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Finanças

Ibovespa fecha abaixo dos 99 mil pontos e atinge menor nível desde 13 de julho

Possível bolha financeira em Nasdaq e preços do petróleo puxaram o índice para a queda

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InvestNews
bolsa de valores

Novamente os preços do petróleo e as ações do setor de tecnologia negociadas em Nasdaq penalizaram o mercado brasileiro. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em queda de 2,43%, aos 98.834 pontos nesta quinta-feira (10). Este foi o pior patamar da bolsa de valores desde 13 de julho, quando o índice chegou aos 98.697,06 pontos.

Em Wall Street, as ações de tecnologia voltaram a recuar, com medo dos investidores de que exista uma bolha no mercado financeiro. O índice americano Nasdaq caiu 1,99%. Enquanto Dow Jones e S&P 500 desvalorizaram 1,45% e 1,76%, respectivamente.

O risco nas bolsas americanas se intensificou ainda com a briga entre republicanos e democratas que pode travar os US$ 300 bilhões de estímulo fiscal.

O dólar inverteu sinal e voltou a subir. O dólar comercial fechou em alta de 0,37%, cotado a R$ 5,320. Na máxima do dia, a moeda americana chegou a R$ 5,319.

Impactou no câmbio a tensão nas bolsas americanas, além do distanciamento do pacote fiscal nos EUA. O dólar firmou alta no exterior e, no mercado doméstico, passou a subir na reta final dos negócios, em sessão marcada pelo crescimento maior que o esperado nas vendas no varejo e várias captações de empresas, com Embraer, Suzano e PetroRio emitindo no exterior e a varejista de produtos para animais de estimação Petz no mercado de ações.

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No cenário interno, a Petrobras puxou o Ibovespa para a queda seguindo o cenário negativo nos preços do petróleo. Os contratos futuros da commoditie recuaram com indicativos de oferta e demanda. O barril WTI, para outubro, caiu 1,97% negociado a US$ 37,30. Enquanto o barril Brent, para novembro, teve queda de 1,79%, a US$ 40,06.

Com isso as ações preferenciais da companhia (PETR4) caíram 2,68%, enquanto as ordinárias (PETR3) recuaram 3,78%.

No começo do dia, a Polícia Federal esteve na sede da Petrobras, com mandado de busca e apreensão da Operação Lava Jato. A investigação é sobre fraudes em operações de câmbio comercial contratadas ao Banco Paulista.

As ações da Vale (VALE3) registraram baixa de 2,45%.

Destaques da Bolsa

O destaque positivo do dia foi do Pão de Açúcar (PCAR3), a ação disparou 14,80% com o anúncio do GPA, controlador do Pão de Açúcar, de um estudo para a separação da rede de atacarejo Assaí e a preparação da companhia para listagem na B3 e Nyse. Segundo o grupo, a cisão será precedida da transferência da participação hoje detida pela Assaí na Almacenes Éxito para o GPA.

Subiram também os frigoríficos BRF (BRFS3) e JBS (JBSS3) que avançaram 3,72% e 2,41%, respectivamente. As importações de carne bovina aumentaram nos EUA e em Nova Zelândia.

Entre os destaque negativos estava a Localiza (RENT3), com queda de 5,38%, seguida das Lojas Renner (LREN3) que recuaram 4,42%.

Caiu também a PetroRio (PRIO3), com desvalorização de 4,16%, seguindo o desempenho do petróleo.

Recuperação europeia

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu deixar sua política monetária inalterada após reunião concluída nesta quinta-feira, mas reiterou que continua disposto a ajustar “todos os seus instrumentos”, conforme for apropriado. As principais taxas de juros do BCE, a de refinanciamento e a de depósitos, permaneceram em 0% e -0,50%, respectivamente.

Além disso, o BCE manteve o volume de seu Programa de Compras de Emergência na Pandemia (PEPP, na sigla em inglês) em 1,35 trilhão de euros.

Em comunicado, o BCE reiterou ainda que o período de vigência do PEPP irá “pelo menos” até o fim de junho de 2021 e que as compras do programa serão conduzidas de maneira flexível. A instituição voltou a ressaltar, porém, que as compras do PEPP continuarão até que a crise da covid-19 seja superada.

Bolsas americanas

As bolsas de Nova York abriram em alta, apoiadas pelo reforço do compromisso do Banco Central Europeu (BCE) em apoiar a economia da zona do euro. Ao longo do dia, porém, o quadro piorou, com dados econômicos fracos e o impasse sobre novos estímulos fiscais nos Estados Unidos, com fechamento negativo hoje do mercado acionário.

O índice Dow Jones fechou em queda de 1,45%, a 27.534,58 pontos, o S&P 500 caiu 1,76%, a 3.339,19 pontos, e o Nasdaq recuou 1,99%, a 10.919,59 pontos.

Mais uma vez, ações do setor de tecnologia estiveram entre as mais penalizadas. Apple recuou 3,26%, Microsoft cedeu 2,80% e IBM, 1,39%.

O setor que mais caiu, porém, foi o de energia, em dia de baixas do petróleo, com ExxonMobil em queda de 2,50% e ConocoPhillips, de 4,47%. Entre outros papéis importantes, Boeing fechou em baixa de 1,92% e, entre os bancos, Goldman Sachs perdeu 1,09% e Citigroup, 0,88%.

Na agenda de indicadores, os novos pedidos de auxílio-desemprego ficaram estáveis em 884 mil na semana, ante previsão de 850 mil dos analistas, em mais uma mostra da dificuldade na retomada do mercado de trabalho.

A Oxford Economics comenta em relatório que os EUA ganhavam fôlego em agosto, mas a consultoria diz que o desemprego ainda alto e o impasse no Congresso sobre o “urgentemente necessário apoio fiscal” lançam dúvidas sobre a velocidade e a durabilidade da retomada.

Na tarde desta quinta, o Senado americano não aprovou um pacote fiscal defendido pelos governistas republicanos. A oposição argumenta que a medida era insuficiente e cobra apoio mais robusto, mas a imprensa americana comenta que, nesse impasse, diminui a chance de qualquer novo pacote fiscal antes da eleição de novembro.

*Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo

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