O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou em leve baixa nesta terça-feira (2), após variar entre tímidas perdas e ganhos durante o pregão, uma vez que os investidores adotaram postura de cautela antes de decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil previstas para esta semana. O dólar encerrou a sessão em baixa.

No dia, o indicador caiu 0,10%, aos 106.528 pontos. Já o dólar recuou 2,14%, negociado a R$ 4,9625.

Cenário interno

Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central começa seu encontro no dia em que servidores do BC devem retomar uma greve. O consenso nos mercados é de que a taxa Selic será elevada em 1 ponto percentual, a 12,75%, mas o foco estará nas sinalizações do Copom sobre possíveis ajustes adicionais nos juros.

A projeção do mais recente boletim semanal Focus, divulgado na segunda-feira (2) pelo BC, é de que a taxa chegará a 13,25% até o final deste ano, e as estimativas de algumas instituições financeiras para a Selic chegam a superar 14%.

O mercado repercutiu ainda o dado da produção industrial local marginalmente acima do esperado em março. “De maneia geral os dados continuam ruins, na esteira do nível de renda baixo”, comentou em nota o economista-chefe da Necton, André Perfeito. “A elevação da Selic irá segurar a atividade, não há dúvida, mas cabe notar que o governo tem feito uma série grande de transferências e isso pode criar certo colchão na atividade, mas por ora não é possível mensurar de maneira precisa.”

Cenário externo

Investidores se atentam à forte expectativa de endurecimento do aperto monetário nos EUA (ou seja, juros subindo a um ritmo mais rápido do que o esperado), que deve impulsionar os rendimentos da dívida norte-americana, bem mais segura que a brasileira. Isso tente a favorecer o dólar em relação a moedas como o real.

A aposta num aumento de 0,5 ponto percentual nos juros pelo Fed na quarta-feira (4), ao fim de seu encontro de dois dias, já é praticamente consenso no mercado. Isso marcaria a dose de aperto mais intensa desde 2000, sinalizando a determinação do banco central de domar a inflação mais alta em 40 anos. Na segunda, diante dessa expectativa, a taxa do título soberano norte-americano de dez anos superou 3% pela primeira vez em mais de três anos.

Bolsas mundiais

Wall Street

O índice S&P 500 fechou em alta nesta terça-feira, depois de uma sessão agitada na qual cada um dos principais índices oscilou entre ganhos e perdas conforme teve início uma importante reunião de política monetária do Federal Reserve, o banco central norte-americano.

De acordo com dados preliminares, o S&P 500 ganhou 0,48%, para 4.175,42 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq Composite avançou 0,21%, para 12.562,01 pontos. O Dow Jones subiu 0,17%, para 33.117,77 pontos.

Europa

As ações europeias subiram nesta terça-feira após uma série de balanços positivos, enquanto papéis bancários avançaram com os rendimentos de títulos governamentais atingindo novas máximas em antecipação a aumentos mais rápidos das taxas de juros pelos bancos centrais globais para combater a inflação.

O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,53%, a 446,20 pontos, e recuperou-se de uma “queda relâmpago” no pregão anterior causada por uma única ordem de venda do Citigroup Inc.

Ásia e Pacífico

As ações de Hong Kong deram sequência nesta terça-feira aos ganhos da sessão anterior, com o HSBC subindo depois que seu maior acionista, o gigante de seguros chinês Ping An, pediu o desmembramento do banco com sede em Londres.

*Com informações da Reuters.

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