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Finanças

Ação do Santander cai mais de 2% apesar de lucro do banco de R$ 3,9 bilhões

Instituição financeira anunciou ontem pagamento de R$ 850 milhões em juros sobre capital próprio

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Katherine Rivas

 O Santander abriu a temporada de balanços dos bancos brasileiros e como as expectativas apontavam o banco espanhol surpreendeu o mercado, com um lucro líquido gerencial de R$ 3,902 bilhões no período de julho a setembro.

Os investidores que já precificaram os resultados dos bancos no terceiro trimestre, repercutiram positivamente o lucro do Santander no começo do pregão quando as ações saltaram mais de 3%, contudo os papéis do banco viraram para queda no começo da tarde e zeraram os ganhos. Por volta das 13h13, as ações do banco (SANB11) recuavam 2,78%. No ano de 2020, o banco Santander ainda acumula perdas de 28,21%.

Segundo Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Investimentos a queda das ações do Santander é reflexo de que o mercado acredita que o banco tem menos provisões para perdas de crédito das que deveria. E considera os R$ 2,9 bilhões de provisões para devedores duvidosos (PDD) insuficientes.

“Tudo indica que a inadimplência deve aumentar com o fim dos benefícios do governo e o Santander tem mais exposição ao segmento de varejo”, explica Guimarães.

O lucro do banco veio bem acima do projetado, a estimativa dos analistas era de R$ 2,764 bilhões. O Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial de R$ 3,902 bilhões no período de julho a setembro, um crescimento de 82,7% em relação ao trimestre anterior. E uma alta de 5,3% comparada ao mesmo período em 2019.

O lucro líquido societário do banco foi de R$ 3,811 bilhões no terceiro trimestre de 2020, com alta de 88,2% sobre o trimestre anterior e um crescimento de 5,6% na base anual.

Enquanto o Retorno sobre capital próprio (ROE) foi de 21,2% no trimestre, o banco precisou apenas de três meses para recuperar o patamar pré-covid-19.

A recuperação em V do banco ocorreu graças a retomada da atividade comercial, com o engajamento e rápida adaptação dos colaboradores do banco ao cenário atual. Em relatório, o Santander informou que registrou um crescimento na carteira de crédito, com destaque para o varejo.

A carteira de crédito atingiu R$ 397,4 bilhões, alta de 3,8% comparada com o trimestre anterior e 19,8% superior ao mesmo período em 2019. Segundo o Santander o crescimento no crédito foi puxado pelas pequenas e médias empresas que tiveram alta de 14,6% no trimestre, chegando a R$ 53,3 bilhões. Já o segmento de crédito para pessoa física cresceu 5,1%.

A redução de provisões para devedores duvidosos (PDD), ou prevenção contra calotes, também ajudou no resultado do banco. Estas tiveram uma queda de 55% em relação ao segundo trimestre deste ano e uma redução anual de 7,5% comparado a 2019. A PDD atingiu R$ 2,916 bilhões.

O índice de inadimplência também recuou 0,3% em relação ao segundo trimestre, permanecendo em 2,1% para a carteira de crédito. A queda em 12 meses foi de 0,9%. A maior redução está no segmento de pessoa física que caiu de 3,5% para 3%. Enquanto a inadimplência para pessoa jurídica recuou de 1,2% para 0,9%.

A receita de tarifas e prestação de serviços no terceiro trimestre foi de R$4,746 bilhões, alta de 15,7% em relação ao trimestre anterior.

A receita total do banco foi de R$ 52,038 bilhões nos nove meses de 2020 (janeiro a setembro) um crescimento de 5,7% em doze meses e uma queda de 3,1% no terceiro trimestre. Segundo o Santander este foi o melhor patamar histórico em nove meses, o banco permanece comprometido com a estratégia de industrializar o negócio, focado no aumento da produtividade e índices de eficiência.

Novos desafios

Em relatório, a Levante Investimentos elogiou o resultado do Santander que veio acima do esperado graças a redução do custo de crédito e das provisões para devedores. Além da recuperação do retorno sobre capital próprio (ROE).

Contudo, os analistas destacam que o Santander Brasil tem outros desafios pela frente, entre estes o aumento de concorrência das fintechs, corretoras e bancos digitais. “Esta foi uma das principais razões para a redução de receitas de tarifas e serviços no acumulado de 9 meses”, defendem.

Ainda entre os riscos para o Santander a Levante aponta: o aumento da concorrência, o open banking e PIX e um possível aumento de impostos que deve ser discutido no Congresso.

A receita com a divisão de cartões e aquirencia (Getnet), presente na guerra das maquininhas, também sofreu quedas na ordem de 12,2% para os nove meses de 2020, em relação ao mesmo período em 2019.

Outro fator de atenção foi o crescimento das despesas administrativas de 5,4% e das operacionais em 3,6% comparado ao segundo trimestre de 2020.

Pagamento de proventos

Ontem o conselho de administração do Santander aprovou o pagamento de R$ 1 bilhão em juros sobre capital próprio (JCP), descontando o valor do Imposto de Renda o pagamento de proventos será de R$ 850 milhões.

O banco é conhecido por ser um bom pagador de proventos, com capacidade de distribuir até 8,5% em dividendos em 2021.

Os investidores devem receber R$ 0,10859906709 por cada ação ordinária (SANB3), R$ R$ 0,11945897381 por cada preferencial (SANB4) e R$ 0,22805804089 por cada ação unitária (SANB11).

Recebem os juros sobre capital próprio os acionistas que tem posição na companhia até o final do dia 4 de novembro de 2020.

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