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Finanças

Variante ômicron pode adiar, mas não zera retomada da bolsa, dizem especialistas

Nova variante do coronavírus assustou os mercados, mas expectativa é de impacto menor que o começo da pandemia.

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A nova variante do coronavírus detectada da África derrubou as bolsas em todo o mundo e levantou dúvidas sobre a consistência da recuperação dos mercados após o pior momento da crise da pandemia aparentemente ter ficado para trás. Mas, para especialistas ouvidos pelo InvestNews, embora ainda seja cedo para mensurar o impacto da variante ômicron sobre a economia global, ele não deve ser suficiente para “apagar por completo” a recuperação vista até agora. 

Os cientistas alertam que a variante descoberta pela primeira vez em Botsuana tem um “número extremamente alto” de mutações, o que pode levar a novas ondas de covid-19. Sem informações confirmadas sobre a eficácia das vacinas contra essa nova variante, investidores fugiram de ativos de risco, como ações e criptomoedas

Leonardo Santana, especialista em ações da Top Gain, afirma que essa reação de “pânico” pode ter sido um pouco exagerada, e vê espaço para correções. “O que nós temos no mercado hoje é muito pânico. Mas não necessariamente fatos verídicos de aumento expressivo de casos de morte”, diz ele. “Por enquanto, o reflexo é de um mercado com mais sentimentos do que com fatos.”

De maneira semelhante, Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos, aponta que “a gente ainda não tem grandes informações sobre o vírus, se ele já está disseminado em outros continentes com maior volume, e, principalmente, se essa mutação da estrutura de proteínas dele de fato faz com que as vacinas não tenham eficácia”. 

Recuperação não deve ser perdida

Mesmo na pior das hipóteses – ou seja, se a variante ômicron de fato se tornar mais infectante e resistente às vacinas -, os especialistas não esperam que as bolsas de valores percam toda a recuperação desde a queda no começo da pandemia, em 2020. 

“Eu não acredito que essa nova variante possa derrubar o Ibovespa aos 60 mil pontos, como foi na primeira onda do vírus, quando ninguém o conhecia”, diz Beyruti. “A nova variante pode ser resistente contra as vacinas, nós podemos ter perdas ainda. Não estou falando que não vai cair. Podemos perder os 100 mil ou 90 mil pontos. Mas não acredito que a queda vai ser da mesma magnitude porque o mundo já está mais preparado.”

Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos, acrescenta que uma piora dos números de infecções pelo mundo pela variante ômicron pode trazer consequências para a economia, mas também acredita em um impacto menor. “Isso é uma coisa temporária, a gente já sabe lidar. Tudo bem, essa variante é problemática, o mercado reagiu mal. Mas acaba sendo mais ruído. E acho que vai ter uma duração curta e não vai atrapalhar esse movimento de ‘o pior já passou e vamos pensar em como vai ser a recuperação‘”, diz. 

Entre os motivos para essa avaliação, Komura cita que, “se a gente precisar desenvolver, adaptar a vacina, vai acontecer num ritmo muito mais rápido, dado que as vacinas já foram testadas, que é a parte mais complicada e demorada.”

Santana, da Top Gain, também cita esse fator. “Nós tivemos alguma notícia da Pfizer hoje de que se precisar de uma vacina para a nova cepa, ela sairá em torno de 100 dias. Então, a vacinação já é prevista.”

As vacinas e o caso do Brasil

Especialistas apontam que, diferente do que ocorria em outros momentos, novas preocupações em relação à covid-19 pelo mundo não devem afetar o mercado no Brasil de maneira mais severa na comparação com outros países. E o principal motivo apontado para isso é o avanço da vacinação. 

O Brasil já ultrapassou países como os Estados Unidos na parcela da população vacinada contra a covid-19. Nesta semana, a cidade mais populosa do país, São Paulo, afirmou que 100% de sua população adulta já concluiu o primeiro ciclo de imunização.

“Em meses anteriores, geralmente quando tinha alguma crise mais global, um momento de maior queda dos mercados, o Brasil caía bem mais. O sentimento com o Brasil era que aqui sempre em termos de pandemia a gente estava pior”, lembra Gustavo Cruz, economista e estrategista da RB Investimentos, afirmando que, agora, a situação é diferente. 

“Eu acho que isso já está bem relacionado com a alta taxa de vacinação aqui no Brasil. A maior parte da população tomou suas duas doses. Isso é uma diferença bem grande para a resistência à vacina na Europa e nos Estados Unidos”, diz Cruz. 

Em relatório sobre os possíveis impactos da ômicron, o Goldman Sachs afirma que “deve-se observar que variantes preocupantes já surgiram antes, sem impactos significativos, e o surto até agora ocorreu em países com baixas taxas de vacinação”.

Mas Cruz, da RB, alerta que essa aparente “vantagem” do Brasil sobre outros países por causa da taxa maior de vacinação pode trazer uma “falsa sensação de que a gente está alheio ao que vem de fora. Mas não é verdade”. 

“O continente africano está sendo extremamente negligenciado. Tem pouquíssima vacina disponível por lá”, comenta o economista. “A gente sabe que, para sair da crise do coronavírus, não dá para ter esse tipo de situação. Ou você vacina o mundo inteiro, ou fica correndo esse risco sempre. E, infelizmente, parece que aconteceu.” 

Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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