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Cisão de Itaú BBA é ‘versão em miniatura da Eletrobras’, apontam analistas

Itaú Unibanco deve votar na quinta-feira (30) separação de sua assessoria financeira do banco de investimentos.

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Os acionistas do Itaú Unibanco (ITUB4) devem votar na próxima quinta-feira (30) em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) o destino de seu braço de atacado e investimentos, o Itaú BBA. Segundo analistas e agentes do mercado, a operação pode ser comparada a uma versão em miniatura do que aconteceu com a Eletrobras (ELET3), que dividiu ativos de geração e transmissão, na chamada desverticalização do conglomerado.

A atuação altamente segmentada da companhia de energia aumentou seu nível de eficiência operacional, “inclusive em termos contábeis”, observa Matheus Nascimento, analista da Levante Corp. O mesmo é esperado para o caso da possível cisão do Itaú Unibanco e seu braço de investimentos.

Itaú

Com a justificativa de racionalizar o uso de recursos e otimizar suas estruturas e negócios, o Itaú pretende, com o movimento, ser mais eficiente e gerar maior retorno. Porém, a medida deve extinguir uma sociedade de seu conglomerado e de suas licenças para operar. O movimento aponta para uma operação que visa simplificar a estrutura do bancão e reduzir custos.

“A operação [possível cisão do Itaú BBA] deve tornar o conglomerado [do Itaú Unibanco] mais eficaz”.

Matheus Nascimento, analista da Levante Corp.

Segundo Nascimento, com a divisão das atividades do Itaú e do BBA, é esperado que cada instituição financeira se concentre em áreas de atuação específicas – o que tende a levar a uma redução de custos, principalmente com pessoal e infraestrutura. O analista da Levante Corp aponta ainda que o impacto deve se refletir no índice de eficiência do banco.

No entanto, ainda é difícil prever o quanto exatamente deve se extrair da possível cisão, em especial, qual será a redução de custos. “Dependerá de uma série de fatores, como a eficiência das duas novas empresas e a forma como serão realizadas as sinergias entre elas”, diz Nascimento.

Phil Soares, chefe de análise de ações da Órama, aponta que do ponto de vista de custo operacional, a medida terá uma influência positiva, já que terá a eliminação de um CNPJ.

A questão é que apenas após a assembleia geral é que serão divulgados mais detalhes sobre a cisão. Até então, o movimento deve ser compreendido como uma tentativa de o Itaú destravar valor para a companhia e para seus acionistas, comenta Milton Rabelo, analista da VG Research.

Avaliação das empresas

Do ponto de vista do patrimônio, o Itaú segue melhor avaliado na separação do que o BBA, apontam analistas. Isso porque o banco é considerado uma instituição financeira consolidada, com maior capitalização e receita quando comparado à sua assessoria de investimentos.

“O BBA é uma empresa de menor porte, com foco em assessoria financeira e corretagem de valores mobiliários. Isso faz com que seu patrimônio seja menor que o do banco Itaú”.

Matheus Nascimento, analista da Levante Corp.

A VG Research aponta que a reorganização só vai gerar uma “mera substituição de ativos” no patrimônio líquido da instituição, sem outros impactos financeiros, como aumento de capital social, por exemplo.

Segundo comunicado do Itaú, a medida vai segregar o patrimônio líquido do Itaú BBA em duas entidades distintas: uma a ser incorporada pela Itaú Assessoria e outra pela holding Itaú Unibanco. “Cada uma dessas parcelas abrangerá ativos e passivos específicos relacionados às atividades das respectivas empresas envolvidas”, diz Rabelo, da VG.

A cisão também almeja centralizar as atividades de assessoria financeira em uma única entidade, com enfoque na prestação de serviços de consultoria e gestão de patrimônio.

Como será a separação

A estrutura proposta prevê que a cisão em duas partes distintas separe negócios de assessoria financeira aos de banco de investimento.

A parte de assessoria financeira incluirá assessoria a empresas e instituições, gestão de patrimônio e serviços de banco de investimento focados em financiamentos corporativos.

Já a parte de negócios de banco de investimento será composta por serviços focados em fusões e aquisições (M&A), ofertas públicas de ações (IPOs) e ofertas públicas de distribuição (follow-on), e financiamentos de infraestrutura.

Itaú
Crédito: Adobe Stock

Pode haver impacto sobre as ações?

Embora analistas apontem ser difícil estimar o nível da redução de custos e ganhos de eficiência gerado pela cisão, eles defendem que ela tem potencial de melhorar a eficiência do Itaú como um todo e, consequentemente, impactar positivamente suas ações.

“Para os acionistas do Itaú, a cisão pode levar a uma melhoria na rentabilidade das duas novas empresas, o que também deve beneficiar os acionistas, já que o movimento deverá elevar o nível de governança além das citadas alterações contábeis e estruturais”, aponta o analista da Levante.

Já para o chefe de análises da Órama, o mercado não teria o que precificar dessa movimentação no dia da AGE, uma vez que, em sua avaliação, a cisão “não melhora, nem piora os resultados do banco”.

No dia 30 de outubro, quando o Itaú divulgou fato relevante sobre a mudança, as ações ITUB4 eram negociadas a R$ 27,08. No pregão de segunda-feira (27), elas fecharam cotadas a R$ 30,60 – alta de 13% desde então.

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