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Finanças

Hora de dolarizar a carteira? Saiba como investir com exposição cambial

Para quem busca uma proteção contra o Risco-Brasil, as alternativas são diversas, mas é preciso compreender os fundamentos desta estratégia.

Publicado

em

por

Katherine Rivas

No Brasil, o futuro é duvidoso e o passado é incerto”, afirmou certa vez o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Pedro Malan. Se você é daqueles que se preocupam com os riscos de investir no país, seja por conflitos políticos, a proximidade das eleições presidenciais ou até mesmo a crise fiscal, uma alternativa para compensar a volatilidade é dolarizar a sua carteira.

Mas como fazer isso? É hora de sair comprando dólar e guardar em contas no exterior como o fazem nossos vizinhos argentinos? Ou esta alternativa é apenas para situações extremas?

Segundo Bruno Scotton, assessor de investimentos e sócio na Ikedo Investimentos, a prática de dolarizar o patrimônio tem como foco dois objetivos.

O primeiro é a diversificação da sua carteira, porque o mercado de capitais brasileiro representa apenas 2% dos investimentos globais e lá fora é possível encontrar um oceano de alternativas.

Bruno exemplifica que na B3 encontramos cerca de 500 ações brasileiras, enquanto no mercado americano as companhias de capital aberto são quase 6 mil. Isso sem contar os mercados europeus, asiáticos e emergentes.

Além de ter mais oportunidades na hora de investir no exterior com exposição ao dólar, é possível ter acesso a companhias e setores mais consolidados que no Brasil. É o caso das grandes big techs que fazem parte do nosso dia a dia como Amazon, Apple e Tesla.

Já o segundo motivo para dolarizar seu patrimônio é a proteção contra o Risco-Brasil. De acordo com o assessor de investimentos, nosso país tem um histórico complicado na política, inflação e isso tem deixado o real um pouco desvalorizado frente a seus pares. “Uma parcela do nosso patrimônio com exposição a outras moedas e economias mais desenvolvidas acaba diminuindo esse risco nos nosso investimentos”, explica.

Todo mundo precisa dolarizar?

Para Mauricio Lima, especialista em investimentos da Western Asset, a proporção de quão dolarizada uma carteira deve ser depende muito da exposição ao risco do investidor.

Desta forma, quanto mais arrojada for sua estratégia, maior o risco-Brasil e em consequência maior a necessidade de garantir segurança com dólar

Ele destaca, que apesar do novo ciclo de alta na taxa de juros – a Selic está em 2,75% ao ano e pode saltar para 3,50% em maio – ainda vivemos um patamar de juros historicamente baixos. Isso tem um efeito na procura do investidor por novos ativos, desde títulos de longo prazo do Tesouro, até ações em bolsa.

“À medida que o investidor toma mais riscos, fica sujeito a flutuações de preço para o seu portfólio, principalmente no curto prazo”, aponta.

Por este motivo, segundo ele faz sentido ter uma parte da sua carteira em dólar, diminuindo a exposição ao Brasil e fazendo um contrapeso que amorteça a queda dos seus ativos em dias complexos no cenário nacional.

Contudo, Maurício esclarece que a formação de um portfólio dolarizado deve ser encarada como uma alternativa de diversificação estrutural, e não apenas de olho na valorização ou depreciação do câmbio. Para o especialista, qualquer hora é a hora certa de dolarizar o patrimônio.

“Tem investidor que fica atento apenas a variação cambial, achando que perdeu a oportunidade porque o dólar subiu ou caiu. Ter uma parcela da carteira dolarizada é semelhante a ter o seguro de um carro, você não torce para ficar batendo o veículo”, exemplifica.

Seguindo esta lógica, ele destaca que os investidores também não devem se preocupar com a parcela dolarizada da carteira. Isso porque esta parte do seu portfólio vai no sentido oposto dos outros ativos. “É uma espécie de contrapeso e não esta correlacionado com os outros investimentos”, reforça o especialista.

Alternativas para dolarizar a carteira

Dolarizar o patrimônio não significa sair correndo apenas e comprar dólar para guardar em contas no exterior, embora esta seja uma alternativa apenas para quem quer criar uma reserva, segundo Bruno Scotton da Ikedo Investimentos.

Ele destaca algumas alternativas para dar os primeiros passos na dolarização da sua carteira:

  1. ETFs: são uma espécie de fundos negociados em bolsa que acompanham índices. Há algumas alternativas interessantes como o IVVB11 que replica o índice S&P 500 que reúne as maiores empresas americanas como Google, Facebook e Tesla. E o XINA11, que replica ativos da bolsa chinesa. Apenas na B3, há 24 ETFs listados, mas no mercado americano existem mais de 2 mil.
  2. BDRs (Brazilian Depositary Receipts): são recibos de ações de companhias estrangeiras negociados na bolsa brasileira. Desde outubro de 2020, investir em companhias estrangeiras se tornou uma opção de investimento disponível para todos os brasileiros. Sabe comprar ações da Coca-Cola, do Google ou do Uber? Existem mais de 710 BDRs listados na bolsa brasileira.
  3. BDRs de ETFs: se você acha que BDR é só recibo de uma companhia estrangeira se enganou, existe também os BDRs de ETFs. Bruno exemplifica: “Se tem um ETF na bolsa americana que investe em empresas da Coreia, este ETF tem código americano, e na bolsa brasileira existe um BDRs para este ETF”. Na B3 é possível encontrar 39 BDRs de ETFs

Ainda entre as opções para dolarizar o patrimônio, o assessor de investimentos destaca duas alternativas menos ortodoxas.

A primeira é COE (Certificado de Operações Estruturadas), que além de combinar ativos de renda fixa ou variável pode dar acesso ao cenário internacional. Por exemplo, o COE pode investir em empresas de jogos americanas.

Bruno explica que a diferença de outras alternativas de investimento, no COE você está comprando uma estratégia. “Suponhamos que o COE escolhe 4 empresas de videogames e coloca condições para o vencimento, como a alta do preço das companhias, se estas evoluíram pagam juros então o investidor ganha um cupom”, comenta. Em contrapartida, se a estratégia der errado, o investidor recebe seu dinheiro de volta.

Ainda entre as opções há os contratos futuros de dólar, utilizados por alguns investidores como forma de fazer hedge (proteção contra variações cambiais). A modalidade acaba sendo uma forma de especulação sobre o preço da moeda.

Nela, o investidor tem o compromisso de vender ou comprar uma determinada quantidade de dólar, em uma data futura e conforme a um valor pactuado no presente. No entanto, Bruno destaca que este tipo de alternativa expõe o investidor a forte oscilação e alavancagem e é recomendado apenas para os mais arrojados ou traders.

Fundos de investimento e fundo cambial

Ainda entre as alternativas para dolarizar a carteira, estão os fundos de investimento, nas quais você investe junto com outros cotistas.

Existem fundos com exposição internacional, que investem em ações americanas ou ativos do mercado europeu, China e países emergentes.

Há também o fundo cambial, focado em comprar moedas, dólar ou outras moedas globais.

Segundo Mauricio Lima, a maior vantagem de dolarizar o patrimônio por meio de um fundo é a fácil exposição ao câmbio, o investidor pode receber os retornos em reais, já descontadas as variações. Além disso, os recursos são depositados na conta da corretora de forma líquida, sem necessidade de declarar impostos, emitir DARF ou os trâmites de abrir uma conta no exterior.

A outra é que em um universo tão amplio com diversas informações que o investidor precisaria acompanhar sobre empresas estrangeiras, o fundo já delega essa responsabilidade para o gestor, que é o encarregado de ter dar bom retorno.

Entre os pontos de atenção ao dolarizar a carteira, os especialistas destacam ter em mente que dolarizar o patrimônio é uma estratégia de longo prazo (entre 5 e 10 anos) e, mesmo sendo ativos estrangeiros, de mercados mais sólidos que o nosso, é importante saber sempre o que está comprando, estudaros fundamentos da companhia, o modelo de negócios, o mercado em que a empresa está inserido e os riscos inerentes.

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