócios desta terça-feira, após sua ADR (recibo da ação negociado em Nova York) chegar a despencar 11% no pré-mercado.

*Com agências

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