Finanças

Ibovespa fecha em baixa em meio a receio fiscal; dólar tem maior alta em 1 mês

Internamente, investidores avaliaram a proposta do governo de zerar o ICMS e ressarcir Estados.

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O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda nesta terça-feira (7), em sessão marcada, novamente, por menor liquidez nos negócios, com o suporte de ações de commodities sendo contrabalançado pela percepção de aumento de risco fiscal. O dólar teve a alta mais forte em um mês e fechou num pico em mais de duas semanas contra o real nesta terça-feira.

No dia, o Ibovespa teve baixa de 0,11%, aos 110.069 pontos. Já o dólar avançou 1,64%, negociado a R$ 4,8742.

Cenário interno

Nesta segunda-feira (6), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Executivo está disposto a zerar impostos federais cobrados sobre gasolina, gás, etanol e diesel em troca de uma redução da carga cobrada pelos entes federativos, que seriam ressarcidos pelo governo federal.

De acordo com o ministro da Economia, Paulo Guedes, os repasses que deverão ser feitos pela União este ano a Estados e municípios para cobrir a perda de arrecadação desses entes com uma redução a zero do ICMS que incide sobre diesel e gás terão valor definido, limitado ao montante de uma arrecadação extraordinária que ainda não foi lançada no Orçamento.

Em relatório, especialistas da Genial Investimentos avaliaram que a medida deve colaborar para um arrefecimento da inflação ao consumidor, o que, em teoria, tende a aumentar a renda real da população e, consequentemente, gerar um efeito positivo sobre a atividade e a arrecadação de impostos.

No entanto, como a medida pode elevar a percepção do risco fiscal do país por parte dos participantes do mercado, “o resultado poderá ser desvalorização cambial e aumento da pressão inflacionária, diminuindo ou até mesmo anulando os efeitos da diminuição de impostos”, alertaram.

A XP calcula que o impacto sobre a inflação de curto prazo da proposta do ICMS pode ser de até 2 pontos percentuais no IPCA cheio, mas “deve criar um buraco fiscal que pode atingir R$ 100 bilhões até o final do ano”, disse a instituição financeira em nota.

Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, escreveu que a notícia é “mais um ponto do descalabro fiscal no Brasil, pois ao entender a completa impossibilidade de alterar as políticas da Petrobras (PETR3, PETR4)… o governo busca alternativas nada ortodoxas para a redução do preço dos combustíveis”.

Uma diminuição na arrecadação do governo poderia atrapalhar o desempenho positivo que as contas públicas brasileiras têm apresentado nos últimos meses, fator que tende a atrair investidores estrangeiros para o mercado local. Dados divulgados no final do mês passado, por exemplo, mostraram que o setor público teve superávit fiscal recorde para abril, enquanto a dívida voltou ao nível do início da pandemia.

Cenário externo

Investidores de todo o mundo mostravam maior cautela na sessão antes de dados de inflação dos Estados Unidos e uma reunião do Banco Central Europeu (BCE) desta semana, em meio aos receios de que um aperto monetário muito agressivo nos países desenvolvidos leve a saídas de capital de ativos arriscados, como moedas de países emergentes.

Bolsas mundiais

Wall Street

As ações dos EUA fecharam em alta nesta terça-feira, com o avanço da Apple (AAPL34) e de outros nomes de tecnologia, enquanto a decepcionante previsão de margem de lucro trimestral da Target Corp pesou nos papéis de varejo.

De acordo com dados preliminares, o S&P 500 ganhou 0,93%, para 4.159,85 pontos. O Nasdaq valorizou 0,92%, para 12.172,29 pontos. O Dow Jones subiu 0,80%, para 33.178,64 pontos.

Europa

As ações europeias caíram nesta terça-feira.

O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 0,28%, a 442,88 pontos, com o índice de ações de varejo perdendo 0,9% depois que a Target reduziu sua previsão de margem trimestral pela segunda vez em menos de um mês.

“Os papéis de varejo sofreram um golpe forte desde o início do ano e não posso imaginar que haverá algum descanso para eles no futuro próximo”, disse Danni Hewson, analista financeira da AJ Bell.

“É por isso que estamos vendo tantas fusões e aquisições no momento.”

O BCE sinalizou que pode fazer ajustes nos juros a partir do próximo mês, e investidores estão esperando para ver se a inflação recorde de maio levará a uma mudança de postura monetária na reunião de quinta-feira.

  • Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 0,12%, a 7.598,93 pontos.
  • Em FRANKFURT, o índice DAX caiu 0,66%, a 14.556,62 pontos.
  • Em PARIS, o índice CAC-40 perdeu 0,74%, a 6.500,35 pontos.
  • Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 0,81%, a 24.366,19 pontos.
  • Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou alta de 0,06%, a 8.841,60 pontos.
  • Em LISBOA, o índice PSI20 valorizou-se 1,21%, a 6.349,21 pontos.

Ásia e Pacífico

As ações chinesas fecharam em alta nesta terça-feira, ajudadas por ganhos nas ações dos consumidores diante da esperança de recuperação da demanda, já que Pequim aliviou ainda mais as restrições de combate à Covid-19, enquanto os investidores realizaram lucros em algumas ações que haviam se recuperado acentuadamente nas últimas sessões.

  • Em TÓQUIO, o índice Nikkei avançou 0,10%, a 27.943 pontos.
  • Em HONG KONG, o índice HANG SENG caiu 0,56%, a 21.531 pontos.
  • Em XANGAI, o índice SSEC ganhou 0,17%, a 3.241 pontos.
  • O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, avançou 0,31%, a 4.179 pontos.
  • Em SEUL, o índice KOSPI teve desvalorização de 1,66%, a 2.626 pontos.
  • Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou baixa de 0,56%, a 16.512 pontos.
  • Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES valorizou-se 0,15%, a 3.231 pontos.
  • Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 recuou 1,53%, a 7.095 pontos.

*Com informações da Reuters.

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