Os esforços diplomáticos para encerrar a guerra no Irã, que já entra em seu terceiro mês, seguem em ritmo intenso, mas sob o peso da incerteza. No último sábado (2), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que a mais recente proposta de paz apresentada pela república islâmica pode não ser suficiente para satisfazer as exigências de Washington.

Segundo informações obtidas pelo portal Axios, o plano de Teerã sugere um prazo de 30 dias para as negociações de um acordo que reabriria o Estreito de Ormuz e encerraria tanto o bloqueio naval norte-americano quanto os combates em território iraniano e no Líbano.

Caso esse entendimento seja alcançado, uma segunda fase de discussões seria iniciada para tratar especificamente do programa nuclear do país.

Entretanto, há divergências sobre o conteúdo exato da proposta. Enquanto o Axios menciona a questão nuclear como um passo seguinte, a agência de notícias semioficial Tasnim reportou que o plano iraniano exige o fim total do conflito em 30 dias com garantias contra novos ataques, mas sem citar o tema nuclear.

O documento reiteraria demandas históricas de Teerã, como a retirada das forças dos EUA das proximidades do Irã, a suspensão do bloqueio marítimo e das sanções, além do pagamento de reparações de guerra.

Neste domingo (3), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, confirmou que o governo iraniano recebeu a resposta americana ao seu plano de 14 pontos por meio do Paquistão, que atua como intermediário, e que o texto está sob análise.

A postura de Trump, contudo, permanece rígida. Após ser informado sobre o conceito do acordo, o presidente utilizou a rede social Truth Social para expressar ceticismo, afirmando que dificilmente aceitará o plano por considerar que o Irã ainda não pagou um preço alto o suficiente pelo que causou à humanidade nos últimos 47 anos.

Trumo reforçou que não descarta retomar os ataques a alvos iranianos caso os líderes do país não se comportem. Essa frustração da Casa Branca reflete a falta de avanços desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, que já deixou milhares de mortos no Oriente Médio e gerou uma crise energética global sem precedentes.

O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, fez os preços dos combustíveis dispararem, gerando temores políticos para os Republicanos às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro.

Em uma tentativa simbólica de conter a crise, os países da OPEP+ concordaram com um aumento modesto na produção para junho. No entanto, o mercado vê a medida com ceticismo, já que o aumento é inexequível enquanto a passagem de Ormuz permanecer fechada. Paralelamente, o Irã começou a reduzir sua própria produção de petróleo conforme seus tanques de armazenamento atingem o limite.

No front diplomático, o chanceler Abbas Araghchi reiterou que o país está disposto a negociar, desde que os EUA abandonem o que chamou de exigências excessivas e retórica de ameaça, mantendo as forças militares iranianas em estado de alerta máximo.

No fechamento da semana passada, o barril do tipo Brent foi cotado próximo a US$ 108, enquanto o preço da gasolina nos EUA já ultrapassa a marca de US$ 4 por galão.