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Ação da Embraer despenca após Boeing quebrar parceria. O que vem agora?

Conflito entre as ex-parceiras começou no fim de semana, depois que a Boeing encerrou as negociações para comprar a divisão de aviação comercial da fabricante brasileira.

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Avião da Embraer

Na contramão do bom humor no Ibovespa, as ações da fabricante brasileira de aeronaves Embraer (EMBR3) chegaram a cair ao redor de 15% na manhã desta segunda-feira (27). Os papéis fecharam negociadas em torno de R$ 7,66, em queda de 7,49%, após o fim do acordo com a norte-americana Boeing, em meio à crise provocada pela Covid-19.

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Para analistas, seria muito desafiador levar o acordo adiante em meio aos desdobramentos da pandemia.

O conflito entre as ex-parceiras começou no fim de semana, depois que a Boeing encerrou as negociações para comprar a divisão de aviação comercial da Embraer. Em julho de 2018, as duas empresas fecharam um acordo de US$ 4,2 bilhões para criar uma nova companhia no setor de aviação comercial. A parceria havia sido autorizada pelo governo de Jair Bolsonaro, que possui uma golden share (participação que dá direito de veto em algumas decisões) na empresa.

Rumores de que a parceria teria ido por água abaixo já circulavam no mercado na sexta-feira (24), quando a Embraer recuou 10,68%. No mês de abril, a fabricante brasileira acumula queda em torno de 25% na bolsa brasileira. Já no acumulado do ano, tem desvalorização de 63%.

“Para a Embraer, a fusão, que vem sendo negociada há cerca dois anos, significava ganhos fortes de sinergia além da redução do risco da Boeing adentrar como concorrente no seu mercado”, escreveram os analistas da equipe da Levante Investimentos em relatório.

Crise no setor aéreo

O anúncio da Boeing se deu em meio à maior crise de sua história, que envolve dois acidentes com seu principal avião, o 737 MAX, e a paralisação do setor aéreo em decorrência da pandemia da Covid-19. A companhia responsabilizou a Embraer pela não conclusão do negócio. Em nota, afirmou que “exerceu seu direito de rescindir (o contrato) após a Embraer não ter atendido as condições necessárias”, sem especificar quais.

Em relatório, a Levante destacou que a desistência por parte da Boeing é um indicativo de que “o planejamento da empresa foi alterado por conta da pandemia do coronavírus e a prioridade para o restante do ano será a sua sobrevivência”.

A Embraer deve entrar em um embate com Boeing após a desistência. Segundo a empresa brasileira, as companhias aéreas dos EUA estão mais avançadas em seu pacote de resgate do governo Donald Trump, o que facilitará o reinício das operações.

Medidas contra a Boeing

Em comunicado, a Embraer reafirmou que planeja tomar as medidas cabíveis contra a Boeing e exigir uma compensação financeira pelos danos sofridos com o cancelamento que a empresa chamou de “indevido” e da violação do acordo de transação.

“É importante mencionar ainda que nossas entregas nos EUA estão relacionadas principalmente à substituição de aeronaves e, com o retorno das atividades das companhias aéreas, acreditamos que essas entregas também serão retomadas”, disse a Embraer em comunicado.

Sem o acordo da Boeing, a Embraer afirmou que sua posição como líder mundial na indústria aeronáutica e seu portfólio de produtos nos segmentos de aviação comercial, aviação executiva e de defesa e segurança atrai o interesse de outros parceiros internacionais. “No entanto, não temos nada a comentar sobre novas parcerias.”

O que vem pela frente?

O acordo com a Boeing era visto como uma solução para a fraca demanda por encomendas de aeronaves da Embraer, o que traria um certo alívio financeiro à fabricante brasileira. Diante da quebra do acordo, analistas não descartam a possibilidade de a Embraer precisar de capitalizar.

Para analistas do banco UBS, pode haver outras opções para a Embraer dar continuidade a seus planos na aviação comercial, e não seria surpreendente se outras empresas demonstrassem potencial interesse no negócio. No entanto, eles descartam a possibilidade de a canadense Bombardier – que foi motivada a vender o programa da série C para a Airbus sob pressão da Boeing – tentar uma aproximação com a companhia brasileira.

“No entanto, acreditamos que a China ainda aspira a uma posição de liderança aeroespacial global e, em nossa opinião, a ERJ [família de aeronaves da Embraer] traria tanto o talento para o design quanto o desenvolvimento, mas mais importante, o conhecimento e a capacidade de uma rede global de serviços e suporte. Houve apenas pequenas parcerias entre a Embraer e empresas chinesas no passado, e o governo brasileiro continua a ter uma golden share na empresa”, conclui o banco.

*Com Estadão Conteúdo

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