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Finanças

Contra a maré: a receita dos fundos que conseguiram se sobressair no caos

Gestores explicam a estratégia dos fundos descorrelacionados, cujo desempenho não depende diretamente do que está acontecendo no mundo.

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Investimentos
Crédito: Shutterstock

No maremoto que atingiu os fundos nos últimos dias, algumas táticas chamaram atenção por terem conseguido ficar à margem da queda generalizada com a pandemia do coronavírus. Estes fundos obtiveram retornos satisfatórios com estratégias descorrelacionadas. Via de regra, o comportamento deles não segue a “manada”. Ou seja, seu retorno independe do que está acontecendo no mundo.

Funciona assim: quando os mercado estão em alta, estes fundos costumam não acompanhar a boa fase (bull market), mas em momentos de estresse, eles não sofrem os efeitos negativos na mesma proporção. Geralmente, são fundos multimercados que operam com dois tipos de estratégia: 

  • Arbitragem: o objetivo é lucrar com as diferenças de preço entre dois ativos. No caso de ações, podem ser duas de uma mesma empresa (PETR3 e PETR4, da Petrobras), ou de um mesmo setor (Via Varejo e Magazine Luiza). É uma estratégia de curtíssimo prazo, que visa ganhar com a volatilidade temporária destes ativos.
  • Quantitativos: usam algoritmos e uma grande base de dados para explorar padrões de comportamento e ineficiências do mercado. Softwares fazem o trabalho após uma análise de profissionais especializados. Estes fundos se enquadram como multimercados, com liberdade para investir em ações, câmbio, juros e ativos no exterior.

Em março até a última quarta-feira (18), quase todas as classes de fundos da Anbima acumularam retornos negativos: ações, multimercados, previdência e até renda fixa. A exceção foram os fundos cambiais, atrelados à valorização do dólar que ultrapassou os R$ 5. Os fundos de renda fixa indexados, por exemplo, caíram 4,56% no período. Todas as categorias de multimercados (como os balanceados, macro e livre) também tiveram perdas consideráveis.

Ganhando com arbitragem

O fundo Trópico VEX FIM, que faz arbitragem de ações, obteve um retorno de 630% do CDI na última quarta-feira (18), dia em que o Ibovespa caiu 10,35%. Nos 19 primeiros dias de março —  quando o índice acumulou queda de 34% —, o fundo teve um retorno de 174% do CDI.

“Quando o mercado está mais volátil, ele continua performando dentro de sua estratégia”, explica o gestor do fundo Fernando Luiz. A estratégia é escolher papéis mais líquidos (fáceis de serem comprados e vendidos) e ganhar com pequenas variações de preço entre duas ações.

Mesmo que ambas ações caiam, o fundo ganha com a diferença de preço (operar vendido em uma ponta e comprado em outra). Entenda mais aqui

Nem sempre os pares de ações são do mesmo setor: é possível montar posição em um papel de uma companhia aérea e outro de uma petroleira, por exemplo. Como a estratégia é de curtíssimo prazo, o fundo desmonta suas posições no fim do dia e “dorme” com os recursos investidos em Tesouro Selic, título público que acompanha a variação da taxa Selic.

Este tipo de fundo é mais indicado para quem está conhecendo a renda variável, mas não quer sofrer muita volatilidade na carteira. Na maior parte das vezes, ele oscila muito pouco. “É para quem quer ter algo diferente na carteira, já que ele não tem correlação com a bolsa”, diz.

O fundo Artesanal FIC de FIM também manteve uma performance positiva em meio à tormenta do último mês.

Ele mistura várias estratégias como arbitragem e long & short —vender um ativo que não possui e, com o recurso, comprar um que acredita que irá subir —, além de manter uma parte da carteira em títulos públicos, para equilibrar o risco.

Trabalho pesado com dados

Entre os fundos com estratégia quantitativa, o Zarathustra FIC FIM, da gestora Giant Steps, acumula um retorno positivo de 3,45% em 2020 (ou 378% do CDI), e 0,09% no mês de março – na contramão da maior parte dos ativos no último mês.

O fundo, que recebeu cinco estrelas da plataforma Morningstar, se debruça sobre estudos históricos e bases de dados gigantes de até 100 anos atrás para estudar o comportamento de preços em diferentes cenários de mercado. Com esse olhar, ele opera futuros de ações, moedas, commodities e juros, na mesma proporção.

Já o Darius FIC FIM, da mesma gestora, trabalha com menos risco que o Zarathustra, mas segue a mesma estratégia. Ele acumula retorno de 2,19% em 2020 (240% do CDI) e variação negativa de 0,07% em março.

“A estratégia é baseada mais em dados e tecnologia e menos no fator emocional e intuição, procurando identificar momentos de irracionalidade humana”, afirma Rodrigo Terni, fundador de gestor da Giant Steps. E os dados não se limitam a números e indicadores: podem ser notícias, vídeos, textos e conteúdo de mídias sociais. 

A gestora mantém cerca de 30 profissionais debruçados sobre este tipo de dado. “Olhamos os indicadores e, se por exemplo, tiver um padrão parecido com o passado e que deu certo, compramos o ativo”, acrescenta Terni.

O fato de estes fundos se moverem contra o mercado em alguns momentos e de forma parecida em outros faz com que eles sejam uma ferramenta para diversificar, acrescenta o gestor.

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