Em um ano atípico como 2020, com pandemia e novas tendências surgindo no mercado de capitais, entre elas a nova onda de investimentos ESG (Environmental, Social and Governance), as companhias de capital aberto parecem estar mais preocupadas com a governança corporativa. Contudo, ainda estão longe de alcançar um patamar de excelência.

Um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) em parceria com a Ernst & Young e TozziniFreire Advogados revelou que houve uma evolução nas boas práticas de governança. Em 2019, as companhias de capital aberto adotaram apenas 51,1% das práticas recomendadas pelo Código Brasileiro de Governança Corporativa. Essa proporção subiu para 54,3% em 2020.

Segundo a pesquisa, a aderência às praticas de governança foi maior para todos os segmentos de listagem. No Novo Mercado, as companhias aplicaram 64% das recomendações, nas empresas listadas nos Níveis 2 e 1 foram 64,3% de diretrizes adotadas. E no Nível Básico foram 43,5%.

A taxa de aderência às boas praticas de governança nas companhias que fizeram IPO (abertura de capital) até setembro de 2020 foi de 61,6%.

No levantamento, as companhias que integram o índice Ibovespa lideraram, com 98% de adesão as práticas de governança. Enquanto as 286 empresas que não fazem parte do índice tiveram uma aderência media de 49,3%. “Isso indica que a alta visibilidade do índice no mercado de capitais favorece a adoção de práticas de governança com possível impacto nos preços mobiliários”, aponta o estudo.

A pesquisa “Pratique ou Explique: Análise Quantitativa dos Informes de Governança (2020)” foi divulgado nesta terça-feira (17) e reuniu uma análise de 360 companhias de capital aberto que entregaram seus informes de governança para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) até o dia 5 de outubro. Neste documento as empresas precisam apontar quais recomendações do código adotam e quais ignoram além de citar as medidas que utilizam no lugar.

Veja também:

Praticas mais adotadas

Entre as praticas de governança mais adotadas em 2020 a maioria estava relacionada com assuntos de Ética, Conflitos de Interesse, Conselhos de Administração e Diretoria. Entre estas:

O que precisa melhorar?

No lado oposto, o estudo revela que as companhias ignoraram a importância de ter conselhos compostos na sua maioria por membros externos e pelo menos um terço dos conselheiros independentes.

Outro ponto de conflito foi a ausência de um plano formal de sucessão para o diretor presidente, medida que não foi adotada por 61,7% das empresas. O estudo refutou o fato especialmente em um ano de crise e pandemia. “Como tantas companhias brasileiras podem ainda não ter um plano de sucessão formal para o cargo de CEO?”, questionou o IBGC em relatório.

Para Pedro Melo, diretor-geral do IBGC, este fator é importante porque uma administração bem preparada garante vantagem competitiva e longevidade para as corporações.

Veja as práticas com menos aderência pelas companhias: