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Finanças

Ibovespa fecha em queda de 2%, aos 119 mil pontos; dólar sobe

Indicador foi puxado pela baixa da Petrobras e Vale.

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O Ibovespa caiu nesta quinta-feira (27), depois de ter alcançado na véspera o maior fechamento desde agosto de 2021, influenciado negativamente pela forte queda de Petrobras (PETR3, PETR4) – após dados de produção e perspectiva de reunião do conselho da estatal nesta semana para definir nova política de dividendos -, e baixa da Vale (VALE3) – após queda do minério de ferro e antes de divulgar balanço no fim do dia.

O dólar à vista fechou em alta ante o real, em sintonia com o exterior, onde a moeda norte-americana também sustentava ganhos ante a maioria das moedas de países emergentes ou exportadores de commodities, em um dia de dados positivos sobre a economia norte-americana, mas virada das bolsas à tarde.

No dia, o Ibovespa caiu 2,10%, aos 119.989 pontos. O dólar subiu 0,66%, a R$ 4,75.

No dia anterior, o Ibovespa teve alta de 0,45%, a 122.560,38 pontos, renovando o maior nível de fechamento em quase dois anos, após a decisão do Federal Reserve (Fed) e em dia de elevação de nota do Brasil pela Fitch.

REUTERS/Paulo Whitaker

Marco Monteiro, analista da CM Capital, mencionou ainda um movimento natural após altas recentes. “É mais a correção de mercado, realização de lucros“, disse ele, observando que os últimos meses do Ibovespa vêm sendo positivos. Só em junho, o índice teve avanço de 9% e, neste mês, acumula ganhos de cerca de 2,5%.

De acordo com Monteiro, essa correção é “saudável”, já que abre espaço para investidores tomarem posição em alguns papéis que subiram forte recentemente.

O Ibovespa alcançou o maior patamar desde agosto de 2021 nas últimas sessões, principalmente impulsionado por empresas de commodities metálicas, como Vale, diante de promessa de estímulo econômico na China, e ao fortalecimento da perspectiva de corte de 0,5 ponto percentual na Selic na semana que vem.

PIB dos EUA

O mercado repercute a notícia de que a economia dos Estados Unidos cresceu mais rápido do que o esperado no segundo trimestre. O Produto Interno Bruto (PIB) aumentou a uma taxa anualizada de 2,4% no último trimestre, informou o Departamento de Comércio nesta quinta-feira. A economia cresceu a um ritmo de 2% no trimestre de janeiro a março. Economistas consultados pela Reuters previam expansão do PIB de 1,8%.

Desde o final de 2022, economistas preveem uma desaceleração mas, com as pressões de preços recuando, alguns agora acreditam que o cenário de pouso suave para a economia previsto pelo Fed é viável. Na quarta-feira, o banco central elevou sua taxa de juros em 25 pontos-base, para uma faixa de 5,25% a 5,5%.

BCE eleva juros

Ainda no cenário externo, o Banco Central Europeu (BCE) elevou as taxas de juros pela nona vez consecutiva nesta quinta-feira, a maior em 23 anos, e manteve a porta aberta para novo aperto monetário, à medida que a inflação e o risco crescente de recessão colocam as autoridades em direções opostas.

Com o movimento de 25 pontos-base desta quinta-feira, a taxa de depósito do BCE está em 3,75%, o nível mais alto desde 2000, antes mesmo de as notas e moedas de euro terem sido colocadas em circulação. A principal taxa de refinanciamento foi fixada em 4,25%.

Cenário interno

Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostraram que a confiança da indústria do Brasil caiu em julho, em meio a piora na percepção sobre o momento presente do setor e redução do otimismo diante do cenário de juros elevados. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da FGV Ibre caiu 2,1 pontos neste mês, para 91,9 pontos, mostraram os dados.

“O resultado de julho da sondagem mostra queda da confiança industrial no início do segundo semestre para um nível próximo ao do início do ano, que por sua vez é o mais baixo desde julho de 2020”, disse em nota Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE.

Funcionários trabalham em linha de produção de fábrica em Manaus 24/06/2014 REUTERS/Jianan Yu

Além disso, os preços ao produtor no Brasil recuaram pela quinta vez seguida em junho e a taxa em 12 meses foi ao menor patamar da série histórica, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

Em junho, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) apresentou deflação de 2,72%, depois de ter recuado 2,88% em maio. O resultado levou o índice a acumular em 12 meses queda de 12,37%, maior queda da série histórica iniciada em 2014.

Também nesta quinta-feira, Ministério do Trabalho e Previdência informou que o Brasil abriu 157.198 vagas formais de trabalho em junho, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O resultado do mês passado ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de criação líquida de 164.500 empregos.

Destaques da B3

A ação preferencial da Petrobras (PETR4) recuou mais de 5,19%. A estatal divulgou seu relatório de produção e vendas, com queda de 0,6% na produção de petróleo referente ao segundo trimestre.

O dia foi negativo também para os bancos, que têm forte sobre a composição do Ibovespa. Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) recuaram todos em acima de 2%.

A ação da Gol (GOLL4) caiu 5,83%, mesmo após superar estimativas com um lucro líquido de R$ 556,3 milhões no segundo trimestre, revertendo prejuízo de R$ 2,8 bilhões sofrido um ano antes, impulsionada por receitas maiores e ganhos cambiais.

Bolsas mundiais

Wall Street

As ações dos Estados Unidos fecharam em baixa nesta quinta-feira, depois que a notícia de que o Banco do Japão permitirá que as taxas de juros de longo prazo subam impulsionou os rendimentos dos Treasuries, interrompendo a mais longa sequência de altas do índice Dow Jones desde 1987.

O Dow Jones caiu 0,67%, para 35.282,72 pontos. O S&P 500 perdeu 0,64%, para 4.537,46 pontos. O índice de tecnologia ​​Nasdaq caiu 0,55%, para 14.050,11 pontos.

Europa

As ações blue-chips (mais negociadas) da zona do euro subiram para seu nível mais alto em mais de 15 anos nesta quinta-feira, com os investidores avaliando que o BCE está próximo do fim de seu ciclo de aperto monetário.

O índice EURO STOXX 50 subiu 2,3%, atingindo seu nível mais alto desde dezembro de 2007, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 avançou 1,4% para um pico de 17 meses.

  • Em LONDRES, o índice Financial Times avançou 0,21%, a 7.692,76 pontos.
  • Em FRANKFURT, o índice DAX subiu 1,70%, a 16.406,03 pontos.
  • Em PARIS, o índice CAC-40 ganhou 2,05%, a 7.465,24 pontos.
  • Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve valorização de 2,13%, a 29.597,81 pontos.
  • Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou alta de 0,98%, a 9.694,70 pontos.
  • Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 1,36%, a 6.188,54 pontos.

Ásia

As ações de Hong Kong subiram, lideradas pelo setor de tecnologia, depois que as autoridades locais aumentaram a taxa básica de juros após novo aperto monetário nos Estados Unidos. Já o mercado da China teve leve baixa ​​depois que os lucros industriais estenderam o ritmo de queda de dois dígitos deste ano para o sexto mês.

  • Em TÓQUIO, o índice Nikkei avançou 0,68%, a 32.891 pontos.
  • Em HONG KONG, o índice HANG SENG subiu 1,41%, a 19.639 pontos.
  • Em XANGAI, o índice SSEC perdeu 0,20%, a 3.216 pontos.
  • O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, retrocedeu 0,12%, a 3.902 pontos.
  • Em SEUL, o índice KOSPI teve valorização de 0,44%, a 2.603 pontos.
  • Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou alta de 0,46%, a 17.241 pontos.
  • Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES valorizou-se 0,98%, a 3.337 pontos.
  • Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 avançou 0,73%, a 7.455 pontos.

*Com informações da Reuters.

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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