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Finanças

Fundos levaram 14 meses para superar a crise de 2008. Quanto tempo leva agora?

De 1.733 fundos que sobreviveram até hoje, metade conseguiu se recuperar em menos de seis meses.

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Nos últimos dias, a indústria de fundos levou um golpe que não se via desde a crise de 2008 – levantando dúvidas, inclusive, sobre sua capacidade de recuperação. Os fundos de ações acumularam uma queda média de 31% nos 12 primeiros dias de março e até surgiram rumores de que gestoras renomadas estariam perto de quebrar.

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O fato é que, desde que estourou a última crise financeira internacional, os fundos no Brasil levaram, em média, 14,5 meses para se recuperar do chamado “drawdown” máximo. O termo indica qual foi a maior queda que o fundo atingiu em relação ao seu último pico de rentabilidade – ou seja, a melhor fase do fundo. 

Os números são da Morningstar, uma das maiores provedoras de dados sobre fundos no mundo, e abrangem fundos de todas as categorias (ações, multimercados, renda fixa etc), abertos para todo tipo de investidor (pequeno ou qualificado, com mais de R$ 1 milhão de patrimônio).

De um total de 1.733 fundos que sobreviveram à crise de 2008 até hoje, metade deles (880) conseguiram se recuperar em menos de seis meses. E apenas uma minoria de 6% (106 fundos) levaram mais de 5 anos para sair do buraco.

Na média, a perda máxima desses fundos desde o pico foi de 16,97%. O pior drawdown máximo foi do fundo de crédito privado RJI Profix Institucional, com queda de 86,11% em relação ao seu recorde de rentabilidade. Mesmo assim, desde 2008, o fundo acumula uma rentabilidade de 169%.

O último baque dos fundos brasileiros foi mais recente e bem mais rápido. Após o Joesley Day em maio de 2017 – que derrubou a bolsa em meio a delações dos irmãos Batista contra o então presidente Michel Temer -, estes fundos levaram menos de quatro meses, na média, para se recuperar. Dos 4.488 fundos que voltaram a respirar, apenas 1 não se recuperou, segundo a Morningstar.

Agora é diferente?

Entre profissionais do mercado, especula-se que a resposta dos fundos ao novo cenário pode ser bem diferente da última grande crise. O principal motivo é que, agora, o mundo precisa lidar com os efeitos de uma pandemia, e não de bancos quebrando por crédito de má qualidade (subprime).

Eles avaliam que, no novo cenário, a crise vai além dos números e é também de confiança, uma vez que um grande número de cotistas pessoas físicas passaram a investir em fundos pela primeira vez no ano passado sem, necessariamente, conhecer sua dinâmica de risco.

Um dos maiores dilemas deste investidor, após o tombo, é a regra do D+ 30 para muitos fundos, que obrigam a manter o dinheiro lá por mais 30 dias. É um intervalo de tempo que, por ser muito difícil de prever, está tirando o sono de muita gente.

MAIS: Inseguro com seus investimentos? Na crise, é a vez do ouro

Por isso, profissionais de algumas gestoras relatam que elas têm sido inundadas mais por dúvidas do que por saques – que também vêm acontecendo. Nas corretoras, percebe-se uma migração dos fundos para a bolsa, cujas ações caíram a preço de “banana” para muitos, e também para ativos de proteção como o ouro. Saiba mais aqui

Alguns gestores, por sua vez, demonstram encarar o momento de outra forma. “Por aqui eles acreditam que o movimento foi exagerado e as empresas valem mais do que o preço que caíram”, afirma a especialista em relacionamento com investidores da Trópico Investimentos e economista Glenda Ferreira.

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