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Economia

Ranking de juros: Brasil tem a 7ª maior taxa real entre 168 países

Levantamento considera taxa nominal com desconto da inflação projetada, com dados do Trading Economics.

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Tempo médio de leitura: 6 minutos

O Brasil tem a 7ª maior taxa de juros real em uma lista com 168 países. Segundo levantamento com base em dados de inflação projetada pelo Trading Economics, com a elevação da Selic a 13,75% ao ano, a taxa real de juros no Brasil (ou seja, descontada a inflação) foi para 7,2%. 

O número coloca o Brasil atrás apenas de Zimbábue, Libéria, Afeganistão, Tajiquistão, Ucrânia e Serra Leoa. Veja abaixo o ranking de juros reais:

Ranking de juros
Ranking de juros

Em meio a um avanço da inflação em diversos países – incluindo desenvolvidos -, diversos bancos centrais pelo mundo têm elevado suas taxas de juros. Nesta quinta-feira (4), por exemplo, o banco central britânico adotou o maior aumento da taxa de juros em 27 anos, na tentativa de conter a inflação projetada em mais de 13%.

“Fazer a inflação retornar à meta de 2% continua sendo nossa prioridade absoluta. Não há reservas em relação a isso”, disse o presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, após a elevação de 0,5 ponto percentual na taxa, a 1,75%.

O discurso de priorizar o combate à inflação (ou seja, indicando mais altas de juros pela frente para desestimular o consumo e controlar a alta de preços, ainda que o resultado seja o desaquecimento da economia) tem sido o mesmo entre dirigentes e outros BCs pelo mundo. É o caso do Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, e do Banco Central Europeu (BCE).

Para os países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, esse movimento tem reflexos importantes. Isso porque, além de subirem os juros para combater a inflação interna, esses países ainda precisam manter suas taxas atrativas para o capital externo.

Juros mais altos significam mais retorno ao investidor em títulos de dívida. Se países ricos, considerados mais seguros, sobem suas taxas, se tornam mais atrativos para os investidores. Nesse cenário, países em desenvolvimento costumam subir os juros também para continuarem sendo considerados vantajosos e, assim, evitar uma fuga de capital. 

“O cenário internacional pode interferir na economia brasileira, com elevações da taxa de juros nos países desenvolvidos que tendem a impactar os fluxos de capitais e o crescimento econômico mundial”, comentou Pedro Raffy Vartanian, professor de Ciências Econômicas no Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA) na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Rafael Ferreira, sócio do Grupo Fictor, comentou em nota o risco de recessão global em meio a essa tendência de alta de juros. “A tendência é países subdesenvolvidos e desenvolvidos também aumentarem as taxas de juros devido ao descontrole causado pela pandemia e pela guerra envolvendo Ucrânia e Rússia, que são de suma importância à nível mundial econômico, vide que potências mundiais estão com inflações acumuladas em 2022”, afirma. 

“Esse é um dos primeiros sinais de uma recessão global, ou seja, um encolhimento econômico mundial”, completa Ferreira. 

Na outra ponta, 83 dos 168 países do levantamento com dados do Trading Economics têm taxas de juro real negativa (ou seja, inflação mais alta que a taxa de juros nominal). Nesse cenário estão Sudão (-43.73%), Venezuela (-37,53%), Líbano (-28,17%) e Peru (-19,72%).

O que esperar dos juros no Brasil

selic em 13,75%

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou na quarta-feira (15) o aumento de 0,5 ponto percentual da Selic, a 13,75% ao ano. No comunicado, Copom indicou que o ciclo de alta de juros pode ser encerrado na próxima reunião, em setembro, com uma nova alta de 0,25 ponto, se houver necessidade.

“O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista”, afirmou o comitê.

Para a próxima reunião, o Copom informou que “avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude“. 

“O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista”, afirmou o comitê.

Para a próxima reunião, o Copom informou que “avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude“. 

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, aponta que “o BC já decreta, praticamente, que, caso ainda continue subindo, a próxima reunião de setembro é a última na qual ele vislumbra uma necessidade de ajuste”.

Rafael Pacheco, economista da Guide Investimentos, avalia que o comunicado mostra que o Copom “não quer realmente fechar as portas para o encerramento nem para o ciclo de alta agora e nem para uma alta adicional na reunião de setembro”. “Mas, pelo que sinalizou, parece estar bem claro que a gente vai ter ou o encerramento do ciclo de alta nesta reunião mesmo que a gente teve ou na próxima”, diz Pacheco.

Ranking de juros

Veja abaixo a lista completa de taxa de juros real, considerando dados do Trading Economics.

PaísTaxa de juros real (% ao ano)
Zimbábue100
Libéria12.15
Afeganistão10.26
Tajiquistão8.37
Ucrânia7.76
Serra Leoa7.48
Brasil7.2
Sudão do Sul6.67
Hungria6.49
Uzbequistão6.48
Moçambique6.42
Malawi5.56
Paquistão5.5
Chile5.43
Maldivas4.9
Madagáscar4.89
Mongólia4.76
Djibuti4.71
Gana4.39
Angola4.35
Paraguai4.35
República Dominicana4.33
Guiné4.21
Egito3.97
Gâmbia3.93
Colômbia3.91
Equador3.84
Nepal3.83
Armênia3.79
Quirguistão3.64
Nigéria3.64
Brunei3.43
Costa Rica3.42
Nicarágua3.19
El Salvador2.99
Cazaquistão2.97
Tunísia2.88
Moldávia2.79
Uganda2.75
Geórgia2.68
México2.65
Butão2.35
Peru2.18
Congo2.09
Vietnã1.96
São Tomé e Príncipe1.87
Bielorrússia1.82
Quênia1.8
Haiti1.74
Bahrein1.72
Jordânia1.72
Emirados Árabes Unidos1.72
China1.67
Benim1.66
Tanzânia1.55
Hong Kong1.43
Macau1.33
Uruguai1.3
Arábia Saudita1.28
Indonésia0.98
Omã0.98
Bahamas0.97
Chade0.97
Gabão0.97
Iraque0.97
Costa do Marfim0.97
Guiana0.96
Suazilândia0.77
Zâmbia0.74
Catar0.73
Níger0.58
Trindade e Tobago0.58
Camarões0.48
Mauritânia0.48
Polônia0.47
Bolívia0.41
Índia0.38
Guiné Equatorial0.29
Islândia0.24
Namíbia0.24
Seicheles0.2
República Centro-Africana0
Papua Nova Guiné0
Senegal0
Lesoto-0.24
Malásia-0.24
Filipinas-0.24
África do Sul-0.28
Jamaica-0.47
Guiné-Bissau-0.48
Líbia-0.48
Kuwait-0.49
Taiwan-0.49
Coreia do Sul-0.73
Israel-0.74
Azerbaijão-0.87
Bangladesh-0.9
República Checa-0.93
Mianmar-0.93
Nova Caledônia-0.94
Mali-0.95
Nova Zelândia-0.97
Marrocos-0.98
Burundi-1.02
Guatemala-1.21
Suíça-1.24
Ir-1.33
Bélgica-1.47
Japão-1.48
Canadá-1.54
Panamá-1.59
Romênia-1.64
Irã-1.67
Albânia-1.69
Noruega-1.7
Fiji-1.72
Rússia-1.82
Estados Unidos-1.82
Honduras-1.9
Dinamarca-2.06
Alemanha-2.43
Itália-2.43
Portugal-2.43
Malta-2.62
Área do Euro-2.8
Austrália-2.81
Croácia-2.84
Camboja-2.87
Sérvia-2.88
Tailândia-2.9
Comores-2.96
cabo Verde-3.05
Finlândia-3.18
Ruanda-3.23
Grécia-3.37
Irlanda-3.37
Eslovênia-3.37
Bósnia e Herzegovina-3.53
Maurício-3.54
Suécia-3.59
Burkina Faso-3.7
Cingapura-3.73
França-3.83
Luxemburgo-3.83
Macedônia-3.83
Holanda-3.83
Espanha-4.1
Áustria-4.29
Chipre-4.29
Botsuana-4.35
Suriname-4.35
Laos-4.98
Argélia-5.07
Eslováquia-5.37
Reino Unido-5.79
Letônia-6.07
Estônia-6.42
Bulgária-6.54
Lituânia-7.8
Argentina-10.06
Cuba-11.09
Etiópia-13.01
Sri Lanka-15.19
Peru-19.72
Líbano-28.17
Venezuela-37.53
Sudão-43.73

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